Em 1997, a eleição de melhor do mundo da Fifa contou pela  primeira vez com um jogador que não atuasse em clubes europeus. Marcelo Salas, vivendo grande fase no River Plate, era o citado. Mas quem acompanhou de perto o futebol brasileiro naquele ano sabe que outro jogador da América do Sul merecia pelo menos menção – para alguns, digno até mesmo de competir com Ronaldo e Roberto Carlos, os dois primeiros colocados. O que Edmundo jogou pelo Vasco naquela temporada é um absurdo. Um dos melhores campeonatos já feitos por um atleta no Brasileirão. Acabou sem ser lembrado pela Fifa, mas se eternizou com uma campanha estrondosa no país, que teve o seu ápice há exatos 18 anos.

Edmundo havia voltado ao Vasco em 1996, mas sem viver grandes glórias de imediato. Primeiro, teve que salvar o time dos riscos de queda no Brasileiro, antes de terminar com o vice no Carioca de 1997. Contudo, foi na Série A daquele ano que o Animal viveu os seus meses mais brilhantes. Estraçalhando cada adversário, o craque liderou o time a fazer a melhor campanha da primeira fase – incluindo pelo caminho o recorde de gols em um jogo do nacional, seis, nos 6 a 0 sobre o União São João. Já na segunda etapa do torneio, Edmundo não perdeu o ritmo. E confirmou os vascaínos na decisão justo em um clássico com o Maracanã lotado, contra o Flamengo, rival direto pela vaga.

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Os rubro-negros tinham perdido Romário meses antes, mas ainda assim contavam com um elenco qualificado, e sonhando com a taça. O time de Paulo Autori era protagonizado por Sávio, Lúcio e Júnior Baiano, enquanto contava com jovens do nível de Juan e Athirson. Ainda assim, abaixo do potencial do esquadrão que Antônio Lopes dirigia em São Januário. Não bastasse o momento estupendo de Edmundo, os cruz-maltinos ainda contavam com Carlos Germano, Mauro Galvão, Juninho Pernambucano, Ramon e Evair.

Quando a bola começou a rolar, Edmundo não teve piedade do Flamengo. O primeiro gol já dava mostras da excelente fase, arrancando no meio de cinco marcadores e driblando Clemer para deixar o Vasco em vantagem. Já no segundo tempo, mesmo com um a menos, o Vasco ampliou com o Animal, que driblou o goleiro adversário mais uma vez. E o terceiro tento, depois que Júnior Baiano havia descontado, foi uma obra-prima do camisa 10: deixou dois marcadores secos e chutou no cantinho, aproveitando para provocar na comemoração. No fim das contas, Maricá ainda tornou a goleada mais humilhante.

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Mais do que a vaga na decisão, aquela noite exuberante de Edmundo ainda valeu recorde histórico. O craque chegava a 29 gols no Brasileirão, superando os 28 tentos de Reinaldo em 1977, até então o maior artilheiro em uma única edição do torneio. Depois disso, o camisa 10 não voltou a balançar as redes na campanha. Expulso no primeiro jogo, viu o Vasco se consagrar na decisão com dois empates sem gols contra o Palmeiras. Naquele momento, os cruz-maltinos começavam a trilhar o caminho a sua maior glória, arrebatando a Libertadores em 1998.

Edmundo, no entanto, não permaneceria para viver a glória continental. O sucesso do craque se combinou a uma briga por salários atrasados com o Vasco. O melhor caminho acabou sendo a sua venda à Fiorentina por US$ 9 milhões. No Artemio Francchi, o atacante deu sequência ao momento espetacular, em ataque inesquecível ao lado de Batistuta e Rui Costa – que, inclusive, deixou a Viola na liderança da Serie A, algo que só voltou a se repetir em 2015. Só que os conflitos internos minaram os espaços do Animal. Mesmo em seu auge, não repetiu mais as atuações de alto nível daquele ano de 1997.