Na última quarta-feira, o Toronto FC recebia o Vancouver Whitecaps no BMO Field, jogo de volta da final do Campeonato Canadense, que ocorre paralelamente a MLS e tem como grande atrativo a disputa da vaga do país na Concacaf Champions League. Na primeira partida, Vancouver e TFC empataram em 1 a 1. Precisando do resultado fora de casa, o Whitecaps chegou ao gol com Eric Hassli, aos 17 minutos do primeiro tempo.

Chovia muito em Toronto, o que foi deixando o campo bem ruim. A situação parecia piorar bastante quando vários raios começaram a cair em perto do BMO Field, ameaçando o estádio. Aos 59 minutos de jogo, a partida foi interrompida devido às circunstâncias que não favoreciam a prática do futebol. Após certo tempo de espera, o árbitro voltou ao campo e suspendeu a final, alegando que não havia condições de jogo. Até aí tudo normal e conforme as regras normais. Mas aí veio algo que só aumentou a bizarrice que é o Campeonato Canadense.

Já não bastava o campeonato ter apenas quatro times e Canadian Soccer Association ter mudado a estrutura do torneio quando o FC Edmonton entrou, beneficiando muito o Toronto FC, que enfrentou os novatos nas semifinais, enquanto o Vancouver teve um difícil encontro com o Impact de Montréal, que entrará na MLS na próxima temporada. Tinha que aparecer outra bizarrice e, provavelmente, é a pior de todas.

Aqui está a tradução da regra 3.12, encontrada no livro oficial de regras do campeonato, que foi aplicada no caso da partida entre TFC e W’Caps:

Se o jogo for suspenso antes da conclusão do tempo regulamentar de jogo por causa de extrema má condição de tempo ou por motivos fora do controle da equipe da casa, o jogo deve ser repetido integralmente no dia seguinte, evitando assim gasto adicional para os visitantes. Se não for possível jogar a partida no dia seguinte pelas mesmas razões, a partida pode ser adiada para o próximo dia, desde que ambas as equipes concordem. Se o jogo não puder ser jogado no terceiro dia, todas as despesas da equipe visitante devem ser divididas entre as duas equipes. A decisão será tomada, no máximo, duas horas depois do julgamento do árbitro, junto com as duas equipes em causa. Em caso de falta de acordo entre os dois clubes, o Comitê Organizador da CSA deve remarcar a partida e a sua decisão é a final.

Transferir o jogo para o dia seguinte, tudo bem. Mas invalidar os 59 minutos já jogados, tirar a vantagem do Vancouver e começar o jogo de novo? Tudo bem que todos os clubes concordaram com as regrais, pois assinaram os documentos. Mas é uma regra absurdamente bizarra vinda da CSA.

O jogo foi remarcado para o dia seguinte, às 11h no horário local. Mas o campo não havia melhorado suficientemente e os clubes nem entraram em campo. A partida deveria ser remarcada para a sexta-feira, mas os clubes tinham compromissos pela MLS no sábado, então não foi possível. A partida foi remarcada para o dia 2 de julho, bem no horário em que este colunista que vos fala estará voando. Ótimo, assim não me sentirei tentado a assistir mais um pedaço dessa bizarrice.

Bom, o resultado de tudo isso veio no sábado. O TFC recebeu o Philadelphia Union e dessa vez, nem Stefan Frei pode salvar os canadenses. O Union, que havia marcado apenas 8 gols em 10 jogos, goleou por 6 a 2 no campo que ainda parecia bastante ruim. Enquanto isso, o Vancouver empatou em casa com o New York Red Bulls, por 1 a 1, e demitiu o técnico Teidur Thordason em uma manobra bem ao estilo do Toronto.

O resumo do futebol canadense é triste. O TFC tem que agradecer e muito por não haver rebaixamento na MLS e o Vancouver vai tomando as mesmas decisões vistas em Toronto, caminhando na mesma estrada dos Reds. E a CSA não sabe nem montar um regulamento decente para o torneio mais importante do país.

Situação bastante triste do futebol na parte norte da fronteira. Tomara que o Impact de Montréal consiga melhorar um pouco o quadro em que se encontra o soccer no país da Maple Leaf.

Resultados da 11ª semana da MLS:

Seattle Sounders 0x1 FC Dallas
DAL: Brek Shea (18’)

Los Angeles Galaxy 1×0 Houston Dynamo
LA: Landon Donovan (45’)

New York Red Bulls 2×2 Colorado Rapids
NY: Thierry Henry (29’), Luke Rodgers (33’) / COL: Jeff Larentowicz (27’, 32’)

Toronto FC 2×6 Philadelphia Union
TFC: Maicon Santos (50’, 59’) / PHI: Gabriel Farfan (2’), Justin Mapp (11’, 62’), Kyle Nakazawa (44’), Danny Mwanga (72’, 89’)

Vancouver Whitecaps 1×1 New York Red Bulls
VAN: Eric Hassli (24’) / NY: Luke Rodgers (34’)

Colorado Rapids 1×1 Sporting Kansas City
COL: Conor Casey (13’) / KC: Ryan Smith (75’)

Real Salt Lake 1×2 Seattle Sounders
RSL: Nelson Gonzalez (87’) / SEA: Patrick Ianni (72’), Lamar Neagle (84’)

Columbus Crew 3×3 Chivas USA
CLB: Andes Mendoza (17’, 52’), Emmanuel Ekpo (64) / CHV: Nick LaBrocca (4’), Andrew Boyens (37’), Jorge Flores (57’)

Houston Dynamo 2×2 FC Dallas
HOU: Cam Weaver (42’), Colin Clark (87’) / DAL: Andew Jacobson (27’), Ugo Ihemelu (70’)

Chicago Fire 2×2 San Jose Earthquakes
CHI: Dominic Oduro (56’), Cory Gibbs (80’) / SJ: Ramiro Corrales (50’), Chris Wondolowski (74’)

New England Revolution 0x1 Los Angeles Galaxy
LA: Miguel López (69’)

Portland Timbers 2×3 DC United
POR: Jack Jewsbury (68’), Jorge Perlaza (88’) / DC: Perry Kitchen (13’), Chris Pontius (75’), Josh Wolff (85’)