A identidade do futebol das Ilhas Canárias, na costa africana, sempre se diferenciou do jogo veloz e aguerrido que difundido por quase toda a Espanha continental. Assemelhava-se mais ao estilo cadenciado e técnico sul-americano. Um dos símbolos disso foi a histórica equipe do Las Palmas que, no fim dos anos 60, intrometeu-se entre os gigantes do país, obtendo, em duas campanhas seguidas, um terceiro lugar e um vice-campeonato espanhol.

Criada em 1948 a partir da fusão dos cinco clubes da ilha de Gran Canária, a Unión Deportiva Las Palmas já estreou na terceira divisão espanhola no ano de sua fundação e ficou em segundo lugar, obtendo o acesso. Uma nova promoção, outra vez como vice-campeã, veio no ano seguinte, de modo que com apenas dois anos de existência o clube já estava na categoria de elite. A primeira participação, no entanto, durou apenas uma temporada, a de 1951/52.

O clube voltaria para um período mais longo na primeira divisão a partir de 1954, ficando até 1960, mas sempre fazendo campanhas de metade de baixo da tabela. No entanto, com o terceiro acesso obtido em 1964, o clube partiria para o período mais duradouro e bem-sucedido de sua história na liga. O nono lugar na temporada 1964/65 já era a melhor colocação até então. Mas nada perto do que seria alcançado mais para o fim daquela década.

O grande comandante

Nascido em Santa Cruz de Tenerife e de origem irlandesa, Luis Molowny fora um bom atacante do Real Madrid entre 1946 e 1957 (marcou 104 gols em 198 jogos oficiais pelos merengues) e integrante da seleção da Espanha quarta colocada na Copa do Mundo de 1950, no Brasil. Após deixar a capital espanhola, voltou às Ilhas Canárias para encerrar sua carreira de jogador no Las Palmas, e lá mesmo iniciou a de treinador, em dezembro de 1957.

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Suas duas primeiras experiências no comando dos canários – naquela temporada 1957/58 e em 1959/60 – resumiram-se a salvar a equipe da queda na primeira divisão. Na primeira, substituindo José Ignacio Urbieta, teve sucesso, deixando a equipe em 11º lugar. Já na segunda, entrando no posto do francês Marcel Domingo, não conseguiu resgatar um time ainda mais afundado na lanterna, e o rebaixamento iminente acabou se confirmando.

A terceira passagem, de início, teria a mesma motivação, mas acabaria se estendendo. Quando Juan Otxoa foi demitido a três rodadas do fim da liga em 1966/67, o Las Palmas ocupava a 13ª posição entre 16 clubes, dentro da zona de playoffs de acesso e descenso. Com Molowny, os canários venceram o Barcelona por 2 a 0 em casa, empataram com o Espanyol na Catalunha e selaram a permanência derrotando o Deportivo La Coruña, também em seu estádio Insular.

Desta vez, porém, os resultados sensibilizaram os dirigentes, que mantiveram o técnico no cargo para a campanha seguinte. E o Las Palmas mudaria da água para o vinho. O desempenho nas duas primeiras rodadas ainda seria hesitante, com um empate em casa diante do Málaga (1 a 1) e uma derrota de 4 a 2 para o Betis. Mas em seguida, o time se recuperaria goleando o Sevilla (4 a 1), vencendo o Sabadell (1 a 0) e batendo a Real Sociedad no País Basco (1 a 0).

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A equipe-base tinha titulares bem definidos, quase todos nascidos nas Ilhas Canárias e revelados pelas categorias de base, com raras exceções. Uma delas estava no gol, o basco José Luis Ulacia, no clube desde 1957. A defesa tinha o capitão Ernesto Aparício na lateral-direita, o versátil Martín Marrero (cria do rival Tenerife) pela esquerda, o sólido Antonio Moreno Tonono no centro do setor e Francisco Castellano completando como quarto zagueiro.

No meio, o talentoso Juan Guedes era o ponto de referência do jogo da equipe, tendo ao seu lado o dinâmico Justo Gilberto, outra revelação do Tenerife e que chegara naquela temporada. Mais adiantado, encostando nos atacantes, atuava o ponta-de-lança Germán Dévora. Na linha de frente, havia os ponteiros José Manuel León pela direita e Gilberto Rodríguez pela esquerda, além do centroavante José Juan Gutiérrez, outro ex-Tenerife.

