O Liverpool chegou a uma marca impressionante neste sábado, ao vencer o Tottenham por 1 a 0 no Tottenham Stadium. São 21 jogos na Premier League, 20 vitórias e um empate. Esta é a melhor campanha em todos os tempos do Campeonato Inglês depois de 21 jogos. Ninguém jamais conseguiu um aproveitamento de pontos neste nível. Aliás, em nenhuma das cinco grandes ligas (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França) isso aconteceu. E a 20ª vitória, neste sábado, veio com muito sofrimento, em um dia que o time de Jürgen Klopp nem conseguiu jogar no seu melhor.

O Tottenham fez uma boa partida, por mais que seja duro perder o jogo. O placar de 1 a 0 veio porque o Liverpool é um time impressionante, que consegue vencer jogos de todos os jeitos possíveis. Para tentar evitar um pouco dos problemas que o ataque do Liverpool causa, José Mourinho escalou os Spurs com três zagueiros centrais, mas era uma formação bastante híbrida. Serge Aurier se alternava entre um jogador de meio-campo e um defensor, mudando de quatro para cinco defensores na formação do time.

Sem Harry Kane, machucado até abril, o Tottenham contou apenas com Son Heung-min e Lucas Moura mais à frente, além e Dele Alli – muito apagado – Harry Winks e Christian Eriksen pelo meio. O dinamarquês é especulado para deixar Londres, com seu contrato se encerrando no fim da temporada Há interesse da Inter em leva-lo para a Itália e pode ser que o jogador mude para a Serie A ainda nesta janela de janeiro, embora o Tottenham pareça bastante relutante a respeito disso.

No Liverpool, os problemas eram no meio-campo. Ainda sem Fabinho, machucado desde dezembro, James Milner também estava indisponível. A formação do meio-campo, então, tinha Jordan Henderson, Alex Oxlade-Chamberlain e Georginio Wijnaldum. Como Klopp sempre gosta, um setor que se impõe muito fisicamente, de modo a tornar as coisas sempre complicadas para o adversário. No ataque, a formação habitual, com Mohamed Salah, Roberto Firmino e Sadio Mané.

O Liverpool quase marcou em um lance lindo de Roberto Firmino. Ele fingiu o chute, puxou para dentro e chutou, mas depois de um bate rebate danado, a bola ainda sobrou para outra finalização, que acabou na trave. Houve mais uma chance de gol para os visitantes. Em cruzamento, o zagueiro Virgil van Dijk cabeceou bem, mas o goleiro Gazzaniga impediu o gol com uma grande defesa.

A estratégia do Tottenham dava certo. O Liverpool tinha dificuldades com o time da casa tão fechada. Sem espaço, os Reds passaram a usar mais a bola aérea e tentar viradas de jogo rápidas para balançar os Spurs e tentar arranjar um pouco de espaço.

O gol saiu em um lance de habilidade. Depois de uma cobrança de lateral, a bola foi para a entrada da área, Henderson disputou com Dele Alli, ganhou a bola, que foi para Salah. O egípcio dominou, colou a bola no pé e ajeitou para Firmino. O brasileiro deu uma linda finta de corpo, tirou do jovem Japhet Tanganga, estreando na Premier League, e finalizou com força: 1 a 0, aos 37 minutos.

No segundo tempo, porém, o Tottenham conseguiu melhorar. Especialmente depois que Mourinho fez duas alterações: tirou Danny Rose e colocou Erik Lamela – deixando o time com uma linha de três defensores atrás, soltando Aurier pela direita -, e tirou Christian Eriksen, mal no jogo, para colocar Giovani Lo Celso, que melhorou muito o time. Participou bem, organizou, fez bons passes e tornou o time mais perigoso.

O segundo tempo do Liverpool não era bom e o Tottenham ia ganhando território. Começou a ter mais volume de jogo, encontrar os espaços na defesa dos Reds e, aos 36 minutos, teve uma chance claríssima. O lateral Serge Aurier cruzou de forma precisa na direita e encontrou Giovani Lo Celso dentro da área. Ele deu um carrinho para encontrar a bola, tocou nela, mas mandou para fora. Uma chance tão clara que o técnico José Mourinho não acreditou à beira do gramado. Se ajoelhou lamentando.

Sadio Mané foi sacado por Klopp aos 36, com a entrada de Divock Origi. O senegalês vinha conseguindo fazer pouco no jogo. Aos 29, Wijnaldum perdeu a disputa no meio-campo para Lo Celso, que tomou a bola e contra-atacou rápido. Lucas recebeu, tocou para Son, que acabou chutando por cima, pressionado. O relógio já marcava 44 minutos quando Origi recebeu a bola pelo meio, fez uma linda jogada, tirando da marcação e chutando forte, mas o goleiro Gazzanigga defendeu com segurança.

O Tottenham fez o bastante para empatar o jogo, mas o Liverpool, mesmo sofrendo na segunda etapa, sai do Tottenham Stadium com os três pontos, uma campanha quase perfeita na Premier League e vai dando passos importantes para, enfim, conquistar a Premier League – a última vez que conquistou o Campeonato Inglês, em 1989/90, a liga ainda tinha outro nome.

No Liverpool, fica a demonstração que o time é capaz de se adaptar a diversos modos de jogo, não só do adversário, mas também quando não consegue jogar no seu melhor. Mentalmente, o time de Klopp é uma fortaleza e mostra uma capacidade de concentração que só mesmo estando muito bem fisicamente é possível.

Ao Tottenham, resta lamentar pelo resultado, mas há pontos a se valorizar no desempenho. O time teve bons momentos e, talvez, precise resolver a questão Eriksen antes de voltar a colocá-lo em campo. O meia por vezes pareceu fora do jogo e não estava na mesma rotação de Lo Celso, que entrou muito mais ligado. Lamela foi outro a entrar bem e, com a ausência de Kane no ataque, talvez seja uma opção para se atuar pelos lados do campo, abrindo Lucas de outro lado e colocando Son pelo meio. De qualquer forma, o Tottenham deveria mesmo ficar de olho em um centroavante que possa ser opção ao time daqui até o fim da temporada, pelo menos.

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