Durante a temporada passada, o Levante se tornou responsável por quebrar a invencibilidade do Barcelona no Campeonato Espanhol. Já no primeiro turno da atual edição da Liga, dava trabalho aos blaugranas, até Lionel Messi transformar o jogo difícil em show. E o duelo pelas oitavas de final da Copa do Rei só confirmou como os Granotas realmente são uma pedra no sapato dos catalães. Nesta quinta, as duas equipes se enfrentaram no Estádio Ciutat de Valencia. Contra um time reserva dos blaugranas, o início arrasador deu a vitória aos anfitriões. E eles poderiam ter feito mais, superiores à débil formação de Ernesto Valverde. Triunfo por 2 a 1, que oferece uma interessante vantagem para o reencontro no Camp Nou.

Que o Barcelona poupasse nove titulares, ainda assim contou com jogadores renomados. Sergio Busquets, Philippe Coutinho, Ousmane Dembélé e Arturo Vidal compunham o 11 inicial. O problema estava na defesa, desencontrada, com os canteranos errando em demasia. Desta maneira, o Levante deu seu bote logo no início do primeiro tempo. O gol inaugural do Levante saiu aos quatro minutos. Rubén Rochina cobrou falta pelo lado esquerdo e Erick Cabaco subiu com liberdade para desviar de cabeça.

O estrago poderia ter sido maior na sequência. Jasper Cillessen era o herói solitário que segurava as pontas para o Barcelona. Realizou duas grandes defesas, parando Emmanuel Boateng. E no momento em que o atacante resolveu atuar como garçom, o holandês não teve o que fazer para evitar o tento. Aos 17 minutos, o Levante ampliou. Mordendo a saída de bola, os Granotas realizaram um desarme no campo de ataque. Boateng recebeu na entrada da área e deu um lindo passe de cavadinha para Borja Mayoral, que fuzilou.

O Barça acordou apenas depois disso. Contava com a energia de Vidal pelo meio, mas nada muito além, errando passes e vendo Philippe Coutinho decepcionar mais uma vez. As únicas escapadas vinham pela velocidade de sua linha de frente, com Ousmane Dembélé atuando centralizado. Faltou mais de capricho nas definições. Com liberdade, Malcom parou no goleiro Aitor Fernández, enquanto Dembélé também desperdiçou duas boas oportunidades antes do intervalo. Diminuindo a intensidade, o Levante ainda assustou novamente com Mayoral e conseguiu lidar bem com as ameaças do Barcelona.

Ernesto Valverde realizou mudanças no Barcelona durante o segundo tempo, mas as entradas de Sergi Roberto e Clément Lenglet não deram exatamente esperanças de gol – com o treinador preferindo tirar os canteranos de sua defesa. Lionel Messi e Luis Suárez, afinal, sequer foram relacionados. Enquanto isso, o Levante ganhou fôlego com a José Luis Morales e Cillessen reapareceu para evitar o terceiro, parando Rochina. O alívio mínimo aos blaugranas aconteceu apenas aos 40 minutos. Denis Suárez, que entrou no lugar de Malcom, acabou derrubado dentro da área. Na cobrança do pênalti, Philippe Coutinho chutou com tranquilidade para descontar. O esboço de pressão, de qualquer maneira, não foi além disso.

O resultado e a postura frouxa exigem muito mais do Barcelona para o jogo de volta, que acontece na próxima semana, no Camp Nou. É o retrato de um time que não engrena e que quase sempre acaba dependente de Messi. Quando ele não está, a lacuna é óbvia. Resta saber se Ernesto Valverde lançará mão de seus titulares para o reencontro. Antes disso, no domingo, a equipe defende sua liderança em La Liga ao receber o Eibar.