Robin van Persie atravessa os últimos meses de sua carreira. O atacante apontou que deverá se aposentar ao final da temporada e, enquanto o momento não chega, desfruta cada partida com o Feyenoord de seu coração. A temporada não é boa para o clube de Roterdã, mas ainda assim o velho craque tem os seus brilhos. O mais reluzente, contudo, ficou para o último clássico contra o Ajax pela Eredivisie. Dentro do efervescente De Kuip, esperava-se um jogaço. De fato, ao longo do primeiro tempo, viu-se um jogaço. Duelo aberto entre dois times que faziam acontecer e buscavam a vitória, com a virada parcial dos anfitriões por 3 a 2. Só que a história da partida sofreria uma reviravolta. Veria o Feyenoord amassar seus rivais nos contra-ataques. Ao final, os 6 a 2 no placar representam um grande baque aos Godenzonen. Representam, sobretudo, a lenda de Van Persie, ovacionado pelos torcedores após dois gols e participação em outros dois.

Seria injusto dizer que Van Persie carregou o time. O ataque do Feyenoord teve atuação excelente, com menções especiais ainda a Jens Toornstra e Steven Berghuis. Os dois, aliás, até jogaram melhor que o veterano – substituído após o quarto gol. O clássico em Roterdã, independentemente disso, precisava ter um dono e as lembranças sobre a despedida do artilheiro se tornam inescapáveis. Antes de deslanchar ao passeio, porém, os anfitriões precisaram sofrer. E o Ajax começou o primeiro tempo justificando o seu favoritismo. Dominava a posse de bola, pressionava no ataque e abriu o placar aos oito minutos, em uma cobrança de falta de Lasse Schöne.

 

O Feyenoord começou a reescrever a história do jogo aos 16 minutos, logo em sua primeira finalização, quando arrancou o empate. Em boa construção ofensiva, o cruzamento da direita ficou com Toornstra, que mandou para dentro. Aí sim começou a partida memorável. E não seria exagero dizer que esta meia hora final do primeiro tempo guardou uma das melhores exibições da temporada europeia. Foi um embate aberto, entre times que sabiam trabalhar os passes e ir para cima, apesar dos desleixos defensivos. Nenhum deles cedeu.

A insistência maior dos anfitriões resultou no empate aos 31, com Van Persie fundamental no pivô à frente da área. Abriu um rombo na defesa adversária e permitiu que Toornstra cruzasse para Berghuis concluir. O empate veio dois minutos depois, em lance de insistência do Ajax, com três chutes até Hakim Ziyech estufar as redes. E a vantagem parcial do Feyenoord rumo ao intervalo seria garantida por Van Persie, aos 42. Uma rebatida no meio permitiu que Toornstra avançasse e rolasse para o artilheiro concluir. Mesmo assim, ninguém ousaria dizer que o jogo estava resolvido.

E não estava porque o Ajax ainda tinha um pouco mais de posse de bola, mas nem de longe a objetividade do Feyenoord. As chances iam surgindo, até Van Persie dar um pouco mais de segurança aos 11, desimpedido para completar de chapa o cruzamento de Berghuis. Os Godenzonen tentaram partir para cima logo depois, com as entradas de David Neres e Daley Sinkgraven. Donny van de Beek não escondeu a revolta ao ser substituído, juntamente com Lisandro Magallán, que não achou Van Persie. E o veterano não demoraria a sair, aplaudidíssimo pela torcida ao dar lugar para Nicolai Jorgensen.

Caberia ao Ajax pressionar e ao Feyenoord defender. Ziyech até carimbou a trave. Todavia, não foi exatamente isso que se refletiu no placar. Os contragolpes abriram uma avenida aos anfitriões, que anotaram mais dois gols aos 30 e aos 39. O primeiro foi de Tonny Vilhena, completando um cruzamento com a defesa escancarada. Massacre concluído por Yassine Ayoub, batendo no cantinho após outro erro na saída dos rivais. Era mesmo um clássico de lenda em Roterdã.

Mais do que a goleada, a vitória encerra o fim de um jejum ao Feyenoord. Desde 2012 que o time não batia o Ajax pela Eredivisie, em total de 13 partidas na seca. Além disso, é o maior placar aplicado pelo clube de Roterdã desde 1960. Uma pena que, aparentemente, o triunfo só represente um ponto fora da curva no campeonato. O Feyenoord é o terceiro colocado, com 39 pontos, a oito de alcançar o Ajax. Melhor ao PSV, que agora abre cinco pontos de vantagem sobre os Godenzonen na liderança. A chance de título a Van Persie e seus companheiros se concentra mesmo na Copa da Holanda. E o próximo desafio é sugestivo: novo clássico no De Kuip, válido pelas semifinais.


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