Derrubando os gigantes

Pelas rodadas seguintes, a equipe cultivaria o hábito de vencer nas Ilhas Canárias (derrotando Zaragoza, Elche, Barcelona e Athletic Bilbao) e perder nas visitas ao continente (sendo batido por Córdoba, Espanyol e Pontevedra). Nessa sequência, o ponto alto seria uma inesquecível goleada diante dos azulgranas por 4 a 1 no Estádio Insular, na tarde de 26 de novembro de 1967. E de virada, depois que Zaldúa havia colocado os catalães em vantagem aos cinco minutos.

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Ainda na primeira etapa, Justo Gilberto empatou a partida. E no segundo tempo, o outro Gilberto marcaria o gol da virada com um chutaço após jogada confusa na área. Aos 27 minutos, num contra-ataque, Germán marcou o terceiro. E no fim do jogo, outra vez Justo Gilberto, de cabeça, fechou a contagem. Dali a três rodadas, após um pesado revés fora de casa para os galegos do Pontevedra por 3 a 0, o Las Palmas obteria outro grande resultado.

O Atlético de Madrid, adversário da 13ª rodada no dia 17 de dezembro, ocupava a liderança da liga. Porém, o time dirigido pelo brasileiro Oto Glória havia acabado de perder a invencibilidade ao ser abalroado pelo Athletic Bilbao no San Mamés por 6 a 1, e tinha que vencer para se manter na ponta da tabela. Promovia a estreia de um jovem meia, Javier Irureta. E abriu o placar com um chute de Luís Aragonés que desviou na defesa e enganou Ulacia.

Ainda na etapa inicial, houve tempo para um chute de José Ufarte acertar a trave, fazendo entender que a vitória colchonera viria com tranquilidade. Mas no segundo tempo, o Las Palmas empatou com o meia Guedes, num chute rasteiro, de longe, que passou por baixo do corpo do goleiro Sanromán. Guedes também iniciaria a jogada do gol da virada, aos 37, tocando curto uma falta para Castellano, que chutou forte para dar a vitória aos canários.

O Las Palmas, que vinha de quatro derrotas em cinco jogos como visitante, arrancara uma vitória surpreendente em pleno estádio de Manzanares e já encostava nos ponteiros. A ótima pontuação como mandante manteve os canários nas primeiras posições, ainda que oscilando um bocado: o time subiu para o segundo lugar na 21ª rodada ao golear o Córdoba por 4 a 1, mas despencou para o quinto duas semanas depois, após derrotas para Zaragoza e Elche.

O mesmo se repetiu na reta final: depois de ser batido pelo Barcelona no Camp Nou por 2 a 0, resultado que o deixou quatro pontos atrás dos catalães, vice-líderes, o time de Molowny obteve reação inesperada, vencendo o Athletic Bilbao em pleno San Mamés por 1 a 0, vingando-se do Pontevedra com um categórico 5 a 0 e superando mais uma vez o Atlético de Madrid, em outra goleada inesquecível testemunhada pelo Estádio Insular.

Já no primeiro tempo, os canários sufocavam os colchoneros num ritmo frenético. Mas o gol que abriu a contagem só saiu aos 32 minutos, quando Justo Gilberto pegou um rebote de Sanromán e chutou para as redes. Foi o único tento da etapa inicial. Na volta do intervalo, Gilberto Rodríguez ampliou com uma bomba inapelável de fora da área aos dois minutos. O terceiro veio aos 15, após jogada de León pela ponta e finalização de José Juan.

A goleada foi decretada aos 35, quando Germán recebeu de Justo Gilberto, ganhou a dividida com o zagueiro Griffa e tocou de cobertura sobre Sanromán. Só aos 39 o Atlético descontaria, com Luís Aragonés. A vitória deixou o Las Palmas a quatro pontos do líder Real Madrid, faltando duas rodadas para o fim do torneio. E a próxima partida seria exatamente diante dos merengues, no Estádio Chamartín (atual Santiago Bernabéu). O sonho do título estava vivo.

Perto do título

Diante de 120 mil torcedores madridistas, numa partida bastante disputada e até de forma brusca, o Las Palmas saiu atrás no marcador graças a um gol de Velázquez de cabeça, mas levou perigo nos contra-ataques e empatou numa cobrança de falta de Castellano ainda no primeiro tempo. Porém, na etapa final, um gol de Pirri aos 31 minutos, escorando cruzamento de González, acabou dando a vitória e o título antecipado ao Real Madrid.

