Se algum canal da televisão francesa decidisse fazer uma novela sobre o Paris Saint-Germain, teria um roteiro recheadíssimo. A atual crise dos parisienses conta com guerras de vaidade, discussões públicas e até mesmo uma lamentável agressão do protagonista – longe de se portar como um profissional durante os últimos meses. E os capítulos recentes se enchem de fracassos. Não bastasse a eliminação na Liga dos Campeões e a derrota na final da Copa da França, o PSG acumula resultados deploráveis na Ligue 1. Mesmo com a taça garantida, dá vexame e emenda derrotas. Mais uma aconteceu nesta terça-feira. Em jogo adiado contra o Montpellier, o time da capital esteve duas vezes à frente no placar, mas tomou a virada no Estádio de la Mosson por 3 a 2.

Enquanto Kylian Mbappé cumpre suspensão pela expulsão contra o Rennes, Neymar ainda não foi julgado pelo soco que desferiu em um torcedor nas tribunas do Stade de France. O PSG não precisaria do camisa 10 para abrir o placar. Após cruzamento da esquerda, Ambroise Oyongo mandou toscamente contra as próprias redes, aos 12 minutos. E demoraria pouco para o empate do Montpellier, em outro gol contra, no qual Presnel Kimpembe acertou o próprio arco. A bola chegou de surpresa e, num movimento ridículo, o zagueiro desviou sem querer.

Os times só acertariam a meta devida no segundo tempo. Ángel Di María retomou a vantagem aos parisienses com 16 minutos. Marquinhos brigou pela bola na entrada da área, em mais um lance de pelada, e o argentino deu um lindo giro para tirar o goleiro, antes de mandar às redes vazias. Não que os anfitriões tenham desistido. Aos 33, em um contra-ataque fulminante, Kimpembe ficou perdido no meio do caminho e Andy Delort empatou. Pois o pior estava por vir, e valeu a vitória do Montpellier. Aos 40, Gianluigi Buffon realizou a reposição para Leandro Paredes. O volante cochilou dentro da área e ninguém avisou o ladrão. Ellyes Skhiri roubou a bola e Souleymane Camara bateu de primeira, diante de uma defesa imóvel. Erro varzeano, que sinaliza a falta de concentração do PSG neste momento.

O maior desafio no Parc des Princes será colocar ordem na casa. A temporada acabou quando o Manchester United conquistou aquela vitória na Champions e o PSG precisa juntar os cacos. Lida com um treinador que não demonstra ter tanto pulso, estrelas insatisfeitas e jovens rebeldes. Segundo a imprensa francesa, há um racha no elenco, especialmente entre os medalhões que não se sentem tão prestigiados pelos novatos – sobretudo os que conquistaram a Copa do Mundo, como Alphonse Aréola e Presnel Kimpembe. Enquanto isso, os vexames em campo só degradam o ambiente.

O resultado vale pouco à tabela. O PSG estaciona com 84 pontos, 16 a mais que o Lille, com quatro derrotas nas últimas cinco partidas. Já o Montpellier aparece na quinta colocação. Apesar da proximidade da zona de classificação à Liga Europa, parece difícil tirar os cinco pontos de distância em relação ao Saint-Étienne, restando quatro rodadas para o fim da competição. O que enche as manchetes são mesmo esses momentos grotescos que os parisienses oferecem em meio à crise.