Na coluna passada, o gerente de marketing da Eletronic Arts (EA) Brasil, Jonathan Harris, comentou, em uma de suas afirmativas, que o principal objetivo do segmento esportivo da empresa, a EA Sports, era aproximar, o máximo possível, o virtual da realidade. Convenhamos, até 1994, não se podia dizer muito que o FIFA Soccer era um simulador tão perfeito. Não apenas pela qualidade gráfica, que, a bem da verdade, devia bastante ao rival mais direto, International SuperStar Soccer (ISS), mas pela mecânica de jogo mais complicada que a veloz proporcionada pelo game da Konami. Enfim, um cenário não muito aprazível às pretensões do então jovem FIFA.

Aparentemente, a própria EA deve ter percebido isso, e promoveu mudanças extremamente radicais para o game a ser lançado em 1995, já referente à temporada 96 do futebol internacional. Mudanças essas que, até hoje, são bem lembradas no meio gamer, e que colocaram o jogo que aqui será comentado, FIFA 96, entre os 50 melhores de todos os tempos pela Eletronic Gaming Monthly (EGM), revista especializada em games estadunidense, sendo o primeiro dentre os específicos para futebol — Winning Eleven ficou no 49º lugar, ocupando o segundo posto na lista que aqui nos interessa.

Anteriormente, a franquia FIFA tinha apenas dois jogos lançados até então — FIFA International Soccer e FIFA 95. As diferenças entre um e outro eram bastante pequenas, e não são nem a sombra do dedo mindinho do que a série é hoje. Para se ter uma ideia, não havia ainda os nomes oficiais dos atletas, mesmo com a entidade máxima do futebol dando seu nome ao título. Os gamers mais antigos guardam boas lembranças dessa época, apesar de tudo, e insistem que Janco Tianno, atacante da seleção brasileira na série FIFA até a versão 95, era melhor que Allejo, craque canarinho em ISS. Tema esse que chegou a ser, inclusive, tema de matéria de Trivela em 2007.

Em julho de 1995, a EA Sports lançou, enfim, uma versão totalmente remodelada de FIFA no mercado. Remodelada em todos os sentidos. Apresentava, primeiramente, uma definição visual completamente diferente. É bem verdade que havia motivação para isso, já que, na mesma ocasião, chegava às lojas o Playstation, que chegava para, então, concorrer, principalmente, com o Sega Saturn e com os rivais tecnicamente inferiores, porém mais tradicionais, Mega Drive e Super Nintendo. Dentre as grandes inovações, estavam os gráficos em terceira dimensão nos lançamentos para Playstation, Saturn, PC e o extinto 3DO. Não era o primeiro a adotar tal estratégia (pouco antes, Actua Soccer surgira também em 3D), mas o fez muito melhor que o game da Gremlin.

Apenas fazendo uma rápida comparação com Actua Soccer, é fato que, neste último, os desenhos eram maiores e os jogadores virtuais, mais visíveis. No entanto, as câmeras disponibilizadas eram bem toscas, sendo ou excessivamente estáticas (como a aérea) ou por demais movimentadas. Em FIFA, por sua vez, além de as câmeras estarem muito melhor posicionadas e permitirem, mesmo as mais próximas (como a Ball Cam, que mudava de lado sempre que se ultrapassava o meio-de-campo — e que, às vezes, atrapalhava bastante), uma visão mais ampla do campo, os atletas, embora menores, eram mais bem desenhados e próximos de uma realidade que o novo rival direto.

Mas o grande diferencial estava no estádio. O ambiente estava completamente diferente das demais edições. Durante alguma falta mais dura, algum cartão, gol marcado e nos intervalos, a câmera saia do campo e ia para o telão do estádio, que mostrava o placar e vídeos com lances históricos, alguns da Copa de 1994, ou caricaturas animadas, como a de um jornalista pulando de alegria após ver seu time marcar um gol. Além disso, havia agora cenas da entrada dos jogadores no gramado, posicionando-se em seus postos. Pode parecer algo besta, mas foi algo bastante incentivado pela EA Sports. Tanto que o estádio ganhou até o nome de Virtual Stadium, sendo um dos carros-chefe da versão.

Licenciamentos

É evidente que nas versões menos abastadas, como as de Mega Drive, Super Nintendo, Game Boy e Game Gear, tais visualizações eram impossíveis, e mantiveram, como de fato ocorreria até a versão 1998 de FIFA, a mesma câmera diagonal e o mesmo formato de jogadores. Para estes, todavia, a grande sacada — aí sim, indo com tudo para cima de International SuperStar Soccer (ISS) — era a base de dados, que, claro, ficava ainda mais reluzente nas versões mais “poderosas” de PS1, Saturn e PC, principalmente. Foram licenciadas onze ligas internacionais, dentre elas a brasileira, todas com nomes originais dos jogadores, ampliando o leque anterior, de oito selecionáveis, para copas e ligas. Foi, curiosamente, a estreia da liga, talvez, até hoje, mais inusitada da história do game: a da Malásia.

