O Japão é um natural favorito ao título da Copa da Ásia. A força regional desde a criação da J-League rendeu quatro títulos continentais em oito participações do país no torneio, enquanto a boa campanha na Copa do Mundo de 2018 também serve de referência aos Samurais Azuis. No entanto, a equipe passa por um período de mudanças. Hajime Moriyasu assumiu o comando técnico e vem promovendo uma renovação no elenco, sem contar com alguns de seus medalhões – aposentados da seleção ou não. Além disso, a lesão de Shoya Nakajima, grande aposta do país, também preocupou. Ainda assim, os nipônicos permanecem com um plantel forte e provam seu valor. O cruzamento às oitavas de final foi bastante ingrato, botando a Arábia Saudita pelo caminho. Em um jogo difícil, os japoneses cumpriram sua missão e venceram por 1 a 0. Pegarão o Vietnã na próxima etapa.

Japão e Arábia Saudita pode não ser propriamente um clássico regional na Ásia, mas reúne duas das seleções mais imponentes nas últimas décadas. Desde 1984, sete dos nove títulos continentais disputados ficaram com uma das equipes. Além disso, foram duas finais entre si, em 1992 e 2000, ambas pendendo para os nipônicos. E a hegemonia no confronto direto permaneceu ao lado dos Samurais Azuis, com o time montado por Hajime Moriyasu funcionando para conter a posse de bola dos Falcões Verdes.

Assim como manda a cartilha de Juan Antonio Pizzi, a Arábia Saudita teve mais iniciativa e começou pressionando o Japão. Via os adversários se defenderem muito bem, fechando os espaços e dificultando as finalizações. Os Samurais Azuis baseariam o seu jogo na velocidade dos contragolpes e tiveram o caminho facilitado aos 20 minutos, quando abriram o placar em uma bola parada. Cobrança de escanteio feita por Gaku Shibasaki, conectando Takehiro Tomiyasu. O zagueiro subiu com liberdade e a cabeçada cruzada não deu chances de defesa.

Tomiyasu também fazia grande partida defensiva ao lado de Maya Yoshida, trancando a área do Japão. O jovem de 20 anos, atleta do Sint-Truiden, não deixou os seus compatriotas sentirem a ausência de Gen Shoji – outro de fora nesta Copa da Ásia. E bem que a Arábia Saudita tentou empatar no primeiro tempo. Seu ataque era travado pelos Samurais Azuis e, na melhor chance, aos 35, Hatan Bahebri não acertou o pé. A finalização cheia de curva passou ao lado da trave japonesa, assustando os oponentes.

O cenário não mudou muito durante o segundo tempo, entre a pressa saudita e o esforço nipônico. Os goleiros começaram a aparecer um pouco mais. Salem Al Dawsari parou em uma boa defesa de Shuichi Gonda, enquanto a cabeçada de Yoshida ficou nas mãos seguras de Mohammed Alowais. Durante os primeiros minutos, o Japão ainda encaixou jogadas de maneira mais frequente, em contra-ataques ou nas perigosas bolas paradas de Shibasaki. Na melhor das oportunidades, Wataru Endo quase ampliou de cabeça. Todavia, a insistência era mesmo da Arábia Saudita, atrapalhada por seu desespero na hora de definir ante a firmeza adversária. Os Falcões Verdes martelaram ao redor da área japonesa e fatalmente criaram as suas chances, sobretudo de média distância. A falta de pontaria pesou contra. O final suado premiou o esforço dos Samurais Azuis.

Com a vitória, o Japão dá uma prova contundente de força nesta Copa da Ásia. O favoritismo aumenta para o duelo nas quartas de final contra o Vietnã, que conta com uma equipe promissora e não sentiu o peso da responsabilidade ao virar contra a Jordânia neste domingo. O caráter do duelo mudará bastante aos nipônicos, que precisarão de mais iniciativa para confirmar seu poderio. De qualquer maneira, não se duvida da qualidade do time, mesmo com as ausências e as renovações.