Que a Concacaf vira e mexe está envolvida em escândalos envolvendo corrupção e futebol, não é novidade para ninguém. Todas as entidades têm algum envolvimento com corrupção, mas os caso da Concacaf passaram a emergir com mais força após a saída de Jack Warner da presidência. E o mais recente episódio é uma quantia de US$ 400 mil doados pela Federação Australiana de Futebol (FFA) para investimento em um estádio. O dinheiro desapareceu e Warner e o ex-secretário geral, Chuck Blazer, são acusados de favorecimento ilícito.

A descoberta foi feita por um comitê formado pela própria Concacaf para investigar as gestões anteriores e acusam Warner e Blazer de má gestão financeira. Segundo o comitê, os dois dirigentes fizeram má gestão do dinheiro doado pela FFA, destinado a reformar um estádio em Porto f Spain, em Trinidad e Tobago. O dinheiro, total de US$ 462.200, foi obtido por Warner em uma fraude em 2010.

Esse investimento australiano era parte do processo obrigatório para ser candidata a sede da Copa do Mundo de 20122. A intenção era mostrar que o país tinha credenciais de desenvolvimento internacional do futebol. “Esse foi um de uma série de projetos internacionais de desenvolvimento de futebol que a FFA assumiu, que foram totalmente relatados ao governo australiano como parte do processo de candidatura”, diz um comunicado da FFA. A Austrália cobra explicações da Concacaf pelo incidente. “A FFA espera ansiosa para ouvir formalmente da Concacaf suas descobertas e assumir a questão a partir daí”, diz a nota da federação australiana.

O estádio em Trinidad era parte do Centro de Excelência João Havelange, no qual a Concacaf investiu US$ 25,9 milhões com empréstimos da Fifa. Segundo o relatório encontrado pelo comitê, a obra foi feita em um terreno privado cujo dono é justamente Jack Warner, não a federação.

David Simmons, ex-chefe de justiça de Barbados, afirmou que o Centro de Excelência não é mais propriedade da Concacaf, mas que a entidade estava estudando opções legais para reverter isso. Warner deixou o cargo de presidente da Concacaf há dois anos, assim como o cargo de vice-presidente da Fifa, mas é Ministro da Segurança Nacional em Trinidad. O ex-dirigente negou as acusações dizendo que são “infundadas” em um comunicado.

É mais um caso de corrupção no futebol de dirigentes que parecem ter se aproveitado de seu poder e influência para encher os bolsos. A Fifa acusou Jack Warner de diversas irregularidades, mas engavetou as acusações assim que o dirigente deixou seus cargos na Concacaf e na própria Fifa. Como se tivesse ameaçado apenas revelar como uma forma de tirá-los do poder, sem a intenção de trazer as informação a público, de fato.