Demorou para o jogo pegar no tranco. Corinthians e Flamengo faziam um confronto morno em Itaquera, aquém das expectativas naturalmente geradas pelo peso do duelo, nas oitavas de final da Copa do Brasil. No entanto, a meia hora final na Arena valeu bastante. E premiou uma atuação segura dos rubro-negros. O time de Abel Braga, apesar de manter o controle do jogo sem muita agressividade até meados do segundo tempo, conseguiu sublinhar sua superioridade na reta final. Evitou chances mais claras dos corintianos, atacou com mais contundência e encontrou o gol. William Arão determinou o triunfo por 1 a 0, ótima vantagem ao Fla rumo ao reencontro no Rio de Janeiro.

O primeiro tempo na Arena Corinthians mal é digno de nota. Uma partida arrastada, em que nenhum time parecia disposto a se expor. Que o Flamengo tivesse mais a posse de bola, não demonstrava muita inspiração no ataque. Exceção feita a uma cabeçada de Léo Duarte para fora, as emoções foram limitadíssimas nos 45 minutos iniciais. Os corintianos se satisfaziam na defesa, tentando apertar a marcação um pouco mais apenas no começo do duelo. Já os flamenguistas apareciam pensos ao lado esquerdo, buscando Bruno Henrique, mas vendo seu ataque sem muita conexão. Éverton Ribeiro buscou um lance ou outro, nada capaz de desequilibrar.

O jogo, além do mais, era bastante truncado e a bola pouco rolava entre as muitas paradas. O segundo tempo não mudou imediatamente o marasmo. O confronto só melhorou depois das alterações. Fábio Carille colocou Pedrinho e Jadson no Corinthians. Enquanto isso, Abel Braga acionou Diego, organizando mais o time, no lugar de Arrascaeta. Os rubro-negros foram bem mais felizes na alteração, controlando o meio-campo e chegando mais vezes à linha de fundo. Foi quando, finalmente, o cenário se abriu.

O Corinthians não seria mero espectador. Danilo Avelar forçou a primeira defesa da noite, já aos 19 minutos, em chute que Diego Alves espalmou. Do outro lado, a resposta do Flamengo viria com Bruno Henrique, tirando tinta do travessão em batida de primeira. Os dois times se empenhavam mais à frente. Só que, enquanto os corintianos forçavam cruzamentos e chutes de média distância, os flamenguistas conseguiam trabalhar melhor seus lances. Bruno Henrique quase aproveitou um ótimo passe de Diego aos 26, parando em Cássio. Já aos 33, saiu o gol. Bruno Henrique cruzou e William Arão apareceu como elemento surpresa, subindo para cabecear. Garantia a diferença no placar.

A partir de então, o Corinthians se adiantou em campo e o Flamengo tinha mais espaço para atacar em velocidade. O time não teve muito sucesso em suas investidas, mas criou para fazer mais. Enquanto isso, os alvinegros tentavam um respiro, mas viam a defesa rubro-negra manter o foco total nos cortes. Clichê nos últimos tempos, Cuéllar fez outra partidaça. Rodrigo Caio foi outro que apareceu bem no miolo de zaga, em um momento consistente no clube, apesar dos erros pontuais. Ao final, decepção sobre o Corinthians, em uma apresentação acomodada e pouco valente ao que se espera de um time apoiado por sua torcida.

A situação é muito boa ao Flamengo. Os rubro-negros têm mais time e demonstraram sua superioridade sobre o Corinthians. Terão a vantagem de segurar o empate contra um adversário que deve bastante ofensivamente – e podendo explorar o contragolpes, uma virtude diante da qualidade individual disponível ao Fla. Se souberem matar o jogo (o que não aconteceu contra o Peñarol, vale lembrar), as chances de uma classificação tranquila são razoáveis. Enquanto isso, os corintianos terão pouco tempo para se recuperar e para apresentar um plano de jogo diferente, depois de uma exibição tão insuficiente como a desta quarta.