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Na despedida, o Las Palmas bateu o Valencia por 2 a 1 no Insular e terminou em terceiro lugar, um ponto atrás do Barcelona. Em seus 30 jogos, somou 17 vitórias, apenas quatro empates e nove derrotas, terminou invicto em casa e ainda com o melhor ataque do certame: 56 gols, um a mais que o campeão Real Madrid. José Juan e Justo Gilberto foram os que mais contribuíram para engordar essa conta, anotando 12 gols cada um.

Na defesa, o destaque foi Tonono, eleito o melhor zagueiro da temporada, afirmando-se como um líbero técnico e perfeito no posicionamento. Apelidado “El Omega”, por se mostrar preciso e regular como um relógio suíço, também conquistaria lugar cativo na seleção da Espanha. Em maio de 1968, num amistoso contra a Suécia, outros três jogadores dos canários – Castellano, Guedes e Germán – estreariam pela equipe nacional.

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Em suas temporadas anteriores, o Las Palmas havia se mostrado uma equipe bastante “caseira”, difícil de ser derrotada em seu estádio, mas com um rendimento previsivelmente fraco quando tinha que se deslocar para jogar no continente. Na temporada 1967/68, o desempenho como visitante havia melhorado, ao obter pela primeira vez quatro vitórias na casa dos adversários, embora tivesse sido derrotado em outras nove partidas.

A melhor colocação da história

O desafio para a temporada seguinte era, portanto, cumprir uma campanha um pouco mais consistente fora de casa, o que, no entender do clube, era a ascensão de patamar que faltava para brigar de vez pelo título da liga. O time-base mudou pouco: o também basco Ignacio Oregui substituiu Ulacia, que não havia passado muita confiança no gol, e dois reservas passaram a ser bastante utilizados: o lateral José Luis e o atacante Niz.

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De resto, era o mesmo time: Aparicio na lateral direita, Martín Marrero na esquerda e Tonono no centro da defesa ao lado de Castellano. A organização do meio ficava por conta de Guedes, escudado por Justo Gilberto e tendo Germán mais à frente como ponta de lança. E, por fim, o trio de ataque com León pela ponta direita, José Juan como referência de área e Gilberto na outra extrema. Ao longo daqueles 30 jogos, apenas 14 atletas entraram em campo.

O início da campanha foi arrasador, com sete vitórias nos primeiros dez jogos, ajudando a equipe a se estabelecer na segunda colocação, atrás do Real Madrid. Na estreia, porém, o time precisou enfrentar um problema extracampo: punido com a perda de um mando de campo devido aos distúrbios provocados por sua torcida num jogo da copa contra o Athletic Bilbao, o Las Palmas teve de enfrentar o Atlético de Madrid em Tenerife.

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Mesmo assim, venceu graças a um ótimo primeiro tempo, no qual marcou duas vezes quase em sequência, com Justo Gilberto (em chute que desviou em José Juan) aos 15 e com León, após cruzamento de Martín Marrero, aos 16. Os colchoneros descontaram com Irureta no meio da segunda etapa, mas os canários seguraram o triunfo com firmeza, venceram o Atlético pela quarta vez seguida em jogos pela liga e largaram bem no campeonato.

Em seguida, o time bateu o Espanyol na Catalunha (2 a 1), parou num 0 a 0 com o Barcelona no Insular, venceu o Deportivo La Coruña também em casa e por 2 a 1, sofreu sua primeira derrota ao cair – como na temporada anterior – diante do Pontevedra na Galícia (3 a 0) e venceu ainda o Granada e o Sabadell em casa e o Córdoba e o Zaragoza fora. O outro empate veio no Insular diante do Athletic Bilbao (1 a 1).

O mês de dezembro, porém, foi turbulento: o time venceu apenas um de seus cinco jogos (goleou a Real Sociedad por 4 a 0), tropeçando em casa diante do Elche (1 a 1) e somando apenas um ponto nas três partidas fora de casa: derrota para o Málaga por 2 a 0, empate com o Valencia em 2 a 2 e derrota para o Real Madrid por 2 a 0, a dois dias da virada do ano, resultados que fizeram os canários perderem momentaneamente a vice-liderança para o Barcelona.

No Camp Nou, uma vitória memorável

A equipe reagiu no início do ano de 1969, no entanto, colhendo três ótimos resultados de saída: empate em 1 a 1 com o Atlético de Madrid no velho estádio de Manzanares, na capital espanhola; triunfo por 1 a 0 sobre o Espanyol no Insular; e, por fim, o ponto alto daquela campanha: a primeira vitória do clube diante do Barcelona em plena Catalunha pela liga. Os 2 a 1 do Camp Nou no dia 19 de janeiro entraram para a história.

