O Fortaleza é o time mais badalado do Nordeste desde 2018, quando conquistou a Série B e apresentou um bom futebol na campanha. Apesar do desafio que será se manter na primeira divisão após dois acessos consecutivos, o Leão do Pici continua se impondo regionalmente. Primeiro, conquistou o Campeonato Cearense. Já nesta quinta, registrou a classificação inédita à final da Copa do Nordeste. Em jogo único, os tricolores derrotaram o Santa Cruz por 1 a 0 dentro do Castelão e confirmaram o favoritismo. Contudo, precisarão encarar outro candidato ao título inédito na Lampions League. O Botafogo da Paraíba também merece elogios, tricampeão estadual. Superou o Náutico com uma insana vitória por 2 a 1 no Almeidão e será o desafiante do time de Rogério Ceni. Promessa de uma decisão quente, entre duas grandes torcidas. A ida acontece no dia 22, no Castelão, e a volta está marcada para o Almeidão, dia 29.

O primeiro a se garantir foi o Botafogo. E mal deu para respirar durante o início do jogo na Paraíba. Era um duelo eletrizante, lá e cá, com chances para os dois lados. O Belo chegou a acertar duas bolas na trave (uma delas invalidada) e a ver um tiro salvo em cima da linha. Do outro lado, o Náutico também lamentou uma furada de Wallace Pernambucano na pequena área e um milagre do veterano Saulo. Porém, aos poucos o Botafogo começou a se sobressair e a ser mais perigoso. Até que o início do segundo tempo insaciável premiasse os paraibanos. Aos dez minutos, Nando brigou demais pela bola dentro da área e finalmente abriu o placar.

Quatro minutos depois, o Náutico voltou para o jogo. Tarcísio Martins, que acabara de sair do banco, bateu cruzado e Saulo não conseguiu evitar o empate. E quando o Belo poderia ter retomado a vantagem, desperdiçou um pênalti. Fábio Alves soltou o canudo e o goleiro Bruno caiu no canto certo, fazendo a defesa. Apesar da superioridade, o Botafogo não conseguia matar o duelo. Ia acumulando lances perdidos, como a cabeçada de Paulo Renê aos 42. Na risca da pequena área, ele só raspou na bola e jogou fora a enorme oportunidade. O herói seria Juninho. Dois minutos depois, o ídolo Clayton cobrou falta em direção à área e o companheiro emendou de cabeça, no meio dos zagueiros. Encobriu o goleiro Bruno. O Timbu ainda daria um susto em cabeçada para fora nos acréscimos, mas a merecida classificação era alvinegra.

O Botafogo aguardava o classificado do duelo entre Fortaleza e Santa Cruz. Um bom público compareceu ao Castelão, com 30,4 mil presentes. Seria um jogo menos intenso, mas também cardíaco. O primeiro tempo começou travado, com muita marcação. Quando as chances começaram a surgir, Marcelo Boeck seria obrigado a uma boa defesa. Aos 30 minutos, Guilherme Queiroz bateu de fora da área e o goleiro defendeu. Já a torcida do Leão do Pici ficaria com o grito preso na garganta aos 43. Roger Carvalho disputou a bola na área e virou um bonito chute, que tocou na trave antes de entrar. Todavia, a arbitragem anulou o tento, marcando uma falta discutível.

Símbolo de outros momentos gloriosos do Fortaleza, Boeck operou um milagre no início do segundo tempo, em bomba de Alan Dias de fora da área. De qualquer maneira, era o time da casa que tinha a iniciativa e pressionava os pernambucanos. A classificação seria definida aos 33, por dois substitutos. Marcinho passou a Romarinho, que assinou uma linda jogada. Deu uma finta seca no primeiro defensor e o deixou no chão. Quando o segundo já armava o carrinho, o atacante mandou no canto. Pintura que fez o Castelão pulsar mais forte. Após 29 partidas em jejum, Romarinho anotou seu primeiro gol com a camisa tricolor. E, curiosamente, quase marcaria contra instantes depois, salvo pela trave. Por fim, a reação do Santa terminou impossibilitada depois que Charles recebeu o segundo amarelo. A festa era dos anfitriões.

A melhor campanha do Fortaleza na Copa do Nordeste até então acontecera em 2013, eliminado pelo Campinense na semifinal. Já o Botafogo tinha, no máximo, uma quarta colocação, quando caiu no quadrangular semifinal em 1998. Será uma decisão histórica a ambos os clubes. Por aquilo que viveram durante os últimos meses, a classificação é um prêmio ao que tricolores e alvinegros têm construído.