A rivalidade entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi existe – dentro de campo. Até pareceram surgir certos atritos durante um período da relação. Porém, tal animosidade terminou inflada mesmo pela imprensa e pelas seitas de fãs. Ao longo do tempo, os dois craques passaram a demonstrar publicamente respeito e até certo carinho. O encantamento de Cristiano Junior diante de Messi talvez tenha sido o marco definitivo desta quebra. Mas nada comparado à aparição desta quinta-feira, no sorteio da Champions. Nem sempre as duas lendas estão juntas nas premiações, mas desta vez ficaram lado a lado. Pareciam velhos amigos. As próprias declarações exaltavam esta disputa sadia. O esporte para sempre agradecerá.

Cristiano e Messi têm total consciência que o altíssimo nível atingido por ambos foi impulsionado também pela competição individual. É um processo que aconteceu com Federer x Nadal, Bird x Magic Johnson e outras tantas quedas de braço famosas que o esporte vivenciou ao longo da história. A luta por vitórias era diária, assim como a luta por gols, a luta por artilharias e a luta por títulos. Chegavam ao ápice e, consequentemente, terminavam brigando palmo a palmo pelos grandes troféus individuais. O que fazem há mais de uma década não tem precedentes. E que Virgil van Dijk tenha levado merecidamente o prêmio de melhor da Europa nesta quinta, os aplausos também foram compartilhados às lendas.

Até que a entrevista começasse, vários cortes na transmissão mostravam a dupla com um perceptível bom humor. Antes do prêmio principal, perguntados se sentiam falta da competição costumeira na Espanha, os dois abriram um sorriso. Messi respondeu primeiro, mais econômico em suas palavras: “Era uma rivalidade linda, sobretudo, porque ele estava no Real Madrid também. Agora joga em uma grande equipe e na Espanha acompanhamos Cristiano”.

Cristiano se mostrou ainda mais gentil: “Eu estava curioso, porque nós dividimos este palco durante 15 anos. Eu não sei se isso já tinha acontecido no futebol, dos mesmos dois caras estarem no topo durante todo esse tempo. Não é fácil, como você sabe. É óbvio que a gente tem uma boa relação, ainda não jantamos juntos, mas no futuro…”. Interrompido pelas gargalhadas gerais neste instante, continuou: “Sinto falta da Espanha. Tivemos essa disputa durante os últimos 15 anos, que foi boa, ele me impulsionou e eu o impulsionei igualmente. Então é bacana fazer parte da história do futebol. Estou lá e ele também”.

No fim, perguntado sobre a aposentadoria, Cristiano garantiu que a disputa continuará por mais algum tempo. Mesmo sendo dois anos mais velho que Messi, o português brincou que “acha que está bem para a idade” e que “aqueles que não gostam de mim terão que me ver aqui”. Uma dose de simpatia imensa como nunca tão explícita pela dupla. Faz bem ao futebol.