A necessidade empurrava a um jogo mais intenso no Maracanã. Depois de 90 minutos sofríveis em Itaquera, com o inescapável empate por 0 a 0, Fluminense e Corinthians se reencontraram no duelo decisivo pelas quartas de final da Copa Sul-Americana com uma missão a cumprir. Mesmo em crise, o Tricolor entrava em campo respaldado pela torcida que lotou o estádio e tentou reerguer o time na estreia de Oswaldo de Oliveira. Foi um Flu mais agressivo, mas ainda assim insuficiente. Sucumbiu contra um adversário resoluto, apesar de acovardado no final. Os riscos corridos, ao menos, não custaram caro aos corintianos. A objetividade valeu o empate por 1 a 1, já suficiente para a classificação, e leva os alvinegros rumo à semifinal continental.

Se o Fluminense realizou em Itaquera uma boa partida do ponto de vista defensivo, evolução em relação ao que ocorria com Fernando Diniz, desta vez Oswaldo de Oliveira soltou mais a equipe. O Tricolor precisava de gols e atuou com mais posse para rondar a defesa adversária. Enquanto não se expunham tanto na marcação, os cariocas tinham mais atitude quando recuperavam o controle da bola. Mas repetiam o velho problema na criação das jogadas.

A primeira chance do Flu aconteceu aos dez minutos. Nenê soltou uma paulada de longe e Cássio desviou com a ponta dos dedos. O difícil era penetrar dentro da área, com a dupla formada por Gil e Manoel garantindo a segurança. Do outro lado, o Corinthians conseguia levar mais perigo quando escapava em velocidade. E logo Muriel foi exigido. Vágner Love poderia ter aberto o placar após lançamento magistral de Pedrinho. De frente para o gol, o veterano chutou de primeira e o goleiro espalmou, em bola que triscou no travessão.

Era uma partida bem mais interessante que a vista em Itaquera, por mais que isso não resultasse em tantas finalizações. O Fluminense tinha mais volume e contava com a cadência de Paulo Henrique Ganso, voltando mais para organizar o jogo. O Corinthians se defendia com firmeza e, crescendo antes do intervalo, permanecia à espreita das brechas. Aos 41, isso quase aconteceu a partir de uma saída de jogo errada com Muriel. Mateus Vital passou pela marcação e ficou de frente para o crime, mas o arqueiro se redimiu com uma excelente defesa. Que o Flu se mostrasse disposto, os alvinegros primavam pela concentração.

Jogando bem durante o início do segundo tempo, o Corinthians encontrou o seu gol aos nove minutos. Pedrinho marcou. A partir de uma roubada de bola, os alvinegros armaram o contra-ataque. Clayson arrancou pela esquerda e tentou fintar a marcação, mas o chute saiu travado. Pedrinho aproveitou a sobra e escorou no contrapé de Muriel. Era uma vantagem ainda mais confortável aos alvinegros, que poderiam se dar ao luxo do empate que estariam classificados pelos gols fora.

A resposta de Oswaldo de Oliveira viria logo, com as entradas de Wellington Nem e João Pedro. Enquanto isso, Carille preferia povoar o seu meio-campo com volantes, sacando Clayson para a incursão de Matheus Jesus. O Corinthians ainda tinha o contra-ataque como alternativa. Porém, o Fluminense avançava e ameaçava mais. Cássio voltou a trabalhar em mais um chute colocado de Nenê, cobrando falta, que o goleiro espalmou para fora. O momento parecia virar aos tricolores e a própria torcida empurrava a equipe.

A chance de ouro para o Corinthians matar o jogo aconteceu aos 30. Vágner Love recebeu de Pedrinho e o atacante outra vez parou em Muriel. No rebote, o goleiro também pegou a tentativa de Gabriel. Seria praticamente o último suspiro, com Pablo Dyego aumentando o ímpeto do Flu e Ramiro aumentando o número de cabeças de área alvinegros. O próprio Pablo Dyego recobrou as esperanças dos cariocas. O empate saiu aos 37, em cobrança de falta de Nenê que o substituto completou de cabeça. O lance ainda demandou uma desnecessária conversa de cinco minutos da arbitragem até que se confirmasse o tento.

A partir de então, o Corinthians conviveu com a agonia. Um gol colocaria tudo a perder. O Fluminense insistia e acreditava na virada, mas não apresentava repertório e muito menos organização. Não conseguiu ir muito além das bolas cruzadas na área. Enquanto isso, os paulistas tinham os contragolpes a seu favor. Tentavam gastar o tempo e buscar um espaço para definir o duelo de vez. Nos nove minutos de acréscimos, justificáveis pela intervenção do VAR, Muriel até se aventurou à área oposta para arriscar o gol. Cássio não foi ameaçado. E os corintianos até balançaram as redes outra vez, em gol de Matheus Jesus corretamente anulado por impedimento. O apito final logo viria para confirmar a classificação.

O saldo do Fluminense, apesar da eliminação, pode ser visto como positivo. O time deu alguns sinais de melhora em relação à crise recente. Agora, sob nova direção, tentará concentrar suas forças na fuga contra o rebaixamento. Já o Corinthians, mesmo com claras deficiências, foi superior. Pecou pelas chances desperdiçadas (embora Muriel tenha seus méritos) e também pela forma como se retraiu ao final do jogo no Maracanã. O resultadismo pelo menos deu certo e, com o regulamento debaixo do braço, a equipe de Fábio Carille volta a uma semifinal continental. O Independiente del Valle é um adversário de pouco nome, mas com bom histórico recente e uma classificação sobre o Independiente. O favoritismo, ainda assim, recai sobre os corintianos, mirando a final.