O Junior de Barranquilla será o adversário do Atlético Paranaense na final da Copa Sul-Americana. Uma conquista merecida, de um clube que vem investindo bastante em seu futebol e faz por merecer a campanha consistente no torneio continental. Se os deslizes no início das jornadas custaram eliminações precoces nas últimas duas edições da Libertadores, a Sul-Americana serve para premiar o Tiburón. Depois da semifinal em 2017, a passagem a esta decisão apenas sublinha o sucesso dos alvirrubros, em busca de seu primeiro título além das fronteiras. Todavia, o Junior também enfrentará as suas dificuldades. Porque a arbitragem do jogo decisivo contra o Independiente Santa Fe teve compulsão por mostrar cartões vermelhos. Quatro jogadores, dois para cada lado, foram expulsos na vitória dos caribenhos por 1 a 0 no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez. E pior ainda quando um dos punidos é justamente Teo Gutiérrez, principal jogador na engrenagem de Julio Comesaña.

O jogo estava nas mãos do Junior. Depois da vitória por 2 a 0 em Bogotá, os alvirrubros precisariam de pouco para conquistar a classificação. E a superioridade contra o Santa Fe era óbvia, com um time mais técnico, mais agressivo e com mais qualidade individual que os adversários. O problema do Tiburón foi entrar na pilha dos visitantes desde os primeiros instantes. O relógio mal bateu um minuto quando houve o primeiro foco de confusão, com jogadores se peitando e se estranhando. Em sete minutos, três amarelos haviam sido distribuídos. Algo que poderia ter um custo grande para os caribenhos, e teve, quando o confronto estava ainda mais resolvido.

Embora o Santa Fe tenha criado alguns apuros, em bolas alçadas na área, e inclusive tenha carimbado a trave em uma dessas, o gol do Junior confirmou o favoritismo aos 23 minutos. O goleiro Miguel Solís fez um milagre, mas, na sequência da jogada, o cruzamento da esquerda veio na medida para Teo Gutiérrez completar na pequena área. O lance foi inicialmente anulado, até que o árbitro de vídeo validasse. Neste momento, os Cardenales precisariam de três gols para forçar a classificação. E só não precisaram de quatro porque, aos 39 minutos, Solís fez uma senhora defesa em cobrança de pênalti efetuada por James Sánchez.

Os problemas para o Junior começaram cinco minutos depois, às portas do intervalo. Patricio Loustau avaliou que Teo Gutiérrez tentou acertar uma cotovelada em disputa pelo alto e mostrou o cartão vermelho direto, de forma bastante discutível – mesmo com o VAR. O Tiburón perdeu seu melhor jogador (além de capitão) para o primeiro jogo contra o Atlético Paranaense. No segundo tempo, enquanto o Santa Fe tentava recobrar o prejuízo, mais um vermelho ao Junior. Gabriel Fuentes puxou Carlos Arboleda durante a cobrança de lateral e recebeu o segundo amarelo.

Mesmo com dois a mais, porém, o Santa Fe era inoperante no ataque. O Junior fazia um excelente trabalho para proteger a sua defesa e buscar os contragolpes. Por fim, o descontrole passou ao outro lado. Arley Rodríguez recebeu o segundo amarelo apenas 13 minutos depois de sair do banco de reservas, por uma falta no ataque, deixando os visitantes com 10. Já o vermelho final foi direto, a Diego Guastavino, por uma solada. Mais um lance questionável, que deixou ambas as equipes com nove. Com os Cardenales perdendo o ímpeto, o Tiburón ainda poderia ter matado o duelo no fim. Nem precisou.

O Junior de Barranquilla se coloca há dois anos como um dos times mais interessantes de se acompanhar na Colômbia. Além de contratar jogadores renomados (alguns que já saíram, como Yimmi Chará), também sabe valorizar a bola e buscar o ataque. Veio de três classificações contra argentinos, com destaque aos duríssimos confrontos ante o Defensa y Justicia. Isso até superar o Santa Fe, um dos compatriotas com melhores resultados internacionais nesta década. Além do mais, o Tiburón compartilha os bons momentos no próprio cenário doméstico, com boas campanhas recentes no Campeonato Colombiano e títulos na Copa Colômbia. Só que isso também oferece uma exigência maior aos alvirrubros.

Até 12 de dezembro, o Junior enfrentará uma verdadeira maratona decisiva. Fará quatro finais em menos de duas semanas. Aos sábados, o compromisso é na decisão do Clausura, contra o Independiente Medellín. É a chance de encerrar um jejum de sete anos na liga, após três vices desde 2014. Já às quartas-feiras, as batalhas com o Atlético Paranaense, um adversário em alta e também exibindo um futebol extremamente eficiente. Ao menos, o Tiburón se poupa um pouco do desgaste da viagem ao fazer o primeiro jogo no Metropolitano, antes da visita à Arena da Baixada (ou a Vallecas, vai saber o que a Conmebol aprontará) no dia 12. E esta prova de resistência que também testará os comandados de Julio Comesaña. Sem o seu maior ídolo ao primeiro duelo.