A rodada final da Ligue 1 guardou pouquíssimas emoções. O Paris Saint-Germain já era campeão e se permitiu entrar em uma espiral; as vagas nas copas europeias estavam definidas; o rebaixamento também havia se encaminhado. Faltava apenas apontar quem disputaria os playoffs contra o descenso, e o Dijon irá para os jogos extras, após a queda direta do Caen. O Monaco só corria risco de degola em uma remota combinação de resultados. De qualquer maneira, o fim da campanha escancara o desempenho péssimo dos alvirrubros. Perderam o clássico contra o Nice por 2 a 0 e ficaram uma mísera posição acima do Z-3.

Ao longo da temporada, o Monaco foi uma eterna promessa de melhora. O desempenho do clube não era bom desde o começo, mas esperava-se que o elenco repleto de jovens pudesse levantar sua poeira. Leonardo Jardim saiu, Thierry Henry chegou e a situação até piorou. Já na virada do ano, com a demissão do francês e o surpreendente retorno do português, os monegascos investiram bastante em reforços. Trouxeram uma porção de medalhões para uma guinada. Até conseguiram sair da zona de rebaixamento, é verdade. Mas nada suficiente para melhorar a impressão ao redor do Estádio Louis II. O clima é de ressaca.

No fim das contas, o Monaco perdeu 18 e venceu apenas oito partidas pela Ligue 1. Sofreu 57 gols e anotou 38. O desempenho em casa e fora foi idêntico, com apenas 33% de aproveitamento. Além disso, o time passou 18 rodadas entre os três últimos colocados do campeonato. Não fosse o breve respiro no retorno de Leonardo Jardim, que resultou em uma série de sete jogos de invencibilidade, com quatro vitórias, o drama poderia ter sido muito maior. Passada a empolgação inicial com o treinador, os monegascos venceram somente um de seus últimos nove compromissos. O triunfo sobre o Amiens no final de semana passado valeu ouro, deixando os alvirrubros a três pontos do rebaixamento direto e a dois dos playoffs. Foi o que garantiu a permanência na primeira divisão.

É possível imaginar que o Monaco vá sofrer uma limpa rumo à próxima temporada. As lesões foram um problema constante do elenco, afetando até mesmo os goleiros. Mas, entre o declínio de veteranos e as apostas que não estouraram, o momento indica uma reformulação no principado. Essencial no ciclo recente de conquistas do clube, Radamel Falcao García caiu de rendimento, mesmo anotando gols vitais à salvação, e deve puxar a barca que deixará o Louis II. Outros medalhões que chegaram no meio do caminho, como Naldo e Cesc Fàbregas, não conseguiram se sobressair tanto quanto poderiam na Ligue 1. Resta saber qual será o direcionamento do futebol.

Braço direito do presidente Dimitri Rybolovlev, Vadim Vasilyev foi demitido em fevereiro e deixa o cenário aberto quanto à mentalidade do Monaco. As incumbências no mercado devem recair mais sobre Leonardo Jardim, com a confiança reafirmada no contrato de duas temporadas e meia, assinado em seu retorno. Em um elenco inchado, as possibilidade de uma transformação são razoáveis, considerando que os vínculo de seis jogadores terminam em junho e outros sete só possuem contrato até o final da próxima temporada. Só não está clara a política, entre as mudanças de postura diante dos riscos recentes.

Ao longo das cinco temporadas anteriores, desde que voltou da segunda divisão, o Monaco permaneceu entre os três primeiros colocados da Ligue 1. Houve um investimento massivo de Rybolovlev, embora o fim de seu casamento tenha diminuído os gastos, após a divisão de bens com a antiga esposa. O acontecimento obrigou a direção a tomar medidas inteligentes na condução do mercado, privilegiando os jovens. De certa forma, a taxa de acerto nas apostas excedeu as expectativas e provocou tal regularidade nas campanhas – enquanto a conquista da Ligue 1 em 2016/17, com tamanha dominância, foi um ponto fora da curva. A preocupação agora é não deixar a entressafra abater. Será um longo trabalho para retomar a toada e redescobrir o potencial deste elenco.