Qual é o melhor jogador italiano em atividade? Difícil imaginar quando os principais jogadores dos times italianos não são do país. O principal jogador da Internazionale é Wesley Sneijder, holandês. O do Milan é Zlatan Ibrahimovic, sueco. Quem é o da Juventus? Ainda não há – alguns dirão Gianluigi Buffon, mas o goleiro pouco atuou na última temporada. No Napoli, Edinson Cavani é o nome. Uruguaio. Na Lazio, o nome da temporada passada foi Hernanes e nesta o brasileiro divide o posto com o alemão Miroslav Klose.

Faltou a Udinese. Quem é o principal nome do time que chegou em quarto na Serie A da temporada passada? Antonio Totò Di Natale, capitão e artilheiro. Artilheiro, aliás, da própria Serie A por duas temporadas consecutivas, 2009/10 e 2010/11. Se contarmos ainda o meio destas duas temporadas, na Copa do Mundo, Di Natale foi dos poucos nomes que se salvou no desastre da Azzurra na África do Sul.

O último italiano a vencer o prêmio de melhor do mundo pela Fifa foi o zagueiro Fabio Cannavaro, capitão do quarto título mundial da Itália na Alemanha, em 2006. Di Natale não tem chances de vencer, mas o jogador de 34 anos merece o reconhecimento pelos trabalhos prestados à Udinese, à seleção italiana e ao futebol italiano. É uma bandeira da Udinese e leva o time de Udine a estar na liderança do Campeonato Italiano na 8ª rodada.

Um jogador de 1,70 metro, com habilidade, visão de jogo e muita técnica. Tem o passe preciso e um chute que é perigoso dentro ou fora da área. Consegue ser um atacante de lado de campo ou centralizado. Não é bom no jogo aéreo e talvez só não tenha ido mais longe por ter ficado na Udinese. Foi especulado para deixar o clube até a temporada passada, quando a Juventus parecia interessada, mas pareceu contente em permanecer no clube. E tornou-se ainda mais querido por isso.

O atacante é napolitano de nascimento, mas surgiu nas categorias de base do Empoli, se profissionalizando em 1996. Teve passagens por Iperzola, Varese e Viareggio por empréstimo antes de voltar definitivamente ao Empoli e se destacar na temporada 2002/03, marcando 13 gols.

Em 2004/05, Di Natale chega à Udinese para formar um ataque com Vincenzo Iaquinta e David Di Michele, novamente ganhando destaque. Tanto que os Friulani ficaram em quarto lugar na Serie A e chegaram à Liga dos Campeões pela primeira vez, sob o comando de Luciano Spalletti.  Em 33 jogos, marcou sete gols.

Em 2005/06, foi o único jogador italiano a marcar gols em todas as competições disputadas – Serie A, Copa da Itália, Copa da Uefa e Liga dos Campeões. Não parou mais de fazer gols e assistência e ser destaque do time bianconero. Acabou não tendo o mesmo espaço na seleção italiana, onde só chegou aos 25 anos, em 2002, com Giovanni Trapattoni. Roberto Donadoni lhe daria a melhor das chances, sendo titular da equipe, mas acabou não tendo sequência porque o time não foi bem e Donadoni acabou caindo.

Na Udinese, seu desempenho só melhorou. Desde a temporada 2006/07, quando fez 11 gols, sempre marca mais de dez gols por temporada. Em 2009/10, chegou à incrível marca de 29 gols marcados, tornando-se artilheiro pela primeira vez da Serie A, o chamado Capocannoniere. Só que não foi suficiente para fazer o time ir bem e a Udinese acabou apenas no 15º lugar. Na temporada seguinte, repetiu o feito, desta vez com um gol a menos, 28. Só que a diferença foi que os gols do atacante foram fundamentais para chegar ao quarto lugar na Serie A, conquistando uma vaga na Liga dos Campeões.

Na atual temporada, Di Natale marcou nada menos do que seis dos dez gols do time. É um jogador fundamental à Udinese, enfraquecida pelas perdas de alguns dos seus jogadores titulares. Só que as expectativas da torcida foram contidas pelo treinador.

Francesco Guidolin não se deixa enganar pelo bom desempenho do time e já avisou que o objetivo dos Friulani é conquistar 40 pontos e escapar do rebaixamento, garantindo o seu status de Serie A.

Pode parecer um discurso modesto para alguém que lidera o campeonato após oito rodadas (e sete jogos, já que a primeira não foi disputada), mas é apenas prudência. Guidolin sabe que tem um time menos talentoso que na última temporada. Conseguindo o primeiro objetivo de salvar-se do rebaixamento, o time pode começar a pensar mais alto. Até porque cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém, né?

Tabellino

– “A Roma ainda não é um time de scudetto”, disse Luis Enrique, em entrevista ao Corriere dello Sport. Ainda não tem mesmo, mas o time está evoluindo e certamente tem elenco para conquistar um lugar entre os primeiros.

– A Juventus de Antonio Conte é um bom time, mas é menos do que poderia ser até aqui. Empatou pela segunda vez em casa contra um time que deveria vencer.  Ainda é uma das favoritas a terminar na parte de cima, mas precisa melhorar o rendimento.

– A Inter continua jogando mal, mas ao menos venceu. E neste momento, vencer é mais importante para os nerazzurri do que convencer.

– O Milan conseguiu uma virada histórica para cima do Lecce por 4 a 3, depois de sair perdendo por 3 a 0, e deve isso a Kevin-Prince Boateng. O ganense deve acabar ficando com a vaga no meio-campo e empurrando um dos atacantes para o banco – e deve ser Robinho.

– Na Serie B, o Torino perdeu, mas manteve três pontos de vantagem na ponta da tabela. O Padova venceu o Vicenza por 2 a 1 e diminuiu a diferença. O Pescara goleou o Ascoli por 4 a 1 e sem gols do artilheiro Ciro Immobile, mas com três de Marco Sansovini.