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Os azulgranas vinham embalados pela goleada de 4 a 1 imposta ao Atlético de Madrid no domingo anterior e jogavam a chance de retomar a segunda posição do Las Palmas, um ponto à frente. Mas esbarraram numa equipe muito bem posicionada em campo, capaz de neutralizar todas as suas principais peças ofensivas, e que aproveitou as chances que teve, especialmente diante do nervosismo do Barcelona após o 0 a 0 da etapa inicial.

Na volta do intervalo, o Las Palmas abriu o placar aos dez minutos, quando Germán recebeu passe longo de José Juan e invadiu a área para bater cruzado na saída do goleiro Sadurní. E nos minutos finais, a partida ganhou contornos dramáticos: para o alívio da torcida da casa, o Barça parecia ter arrancado o empate aos 41 minutos, quando o zagueiro Gallego desviou para as redes um escanteio cobrado da esquerda pelo ponta Rifé.

Mas aos 44, numa descida do ataque canário pela esquerda em contra-ataque, os barcelonistas Juan Carlos e Eladio não conseguem afastar o cruzamento, e a bola sobra para o chute forte de Niz, da risca da grande área, inapelável para Sadurní. O resultado histórico ainda ajudou o Las Palmas a folgar na segunda colocação do campeonato. Entretanto, aquela seria a última vitória da equipe como visitante na temporada.

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Uma semana depois da vitória no Camp Nou, o time viveria seu anticlímax ao cair na visita ao Deportivo La Coruña (2 a 0). E perderia pontos também nos jogos como visitante diante de Granada (2 a 2), Athletic Bilbao (2 a 1), Sabadell (1 a 1), Elche (0 a 0) e Real Sociedad (1 a 0). Em casa, porém, o desempenho foi ótimo, com vitórias sobre Pontevedra (1 a 0), Córdoba (4 a 0), Zaragoza (2 a 1), Valencia (2 a 1) e Málaga (3 a 1).

Só na última rodada, no dia 20 de abril, é que o clube sofreria seu único revés no estádio Insular naquelas duas grandes campanhas: 1 a 0 para o Real Madrid, quando um gol do meia José Antonio Grande a cinco minutos do fim da partida encerrou uma invencibilidade como mandante que já durava 32 jogos e vinha desde março de 1967. Mas era difícil vencer aquele time merengue, campeão com muita folga e apenas uma derrota na liga.

Depois do grande momento

O vice-campeonato valeu vaga na Copa das Feiras ao Las Palmas, em sua primeira participação num torneio continental, mas o clube cairia logo na primeira rodada diante do Hertha Berlim. Se as campanhas europeias seriam poucas e curtas, o clube ainda atravessaria boa fase ao longo dos anos 70: terminaria em quinto em 1971/72 e, seguidamente, em quarto, sétimo e sexto entre 1977 e 1979, chegando ainda à final da Copa do Rei em 1978.

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O rebaixamento em 1983 – vindo com uma enorme reviravolta na última rodada que salvaria o Valencia – encerraria uma sequência de 19 temporadas consecutivas na elite espanhola. Desde então, os canários jogaram apenas oito edições da primeira divisão. Mas sempre longe de repetir as grandes colocações e os ótimos resultados daquelas campanhas do fim dos anos 60, com a geração que marcaria época no clube e no futebol espanhol.

Dois daqueles nomes históricos, Tonono e Guedes teriam fim precoce e trágico. O zagueiro, que acumularia 22 partidas pela seleção espanhola, morreria em junho de 1975, aos 31 anos, vitimado por uma infecção viral. Já o meia-armador perderia a vida ainda mais cedo e mais jovem, em março de 1971, aos 28 anos, após batalha contra o câncer. Ambas as mortes calaram fundo nos torcedores do clube, nas Ilhas Canárias e no futebol espanhol.

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O técnico Molowny chegaria a comandar como interino a seleção espanhola em quatro partidas entre março e junho de 1969. Mais tarde, retomaria seus laços com o Real Madrid, tendo quatro passagens pelo comando dos merengues entre 1973 e 1986, nas quais levou ao Bernabéu sua fama de “bombeiro”. Nesse interim, teve cartel respeitável, conquistando três títulos espanhóis, duas Copas do Rei, uma Copa da Liga da Espanha e duas Copa da Uefa.

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas. Para visualizar o arquivo, clique aqui.

Confira o trabalho de Emmanuel do Valle também no Flamengo Alternativo e no It’s A Goal.