Mohamed Salah vivia uma crise de confiança na temporada. Isso ficava claro em suas atuações. Os gols que na temporada passada ele fez aos montes, desta vez, não saíam com a mesma constância. Faltava um pouco de contundência aqui, um bocado de precisão acolá. No entanto, o camisa 11 seguiu apoiado por Jürgen Klopp e vê as jogadas darem certo nos últimos dias. Salah parece renovado desde a Data Fifa e, depois de duas atuações decisivas ao longo da última semana, comandou a goleada por 4 a 1 sobre o Cardiff City neste sábado, em Anfield. Mantém os Reds em ritmo forte pela disputa pelo topo da Premier League.

É difícil imaginar que Salah repetirá o que protagonizou na temporada passada. O egípcio atuou não apenas em um nível acima da sua capacidade, como também exibiu uma efetividade rara no futebol mundial ao longo desta década. Seria natural esperar uma queda de desempenho, até pelos meses conturbados após sua lesão na final da Liga dos Campeões. Ainda assim, começavam a pintar as primeiras críticas sobre o baixo aproveitamento do camisa 11. Ele não escondeu seu descontentamento, mas não há resposta melhor que recuperar o embalo, o que tem feito nestas últimas partidas. Que o nível de Huddersfield, Estrela Vermelha e Cardiff City seja baixo, foi o ponta quem liderou os três triunfos dos Reds.

Neste sábado, ele começou a aparecer aos dez minutos. Embora o gol tenha saído em uma conclusão pouco vistosa, a participação de Salah em toda a construção da jogada vale muito mais, ajudando a organizar o ataque e se movimentando para aproveitar os espaços vazios. O domínio do Liverpool era absurdo, contra um dos adversários mais fracos da Premier League. Faltava converter um pouco mais as chances, depois de um primeiro tempo no qual tiveram 85% de posse de bola e 12 finalizações, contra nenhuma dos galeses. Supremacia que também tinha a participação importante de Georginio Wijnaldum ditando o ritmo no meio.

Obviamente, Salah não foi a estrela solitária em Anfield. Sadio Mané também exibiu um futebol digno de seus melhores momentos e ampliou a diferença, aos 21 da segunda etapa. Brigou pela bola e desferiu um chute potente, antes de correr para o abraço. Um desleixo do Liverpool permitiu que o Cardiff descontasse aos 32, em uma de suas únicas duas finalizações na partida. O passe mascado chegou a Callum Paterson e, quando Alisson se preparava para encaixar a bola, o adversário desviou para ludibriar o goleiro. Foi a deixa para que os Reds acordassem e terminassem de construir a goleada.

A rotação, aliás, é um dos trunfos de Jürgen Klopp. Dois novos contratados auxiliaram nestes minutos finais. Titular no meio, Fabinho participou da construção de ambos os tentos. Já Xherdan Shaqiri mais uma vez saiu bem do banco, assinalando o terceiro aos 39. Salah atacou de garçom e deu o passe para o suíço, que executou uma finta seca na marcação, antes de tirar do goleiro. Por fim, aos 42, mais uma assistência do egípcio. Lançou em velocidade para Mané ganhar na corrida dos defensores, anotando o seu segundo gol na tarde.

A vitória deixa o Liverpool com 26 pontos, isolado na liderança, mas aguardando o resultado da visita do Manchester City ao Tottenham na próxima segunda-feira. Uma boa chance para tomar de vez a primeira colocação. O Cardiff, em situação oposta, está fora da zona de rebaixamento apenas pelo saldo de gols, com os mesmos cinco pontos do Fulham. Um bom teste à sequência de Salah, aliás, acontece na próxima rodada. O Liverpool encarará o Arsenal no Estádio Emirates e certamente precisará do poder de decisão do atacante.