Julio César Falcioni tem dado um exemplo de dedicação. O rodado técnico descobriu câncer de laringe no final de 2017. Passou por uma cirurgia em janeiro para retirar os nódulos, em operação prevista inicialmente para durar duas horas, mas que precisou ser feita em dez. Não foi isso, porém, que o afastou do trabalho. Já nos últimos dias, uma gripe afetou sua garganta e limitou sua voz, mas não o tirou de perto do Banfield. O veterano, aliás, encontrou um artifício especial para continuar à beira do campo e orientar seus jogadores: um megafone. Para não forçar as cordas vocais, poupa os gritos e amplifica seus comandos através do instrumento.

Falcioni usou o megafone nos treinos do Banfield e o levou também à última rodada do Campeonato Argentino, contra o Gimnasia. A organização do Campeonato Argentino se mostrou compreensiva com a situação do técnico e permitiu que ele utilizasse o aparelho durante os 90 minutos, sem cogitar uma punição que o impossibilitasse de trabalhar. Postura que não se reproduz na Conmebol, como bem se viu nesta terça, durante jogo da Copa Sul-Americana.

No jogo de ida das oitavas de final,  o Banfield empatou sem gols contra o Defensa y Justicia. Falcioni pegou o megafone para instruir os seus jogadores mais uma vez. O que não foi permitido pelo quarto árbitro. Marlon Escalante se dirigiu ao treinador e pediu que guardasse o instrumento logo no início da partida. Disse que não estava permitido, porque poderia “alterar o andamento normal do jogo”, segundo reporta o Olé. Assim, o assistente de Falcioni se tornou um porta-voz do chefe. Foi ele quem passou a dirigir o Banfield à beira do campo e também concedeu a coletiva de imprensa após o apito final.

Ainda não está claro se Falcioni poderá usar novamente o megafone no próximo compromisso pela Copa Sul-Americana. A Conmebol se atém à determinação da Fifa, que proíbe o uso de megafones, pontos eletrônicos e outros artifícios. Ainda assim, há uma clara excepcionalidade no caso, e a entidade continental não demonstra o mínimo de tato. Mais do que uma questão esportiva, é algo humano. Mas nada surpreendente, dentro do histórico da entidade.