O Junior de Barranquilla se tornou o clube colombiano que mais investiu em reforços no último ano. Trouxe jogadores renomados e aguardava uma grande campanha na Libertadores. No primeiro semestre, além de Teo Gutiérrez e Yimmi Chará, a diretoria adicionou ao elenco Jonathan Alvez e Alberto Rodriguez. O chaveamento na competição continental não ajudou e, diante do grupo difícil, os alvirrubros ficaram pelo caminho – mas quase eliminaram o futuro finalista Boca Juniors. E a Copa Sul-Americana se tornou um prêmio de consolação mais do que bem-vindo aos Tiburones. Nesta quinta, o Junior se aproximou bastante da decisão, ao derrotar o Independiente Santa Fe por 2 a 0 em Bogotá. Fica em ótimas condições para sacramentar a classificação em Barranquilla.

Se comparado ao time que sucumbiu na Libertadores, o Junior enfraqueceu. Chará virou reforço do Atlético Mineiro, Alvez seguiu ao Internacional e Rodriguez voltou ao Universitario. Teo Gutiérrez permaneceu no clube de seu coração, ao lado do goleiro Sebastián Viera, liderando uma geração de outras boas opções não tão badaladas. E, fase após fase, os alvirrubros comprovam a sua capacidade. Contam com o bom trabalho de Julio Comesaña, uma lenda em Barranquilla, que entre oito passagens diferentes pela casamata, possui em seu currículo as glórias nos tempos de Carlos Valderrama e a ascensão recente dos Tiburones.

Os destaques do Junior se espalham por diferentes setores. A lateral direita conta com Marlon Pedrahita, cumpridor de seus serviços e sempre regular. No meio-campo, Victor Cantillo ajuda a dominar a faixa central, em momento reconhecido com convocações à seleção colombiana. Luis Díaz se mostra como a grande revelação na ligação, acumulando gols importantes nesta temporada. Yony González também é uma opção jovem e habilidosa ao setor ofensivo. E, grande referência na linha de frente, Teo Gutiérrez pode não viver o melhor de sua carreira, mas segue resolvendo jogos. Foi o que se viu nesta quinta, em Bogotá.

Contra um time com mais experiência internacional e uma defesa forte, o Junior conseguiu fazer valer a sua qualidade ofensiva. O primeiro gol saiu aos 40 minutos, em bola lançada por Jarlan Barrera, deixando Teo Gutiérrez de frente para o gol. O veterano só teve o trabalho de driblar o goleiro Robinson Zapata, antes de emendar para as redes. Já no início do segundo tempo, Pedrahita acertou um chute bastante feliz, mesmo com pouco ângulo. A bola fez uma curva para fora e saiu do alcance de Zapata. Inoperante, o Santa Fe não recobrou o prejuízo, vendo os visitantes encadearem os passes sob alguns gritos de ‘olé’. Pior, os anfitriões ainda perderam Javier Lopez, expulso no final. Dependerão de um milagre na viagem ao Estádio Metropolitano Roberto Meléndez.

Depois da queda contra o Flamengo na Copa Sul-Americana de 2017, o Junior parece ter aprendido a lição. E os alvirrubros fazem uma campanha consistente nesta Libertadores, ao baterem oponentes difíceis. O Tiburón é o terror dos argentinos, ao despachar Lanús, Colón e Defensa y Justicia. As quartas de final contra o time de Sebastián Beccacece, aliás, se tornaram emblemáticas aos colombianos, diante do bom momento dos portenhos. Todavia, o espírito vencedor se reconhece nestes jogos mais delicados. E, juntando a classificação sofrida na Argentina à imponência que se viu em El Campín nesta quinta, o Junior apresenta seu potencial para reivindicar a taça.