O lance mais discutido é invisível a olho nu, mas o Galo 3×0 São Paulo também teve méritos e deméritos visíveis

Atlético Mineiro e São Paulo se encontravam em uma partida importante à parte de cima da tabela no Brasileirão. O Galo voltava após as finais do Campeonato Mineiro, enquanto o Tricolor tentava manter a boa sequência das últimas rodadas. E a partida em Belo Horizonte, que invariavelmente teria a arbitragem como assunto discutido, viu os atleticanos aproveitarem as circunstâncias para construírem uma vitória ampla por 3 a 0. Houve um antes e um depois aos são-paulinos, com o gol anulado de Luciano, que alterou os rumos do jogo. Mas isso não parece suficiente para se negar o que sobrou aos mineiros (e faltou aos paulistas) nos 90 minutos restantes do embate.

A meia hora inicial do jogo no Mineirão foi do São Paulo. Os tricolores tinham uma postura intensa, de apertar a saída de bola do Atlético e atacar com velocidade. Deu certo à medida que os são-paulinos criavam chances claras, mas de novo o time pecava pelos erros de conclusão – ainda que de centímetros. Aos seis minutos, aconteceu um lance incrível. Rafael pegou o chute de Tchê Tchê. Com a meta aberta, Luciano carimbou o travessão. E, depois, Pablo perdoou novamente, mandando para fora a sobra. Rafael precisava se manter atento e logo seria testado por Hernanes, num chute de longe. Já aos 13, mais uma bola dos visitantes no travessão, numa bomba de Paulinho Bóia que não teria chances de defesa. O time de Fernando Diniz não tinha medo de arriscar, mas faltava o gol por detalhes.

Tiago Volpi trabalharia a primeira vez apenas aos 15 minutos, em batida de Eduardo Sasha. Todavia, Rafael estava bem mais sobrecarregado do outro lado e também impediria a finalização de Pablo. Era um começo de partida veloz, em que o São Paulo se mostrava mais encaixado e sedento para buscar o gol, forçando os erros do Atlético. Mas os muitos arremates ainda não tinham rendido o placar favorável. Por volta dos 20 minutos, o Tricolor também passou a achar mais espaços na área. Seriam mais alguns perigos até o lance central, aos 30 minutos.

Tchê Tchê fez o levantamento e Luciano desviou dentro da área, para as redes. A olho nu, o lance parecia totalmente legal, com o atacante do São Paulo na mesma linha do penúltimo homem do Atlético. O entrave veio na revisão do VAR. O software indicou um impedimento mínimo. E o questionamento maior fica à pouca clareza do processo, que de novo recai à CBF. Ao contrário do que acontece na própria Conmebol, falta didatismo para explicar os lances e abertura para indicar as decisões. A própria linha traçada para indicar o impedimento gera mais dúvidas. Em consequência, muita gente questiona a precisão da tecnologia – porque a falta de transparência da confederação dá brecha a isso.

O jogo seria outro depois do lance. O São Paulo se desligou e o Atlético tirou proveito, cirúrgico em suas ações. Também passaria a atacar os desleixos dos tricolores e assim abriu o placar, aos 34. Num desarme de Hyoran, o contragolpe veio rápido e Jair descolou uma linda assistência para Alan Franco, que tocou por cima de Volpi. Hernanes até forçaria outra boa defesa de Rafael na sequência, cobrando falta. Mas o momento era do Galo, que marcou mais um aos 43. Num lance que começou com Rafael acionando Sasha no chutão, Hyoran deu o passe de primeira para Alan Franco atacar o espaço. O equatoriano, bom negócio dos alvinegros, bateu firme e ampliou a vantagem.

O VAR voltaria a ser personagem no fim do primeiro tempo, em novo lance de pouca clareza, desta vez num pênalti não marcado para o Atlético. Nada que fizesse mais tanta diferença naquele momento. Para a segunda etapa, o São Paulo voltou com Vítor Bueno, mas a eficácia do Galo preponderou. Keno tentou duas vezes, parando em Volpi, até Jair determinar o placar aos 13. Depois de uma cobrança de escanteio, Junior Alonso desviou e o volante (em outra noite inspirada) concluiu às redes. Ainda haveria uma bola na trave de Keno, mas os atleticanos puderam administrar a vitória com mais calma, mesmo sem abdicar do ataque. A pressão do São Paulo na marcação não dava mais certo e o time se perdeu na construção ofensiva. Não fez praticamente nada para descontar, num duelo que perdeu aceleração na reta final.

Os debates sobre o Atlético Mineiro x São Paulo se concentrarão sobre a atuação confusa da arbitragem e o VAR bastante dúbio. De fato, foi um momento decisivo. Mas também há outros reflexos, entre um São Paulo que não consegue transformar sua superioridade em gols (como em outros momentos de críticas a Fernando Diniz) e um Atlético que possui ótimas armas para um futebol agressivo (marca de Jorge Sampaoli). Se num primeiro momento Rafael segurou as pontas no Independência, com ajuda da trave, depois o resultado teria as determinantes participações de Jair, Hyoran e Franco nos lances decisivos.

O São Paulo permanece na segunda colocação, com 13 pontos, três a menos que o líder Internacional. Já o Atlético tem um ponto a menos, em terceiro, mas um aproveitamento superior. Por causa da final do Campeonato Mineiro, os mineiros seguem com uma partida a menos que os principais concorrentes e podem até mesmo encostar no Inter.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore