O Gran Parque Central possui uma história que o precede. O estádio do Nacional foi construído na mesma área em que, durante o ano de 1811, José Artigas foi nomeado Jefe de los Orientales, em seu caminho para liderar a independência do Uruguai. As cores do clube são inspiradas justamente na bandeira de Artigas e, em maio de 1900, aconteceu a inauguração do campo que serve de casa aos tricolores até hoje, estádio mais antigo das Américas. Outro episódio marcante no passado do Parque Central, aliás, completou 100 anos em 2018. Há um século, o ex-capitão do time, Abdón Porte, tirou sua vida no próprio gramado. E, de certa maneira, a homenagem maior veio nesta terça-feira, com mais gente nas arquibancadas. O Nacional preparou uma grande festa para reinauguração da tribuna que leva o nome de Porte, com um pavimento superior e capacidade para mais 4,6 mil espectadores. Celebração completa com a classificação emocionante nas oitavas de final da Copa Sul-Americana, graças à vitória por 2 a 0 sobre o San Lorenzo, revertendo o revés na ida.

Antes que a bola rolasse, os fogos já estouravam no Gran Parque Central. A ampliação da Tribuna Abdón Porte elevou a capacidade do estádio para 30 mil presentes, indo de 4,6 mil a 9 mil torcedores no setor. O local, atrás de um dos gols, é o que reserva os ingressos a preços mais populares. Além disso, também ocorreram reformas menores em partes da Tribuna Atilio García – outra que carrega o nome de um antigo ídolo tricolor. Diante da comoção, o estádio pareceu pulsar mais forte para impulsionar a virada dos uruguaios. Depois da derrota por 3 a 1 na visita a Boedo, seria necessário um grande apoio para a remontada.

E assim aconteceu, sob uma atmosfera contagiante. O grande artífice da classificação do Nacional foi o atacante argentino Gonzalo Bergessio, exatamente um ex-jogador do San Lorenzo.  Pressionando desde os primeiros minutos, o time da casa não demorou a sair em vantagem. A sobra de uma cabeçada de Bergessio que esbarrou na trave sobrou a Matías Zunino, inaugurando a contagem aos 11 minutos. Já no início do segundo tempo, após um chutão vindo da defesa, a bela definição de Bergessio rendeu a classificação. O Ciclón reagiu apenas no fim, tentando recobrar o prejuízo, mas a bastante exagerada expulsão de Bautista Merlini, logo depois de sair do banco, freou as intenções dos visitantes. De qualquer maneira, a superioridade dos comandados ‘Cacique’ Medina até então foi clara.

A classificação na Copa Sul-Americana vem em boa hora ao Nacional, rendendo um prêmio que serve para cobrir os atrasos salariais no clube. Apesar do entrave, que levou os jogadores a diminuírem sua carga de treinamentos, o elenco seguiu trabalhando seriamente e agora colhe os frutos. Nas quartas de final do torneio continental, aguardam o vencedor do duelo entre Fluminense e Deportivo Cuenca, depois que os tricolores largaram em boa vantagem no Equador. A noite no Gran Parque Central, ainda assim, representa mais do que o resultado ou a efemeridade do momento. É um pouco mais da história do clube e de seu centenário estádio.