O camisa 10 é uma figura especialmente mística no futebol sul-americano, ainda mais entre os argentinos. O armador de técnica acima da média, que faz o time orbitar em seu entorno e ordena os movimentos da bola como ninguém. E se o Independiente Santa Fe aparece tão forte nos últimos anos, é por causa desse cara. O craque que incorpora a aura do 10 clássico: Omar Pérez. Mesmo que seus companheiros errem, o meia cria tantas jogadas quanto forem necessárias para aproveitarem ao menos uma. Aconteceu aos 47 do segundo tempo no El Campín. Nos acréscimos finais, os colombianos garantiram a vitória por 1 a 0 sobre o Internacional e largam em boa vantagem no duelo pelas quartas de final Libertadores.

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O jogo do Santa Fe chama-se Omar Pérez. É um time que se defende com muita competência e espera o momento em que seu camisa 10 faça a chance, seja na precisão das bolas paradas ou no lampejo com a bola rolando. O Inter manteve-se atento por mais de 90 minutos. No entanto, contra um meia talentoso como o argentino, descuidar-se por segundos pode ser fatal. E em um erro de marcação no qual nem a trave e nem Alisson puderam salvar como das outras vezes, Mosquera anotou o gol custoso aos colorados.

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O primeiro tempo em Bogotá teve a cara da Libertadores. Não foi das melhores partidas em quantidade de chances criadas, mas contava com a vontade e com a pegada dos dois lados. Os lances ríspidos sobravam em campo e até irritaram o Inter. Só que, na pilha, os colorados jogavam bem menos do que poderiam. E os contra-ataques, que ajudaram contra o Atlético Mineiro, eram insuficientes contra a boa marcação do Santa Fe. No máximo, o time de Diego Aguirre assustou em chutes de longe, que sequer obrigaram o goleiro Castellanos a trabalhar.

O jogo melhorou para o segundo tempo. O Santa Fe atacava com mais ímpeto, mas também deixava mais espaços às costas da sua defesa. Por mais que o Inter acusasse o cansaço, acentuado pela altitude moderada de Bogotá e pela viagem, também tinha espaços para matar a partida no contragolpe. Porém, os visitantes sempre estiveram bem mais próximos de sofrer o gol do que de sair com a vitória. Rodrigo Dourado, em outra grande noite, comandava a proteção na entrada da área, mas as brechas no jogo aéreo eram enormes.

A partir dos 20 minutos, o Santa Fe começou a se impor no ataque e a acuar o Inter. Sempre graças à visão de Omar Pérez. Em chances criadas pelo camisa 10 na bola parada, os Cardenales acertaram a trave duas vezes em dois minutos, além de exigirem uma boa defesa de Alisson. Mais do que isso, o argentino ditava o ritmo e ajudava até mesmo na pressão defensiva sobre os colorados já no campo de ataque. Não fosse a falta de pontaria do ataque colombiano, um problema recorrente em outros jogos desta Libertadores, a vantagem poderia ter saído bem antes.

Enquanto se fechava, o Internacional espreitava o erro dos adversários. Ele aconteceu, por duas vezes. Mas acabou neutralizado também pelos desleixos do ataque colorado. Em uma bola na qual sairia na cara do gol, Lisandro López tropeçou e perdoou. Já Nilmar, que saiu do banco, deu velocidade ao time e aproveitou uma bola espirrada para ter a grande chance do time. De frente com o goleiro, tentou encobrir e viu Castellanos dar um leve desvio, antes de Mina afastar para a linha de fundo. O cheiro de empate estava no ar.

Para garantir ao menos a igualdade, Diego Aguirre tirou Lisandro López e se fechou de vez, com Réver reforçando a zaga. Mas não basta se retrancar sem atenção suficiente. Anchico, que deu muito trabalho pelo lado direito, forçou Alisson a intervir mais uma vez. Até que a maestria de Omar Pérez não falhasse. A defesa se descuidou de Mosquera, que cabeceou livre e finalmente estufou as redes. Em uma partida que poderia pender para qualquer um dos lados, o lance definiu a merecida vitória do Santa Fe aos 47 do segundo tempo.

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O Independiente Santa Fe vai ao Beira-Rio com a vantagem do empate e, se balançar as redes, também da derrota por um gol de diferença. Jogo que se desenha delicado ao Inter tanto pelas circunstâncias quanto pelas características do adversário. Os colombianos se defendem bem e possuem uma dupla de zaga alta, capaz de dar conta se o desespero bater e os chuveirinhos mandarem no ataque colorado. Além disso, há Omar Pérez, o cara capaz de mandar no relógio e criar perigo no mínimo espaço que tiver.

Time por time, o Internacional possui mais qualidade individual. Lisandro López errou mais do que deveria, D’Alessandro mal apareceu, Nilmar retornava após duas semanas fora e Valdívia não reafirmou a fase iluminada por centímetros. Na pressão pelo resultado em Porto Alegre, o quarteto terá que jogar mais. E os colorados também precisarão de consciência sobre os méritos do Santa Fe. Ser mais preciso, como aconteceu diante do Atlético Mineiro, é uma necessidade para seguir às semifinais.