Com a contratação fenomenal de Erling Braut Haaland, o torcedor do Borussia Dortmund já tinha motivos para elogiar a atuação de sua diretoria no mercado de transferências – mesmo aceitando as exigências de Mino Raiola no negócio. Ainda assim, os aurinegros possuíam outras questões a resolver e algum reforço para o sistema defensivo seria muito bem recebido no Signal Iduna Park. No fechamento da janela, enfim, veio o anúncio: o BVB acertou o retorno de Emre Can à Bundesliga. O empréstimo até junho custou €1 milhão, com metas que, se cumpridas, podem tornar a compra obrigatória por €25 milhões.

Visto um dia como o “sucessor de Bastian Schweinsteiger” no Bayern de Munique, Can nunca pôde apresentar seu potencial na equipe principal dos bávaros, mesmo que fizesse sucesso nas seleções de base. Sua ascensão aconteceu apenas no Bayer Leverkusen, onde mostrou seu melhor na primeira (e única) temporada. Atuando em quatro posições diferentes, Can se colocou entre as principais revelações da Bundesliga 2013/14 e arrumou as malas para o Liverpool. A partir de então, se tornou uma peça muito útil em Anfield. Após quatro anos na Inglaterra, o jovem preferiu não renovar com os Reds para barganhar seu próximo contrato e até se esperava que a Juventus pudesse ampliar sua importância. Isso começou a ocorrer com Massimiliano Allegri, mas o desdém de Maurizio Sarri o levou a procurar novos rumos.

A solução ao Borussia Dortmund, por enquanto, é temporária. No entanto, o jogador pode recobrar seu prestígio às vésperas da Eurocopa e também potencializa a equipe aurinegra na metade final da temporada. Seja como volante ou como zagueiro, Can capacita a formação titular Lucien Favre. Pode muito bem atuar na faixa central do 3-4-3 usado pelo treinador, ao lado de Axel Witsel ou Julien Brandt, ao mesmo tempo em que se torna uma alternativa mais confiável que Lukasz Piszczek para a trinca de zaga – onde aparecem Mats Hummels e Manuel Akanji. O mais provável é que se fixe na defesa, embora costume render melhor no meio.

Emre Can se vale de seu dinamismo e da qualidade técnica em diferentes fundamentos. Dentro das ideias de Lucien Favre, pode permitir inclusive algumas variações no esquema tático. Por aquilo que se viu nas últimas partidas do clube, a entrada de um novo jogador não resolve as fragilidades de um sistema defensivo tantas vezes exposto e lento. Mas, sem dúvidas, o novo contratado pode contribuir ao encaixe. É uma necessidade para que os aurinegros não dependam tanto de seu ataque.

A quem esteve no Liverpool e na Juventus, talvez o Borussia Dortmund pareça uma “prateleira mais baixa”. Todavia, o clube alemão pode ajudar a valorizar Can, após o jogador ser ignorado nesses meses mais recentes em Turim. Não é o “herdeiro de Schweinsteiger”, mas tem bola para se firmar de maneira bem mais constante na seleção e também ocupar um posto de protagonista no Signal Iduna Park. Com 26 anos recém-completados, atinge a maturidade de sua carreira.

O acerto com Can demorou um pouco mais a se confirmar por causa dos salários. Neste sentido, a venda de Paco Alcácer para o Villarreal ajudou o Borussia Dortmund a diminuir os custos com sua folha e absorveu o novo coringa. Por outro lado, o alemão não deixou de manifestar seu desejo de retornar à Bundesliga e até aceitou reduzir seus ganhos – em salário inflado na Juve pelo fato de chegar sem contrato. A compra em definitivo, fixada em €25 milhões, também não parece um valor tão alto, diante do potencial do negócio. Mesmo com movimentações pontuais, esta janela de inverno tem condições de ficar marcada aos aurinegros.