O Bayer Leverkusen fez uma aposta naquele verão de 2006. Outros clubes estavam de olho na revelação do Nürnberg, mas foram os Aspirinas que bancaram €6,5 milhões pela contratação do centroavante de 22 anos. E não é que Stefan Kiessling se tornou “apenas” um jogador importantíssimo na BayArena. Na realidade, ele incorporou como pouquíssimos o espírito de um clube – vestindo a camisa, marcando gols e se dedicando a cada instante. O veterano atravessou 12 anos ininterruptamente em Leverkusen, até que chegasse a sua hora de dizer adeus – de certa forma, um tanto quanto precocemente aos 34 anos, em aposentadoria forçada pelas lesões. Então, os torcedores ofereceram uma das despedidas mais belas possíveis.

Kiessling foi um especialista em sua posição, embora tivesse as suas limitações técnicas. Ainda assim, se manteve entre os melhores centroavantes da Alemanha por um bom tempo. Em cinco temporadas, chegou a marcar mais de 15 gols na Bundesliga, e foi o máximo artilheiro na temporada de 2012/13, justamente a da tríplice coroa do Bayern de Munique. A aptidão para balançar as redes, aliás, o levou a uma Copa do Mundo. O matador disputou apenas seis partidas pelo Nationalelf, mas foi alternativa a Miroslav Klose e Mario Gómez no Mundial de 2010.

A adoração de Kiessling no Leverkusen, porém, extrapola a sua missão como homem de área. Está naquilo que os torcedores no estádio acabam percebendo de maneira mais evidente: o esforço a cada bola, a valentia nas disputas, o suor derramado até a última gota. O centroavante é o tipo de jogador que todo mundo quer no próprio time, aquele que nunca desiste, que faz valer os aplausos pela vontade com que atua. É o que explica ainda mais o enorme tributo deste sábado.

Diante dos problemas físicos, aos 34 anos, Kiessling somou poucos minutos em campo na atual temporada. E em um jogo decisivo para o Leverkusen neste sábado, podendo valer uma vaga na Liga dos Campeões, ele iniciou no banco. De lá, viu um mosaico com seu rosto tomar as arquibancadas da BayArena. E quanto o seu time vencia o Hannover 96 por 3 a 0, resultado ainda insuficiente entrar no G-4 no saldo de gols, o centroavante entrou em campo. Recebeu os merecidos aplausos, por mais que a tarde tenha terminado de maneira frustrante, com dois gols dos visitantes e um triunfo por 3 a 2 que rendeu apenas a Liga Europa.

O “tropeço”, de qualquer maneira, não diminui em nada a representatividade de Kiessling. Basta ver o que aconteceu após o apito final, festejado pelos companheiros e se misturando à torcida. O gigante terá para sempre o seu lugar entre os maiores ídolos do Leverkusen. Seus 131 gols pelos Aspirinas na Bundesliga, segundo maior artilheiro do clube no campeonato (atrás apenas do lendário Ulf Kirsten), falam por si. E há ainda tanto que, além dos números, ficará por muito tempo na memória dos torcedores.

PS: O jornalista pede desculpas pelo atraso no texto, se ausentando em boa parte do seu plantão após sofrer um problema de saúde. Algumas matérias sobre o sábado de futebol sairão até a manhã de domingo. Obrigado pela compreensão =)


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