Torcida, tradição e tarimba em decisões. Três chavões comuns na Libertadores, mas que podem muito bem serem utilizados para adjetivar a ótima vantagem obtida pelo Olimpia nesta final. O Defensores del Chaco empurrou uma equipe verdadeiramente copeira contra o Atlético Mineiro. Os paraguaios suportaram a pressão inicial, aproveitaram uma chance isolada, amarraram o jogo e ampliaram a diferença no placar no último lance. Momentos que possibilitaram a vitória por 2 a 0 e deixam mais vivos o sonho do tetracampeonato.

Dona do espetáculo antes da partida, a torcida montou um mosaico ao longo dos 360 graus das arquibancadas [veja o vídeo]. E a principal alusão na obra-prima era o “Rey de Copas”, apelido ganho justamente pelas glórias passadas nas competições continentais. A evocação, ao que parece, não falhou. Mesmo não sendo tecnicamente o melhor, o Decano foi mais time, mais raça, mais coração.

Pulsando junto com as arquibancadas quando a bola começou a rolar, o Olimpia não começou bem. O time parecia tenso na conclusão das jogadas, enquanto o Atlético Mineiro não sentia o fato de jogar longe de Belo Horizonte. Por 20 minutos, os brasileiros se impuseram no campo de ataque e criaram as melhores chances, a maioria nos pés de Tardelli, que era voluntarioso e ao mesmo tempo displicente. Aos anfitriões, reclusos em torno de sua área, restava se empenhar e, em boa parte das oportunidades, chegar duro nos adversários.

O primeiro bom momento dos paraguaios só veio aos 23 minutos. E, com um bom time copeiro, o Decano tratou de aproveitar. Alejandro Silva passou como quis pela contenção atleticana e pode finalizar sem pressão alguma, mandando a bola para o fundo das redes. Um golpe duríssimo para o Galo, que demorou a recobrar a consciência. Pela direita, o ataque franjeado aproveitava as costas de Marcos Rocha. Já na esquerda, Luan e Richarlyson estavam perdidos e permitiam que os anfitriões se criassem por ali. Deitando e rolando, Juan Manuel Salgueiro só não fez mais um antes do intervalo por pura demora na conclusão.

No início do segundo tempo, o Atlético voltou a dar um fio de esperança a sua torcida. Mas por pouco tempo, até que Tardelli voltasse a perder gols. Do outro lado, a estratégia do Olimpia era clara. Juan Carlos Ferreyra entrou na equipe e passou a servir de referência para o excesso de cruzamentos. Os mineiros sofriam, mas suportavam bem o bombardeio.

Diante da inoperância de seu time, Cuca lançou mão de duas alterações já aos 20 minutos. Sacou Luan e, quem diria, Ronaldinho, sumido e baleado pela dureza dos marcadores. Rosinei e Guilherme entraram, o Galo até ganhou novo fôlego, mas pouco fez para merecer o empate. Quando levou mais perigo, parou na excelente atuação do goleiro Martin Silva, preciso na saída e nos lances de reflexo.

Um chute de Jô que parou nos pés do arqueiro foi o último suspiro atleticano. Dali em diante, era se defender e torcer para que o placar permanecesse inalterado. Leonardo Silva salvou um gol certo e Fredy Bareiro perdeu com o gol vazio, inacreditavelmente. Amedrontado, o Galo passou a responder com entradas duras. Que renderam a suspensão de Marcos Rocha para a volta, a expulsão de Richarlyson e, finalmente, o tento selou a vitória do Decano, em cobrança de falta primorosa de Wilson Pittoni.

A situação do Atlético é parecida com a da semifinal, contra o Newell’s. De certa forma, até vantajosa, considerando que não existe gol qualificado na final da Libertadores. No entanto, o futebol que o time tem apresentado nos últimos tempos não anima. Exceção feita a lampejos, como no primeiro tempo contra os argentinos ou nos primeiros minutos da final, o brilhantismo dos mineiros ficou na primeira fase.

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No Mineirão, o Galo precisará honrar seu hino. Ser forte e brigador, como não foi no Defensores del Chaco. Não adianta pressionar e ir para as cordas ao tomar o primeiro gol, depender do imponderável – um apagão, por exemplo – para reagir. O Olimpia, de fato, não possui o mesmo talento dos mineiros ou o arrojo do Newell’s, que fizeram a “final antecipada” na semifinal. Porém, tem o “pecho caliente”, o poder de decisão, que costuma fazer a diferença na Libertadores. As três taças do torneio em seu museu ajudam a contar essa história.

Destaque do jogo

Alejandro Silva. Não foi só o gol que colocou o meio-campista em evidencia. Aproveitando os espaços deixados pelo Galo nos flancos, o uruguaio chamou a responsabilidade em diversos momentos, também criando boas chances para os companheiros. Ao seu lado, Salgueiro também foi bem, ainda que tenha falhado demais nas finalizações.

Momento chave

Os gols perdidos por Diego Tardelli. Foram vários lances em que o atacante poderia ter convertido para o Galo. Os melhores vieram no início do primeiro tempo, quando os brasileiros eram superiores e poderiam ter aberto o placar. Na volta do intervalo, o camisa 9 voltou a protagonizar as tentativas do time no ataque, mas a falta de precisão na pontaria e o preciosismo não deram o empate aos atleticanos.

Os gols

23’/1T – GOL DO OLIMPIA! Alejandro Silva recebe a bola no lado direito do ataque e arranca em diagonal. O camisa 3 passa por Luan e conta com a passividade de Diego Tardelli para chegar até a entrada da área. O chute cruzado ainda toca a trave, indefensável para Victor.

48’/2T – GOL DO OLIMPIA! Rosinei comete falta na meia-lua. Herminio Miranda se prepara para a cobrança, mas é Wilson Pittoni quem bate. O camisa 8 acerta o ângulo e nem Alecsandro, posicionado na pequena área, nem Victor conseguem salvar.

Curiosidade

Alejandro Silva foi o primeiro uruguaio a marcar gol em final de Libertadores em 25 anos. O último havia sido Hugo De León, ajudando a garantir a conquista do Nacional em 1988. (via @2010MisterChip)

Ficha técnica

OLIMPIA 2×0 ATLÉTICO MINEIRO

Olimpia Olimpia
Martin Silva, Julio Manzur, Eduardo Mirandae Salustino Candia; Aranda; Alejandro Silva, Wilson Pittoni, Nelson Benítez e Matias Giménez (Ferreyra, intervalo); Fredy Bareiro (Prono, 46’/2T) e Juan Manuel Salgueiro (Paredes, 44’/2T). Técnico: Ever Hugo Almeida.
Atlético Mineiro
Victor, Marcos Rocha, Rever, Leonardo Silva e Richarlyson; Pierre e Josué; Diego Tardelli, Ronaldinho (Guilherme, 20’/2T) e Luan (Rosinei, 19’/2T); Jô (Alecsandro, 34’/2T). Técnico: Cuca.
Local: Estádio Defensores del Chaco (Assunção-PAR)
Árbitro: Nestor Pitana (ARG)
Gols: Alejandro Silva, 23’/1T, e Wilson Pittoni, 49’/2T
Cartões amarelos: Miranda, A. Silva e Giménez (Olimpia); Marcos Rocha, Richarlyson, Josué (Atlético)
Cartões vermelhos: Richarlyson (Atlético)