O problema do Lyon nos últimos meses é de regularidade, não de intensidade. Os Gones sabem disputar jogos grandes e acumulam alguns resultados expressivos. Falta apenas fazerem isso com mais frequência, para se manterem competitivos nos diferentes torneios. Os exemplos contra o Manchester City nesta Liga dos Campeões são claros. Os franceses jogaram em seu máximo contra o time de Pep Guardiola duas vezes. Viveram atuações maiúsculas contra um adversário bastante qualificado. E se a vitória veio no Estádio Etihad, ela também poderia ter acontecido no Estádio Groupama, nesta terça-feira. Em uma partida entretida, aberta e com chances de gol, os anfitriões foram ligeiramente melhores. Por duas vezes estiveram em vantagem no placar, mas em ambas cederam o empate, encerrando o duelo num 2 a 2 que merece aplausos. Enquanto os Citizens se classificam aos mata-matas da Champions, o OL leva a definição à última rodada.

A atmosfera pulsante nas arquibancadas servia de motivação. Era um jogo lá e cá desde os primeiros minutos. Mas, ainda que o Manchester City tivesse mais posse de bola, não exibia o controle sufocante de outras ocasiões. O Lyon jogava de igual, marcando de maneira adiantada para neutralizar os principais passadores adversários e atacando com agressividade, graças à velocidade de seus homens de frente. O problema é que os atacantes não estavam conseguindo acertar a bola em cheio, com furadas que poderiam ter rendido a vantagem precoce. Do outro lado, os celestes ameaçavam vez ou outra, embora sem a mesma liberdade para concluir.

Maxwel Cornet não demorou a se tornar o personagem do jogo. O ponta se movimentava bastante e abusava de sua aceleração para explorar os espaços na defesa do City. Poderia ter garantido a diferença antes do intervalo. Aos 28, errou o domínio e, na hora de arrematar, foi travado por Aymeric Laporte na hora exata. Depois, carimbou a trave aos 44, emendando um lindo voleio dentro da área. Quando exigido, Anthony Lopes correspondeu, evitando que Riyad Mahrez anotasse aos visitantes. Tanguy N’Dombele e Houssem Aouar, aliás, merecem menção especial pelo excelente trabalho na cabeça de área. Conseguiam se impor contra o meio-campo leve dos visitantes, composto por David Silva e Raheem Sterling.

Os gols ficaram para o segundo tempo. E o empenho do Lyon rendeu o primeiro aos nove minutos. Em boa trama ofensiva, Cornet recebeu no bico da grande área e resolveu. Encarou a marcação e bateu com categoria, no alto, sem chances de defesa a Ederson. O lance acordou o Manchester City, que tentou intensificar a pressão. Lopes voltou a fazer milagre na sequência, em cabeçada de Agüero. O caminho aos celestes era pelo alto. Aos 16, saiu o empate a partir de uma cobrança de escanteio, na qual Laporte cabeceou firme. Já no lance seguinte, a virada ficou a um triz, quando Leroy Sané arrematou e a bola quase traiu Lopes, escapulindo até o arqueiro pegá-la em cima da linha.

O jogo ficou mais aberto a partir de então. O Lyon retomou a dianteira, anotando o segundo aos 35 minutos. Grande participação de Memphis Depay, que enfiou a bola para Cornet. O atacante se livrou da marcação na corrida e chutou na saída de Ederson. Só não houve muito tempo para comemorar. Dois minutos depois, saiu o empate do City. Mais um escanteio, desta vez para Agüero se antecipar no primeiro pau e cabecear cruzado. No fim, os ingleses estiveram mais próximos do terceiro, apesar da superioridade dos Gones ao longo da noite.

Com dez pontos, o Manchester City confirma a classificação no Grupo F, que viria nesta rodada mesmo com a derrota. São cinco de vantagem ao Shakhtar Donetsk, que bateu o Hoffenheim num jogo maluco, definido apenas nos acréscimos do segundo tempo. E é com os ucranianos que o Lyon precisa se preocupar. Dois pontos acima dos Kroty, os Gones viajam a Kharkiv no compromisso final. Precisarão ao menos de um empate para se garantir nos mata-matas. A postura vista nos dois compromissos contra os Citizens precisa se repetir.