Mas nem tudo era perfeito, vale apontar, e era justamente a brasileira a que mais sofreu com problemas. Muito disso, vale salientar, se deve ao que Jonathan Harris comentou na entrevista passada, da falta de uma organização ao estilo da Premier League ou da Série A aqui no Brasil. E como na época, a EA ainda não estava aqui instalada, dá até para entender esse caos. No entanto, algumas coisas chegavam a ser bastante marcantes, como a coloração errada de alguns uniformes (Grêmio verde, Corinthians com segundo uniforme lilás — sim, ainda não havia a hoje famosa blusa roxa), ou os nomes dos jogadores sendo substituídos por seus sobrenomes, no caso dos mais desconhecidos — ou seja, considerável parte dos atletas das equipes brasileiras.

Mecânica

FIFA nunca foi exemplo de jogabilidade brilhante, e isso, como o próprio Harris disse, é algo reconhecido pela própria Eletronic Arts. Em relação aos rivais, o jogo aqui em questão tinha lá suas qualidades, embora não estivesse muito na frente de, por exemplo, de Actua Soccer. O game da Gremlin era de mais fácil comando dos cyberatletas, mas pecava pela demora na reação do jogador controlado pelo joystick. FIFA, por sua vez, em suas versões para PC/PS1/Saturn, promovia reações mais rápidas, mas era visivelmente mais “duro” que o rival. No entanto, isso não era um padrão, visto que nos consoles mais antigos, mantinha a complicada jogabilidade, bastante inferior a ISS.

Algo que foi mantido, com relação à partida em si, foram as técnicas para se marcar gol. Chutes de fora da área, quando bem aplicados, mesmo próximos ao meio de campo, eram fatais, deixando os goleiros sem reação, enquanto, curiosamente, bolas cara a cara com o arqueiro eram surpreendentemente defendidas, na maioria das vezes. Outro macete era o de posicionar o atacante na frente do goleirão, de forma que ele chutasse, a bola esbarrasse no seu jogador e entrasse no gol. O engraçado é que a estratégia dava bem certo tanto nos videogames mais “novos” como nos “antigos”.

Ranking

Com certeza, muita gente deve ter se perguntado porque os FIFAs novos, ou os Pro Evolution Soccer (PES) mais recentes não constaram na lista elaborada pela EGM, e sim um jogo de 1995. É importante lembrar que há jogos que, mesmo datando de anos atrás, tiveram uma representação maior para a franquia em si, ou para a modalidade (no caso, o futebol) do que outros. Quais as diferenças mais abissais entre as últimas versões de FIFA e PES, a bem da verdade? Há detalhes, de fato, que deixam uma melhor que a outra. No entanto, FIFA 96, pelas questões visuais e de base de dados, foi um marco não somente para a série, mas passou a ser o exemplo a ser seguido em jogos posteriormente lançados.

Vendagens

Semana 1: 19 de junho (o Gamasutra não postou nas demais semanas, até a de 10 de julho)

PlayStation 2 – Reino Unido
1. SingStar: ABBA (SCEE), 2. FIFA 09 (EA Sports), 3. Guitar Hero: Metallica (Activision), 4. SingStar: Queen (SCEE), 5. Disney Princess: Enchanted Journey (Disney).

PC – Reino Unido
1. The Sims 3 (EA Games), 2. ArmA 2 (505 Games), 3. World of Warcraft: Wrath of the Lich King (Blizzard), 4. Football Manager 2009 (Sega), 5. Mass Effect (EA Games).

PlayStation Portable – Reino Unido
1. FIFA 09 (EA Sports), 2. Grand Theft Auto: Vice City Stories (Rockstar), 3. Tiger Woods PGA Tour 09 (EA Sports), 4. Rock Band Unplugged (EA Games), 5. Resistance: Retribution (SCEA).

Semana 2: 10 de julho

Xbox 360 – Reino Unido
1. Call of Duty 4: Modern Warfare (Activision), 2. Prototype (Activision), 3. Fable II (Microsoft), 4. FIFA 09 (EA Sports), 5. Call of Duty: World at War (Activision).

PlayStation 2 – Reino Unido
1. SingStar: ABBA (SCEE), 2. FIFA 09 (EA Sports), 3. Transformers: Revenge of the Fallen (Activision), 4. Harry Potter and the Half-Blood Prince (EA Games), 5. SingStar: Queen (SCEE).

PC – Reino Unido
1. The Sims 3 (EA Games), 2. ArmA 2 (505 Games), 3. World of Warcraft: Wrath of the Lich King (Blizzard), 4. Football Manager 2009 (Sega), 5. Call of Juarez: Bound in Blood (Ubisoft).

PlayStation Portable – Reino Unido
1. FIFA 09 (EA Sports), 2. Transformers: Revenge of the Fallen (Activision), 3. Monster Hunter Freedom Unite (Capcom), 4. Grand Theft Auto: Vice City Stories — Platinum Edition (Rockstar), 5. Crisis Core: Final Fantasy VII — Platinum Edition (Square Enix)