O Japão é o único asiático que deve se salvar na Copa

Depois do sorteio dos grupos do Mundial, a seleção japonesa é a que ficou mais esperançosa em relação à classificação às oitavas. Confira a análise

Ainda é cedo para cravar os resultados dos jogos das 32 seleções que estarão no Brasil no ano que vem. Mas já é possível analisar as forças de cada grupo e teorizar o que pode vir a acontecer na primeira fase da competição. No tocante aos quatro países filiados à AFC (Austrália, Coreia do Sul, Irã e Japão), o sorteio significou para alguns praticamente a eliminação precoce, mas há seleções que podem sonhar em superar a fase de grupos. Veja o que cada seleção poderá fazer na Copa do Mundo.

Austrália

A federação australiana acertou ao demitir o alemão Holger Osiek depois das goleadas de 6 a 0 para Brasil e França, mas isso não quer dizer que Ange Postecoglou fará um grande trabalho. Precisando diminuir a alta média de idade do elenco, o jovem técnico australiano parece não ter tempo para introduzir mudanças tão importantes.

Cair no Grupo B foi um grande desastre para a Austrália, que é a força mais fraca da chave, muito aquém de Espanha, Holanda e Chile. É impensável que os Socceroos vençam. O máximo que a equipe pode alcançar é um empate. Os australianos devem comemorar o fato de terem garantido sua terceira participação consecutiva em Copas do Mundo.

Japão

Os japoneses são a melhor seleção da Ásia e de vez em quando encaram em igualdade seleções europeias, como no empate diante da Holanda (2 a 2), após estar perdendo por 2 a 0, e a vitória diante da Bélgica (3 a 2). Mas o Grupo C não será nada fácil. A principal força da chave é a Colômbia, favorita à liderança.

As outras três seleções do grupo (Japão, Costa do Marfim e Grécia) têm condições de avançar, e a ordem dos confrontos pode resolver a situação. Enquanto os gregos enfrentam a Colômbia na estreia, marfinenses e japoneses podem ter embate direto pela segunda vaga da chave. Os africanos levam vantagem com relação ao clima, pois o jogo será em Recife.

Por outro lado, é pouco provável que os atletas nipônicos sofram tanto com o calor, até porque devem se preparar em algum lugar de clima quente, já que as três partidas serão em Recife, Natal e Cuiabá. Não se pode negar que a baixa média de idade do elenco, que no último amistoso teve dois atletas com 30 anos (os mais velhos), ajuda o Japão, que tem velocidade e a experiência de alguns jogadores de times alemães.

Triunfo nipônico contra os africanos deixa a equipe bem perto da vaga, pois o jogo diante da Colômbia será apenas o terceiro. Assim, a final de Copa do Mundo para o Japão será contra Costa do Marfim.

Irã

A seleção asiática mais fraca na Copa do Mundo 2014. O técnico português Carlos Queiroz sabe que precisa do capitão Javad Nekounam, 33 anos, que terá perto de 34 durante a competição, já que Ali Karimi finalmente se aposentou. A base do time atua no Irã, exceto alguns poucos em times médios da Europa, como o meia Ashkan Dejagah, do Fulham.

A esperança de o Irã passar da fase de grupos pela primeira vez na história já era pequena, e ficou nula com o sorteio. Participar do Grupo F, com uma força do primeiro escalão (Argentina) e uma nova seleção (Bósnia-Herzegovina), com atletas experientes e talentosos, tira qualquer possibilidade de classificação.

A única chance de o Irã não terminar sem pontos, o que seria inédito, é justamente a estreia, em Curitiba, contra a Nigéria. Talvez o frio paranaense jogue mais a favor dos asiáticos que das Super Águias, que têm chances de avançar. Um empate contra os africanos ficaria de bom tamanho para os comandados de Queiroz, que devem ser superados por Argentina e Bósnia.

Coreia do Sul

A seleção sul-coreana não é a mesma de junho/2013, quando era comanda pelo técnico local Choi Kang-Hee. Em crise técnica, a equipe quase perdeu a vaga direta na Copa do Mundo, cumpriu o que dela se esperava – com grandes ressalvas –, mas se viu em novo horizonte com a saída de Kang-Hee. Hong Myung-Bo, ex-auxiliar no Anzhi, assumiu e mudou a cara da equipe.

Sob o novo comandante, a Coreia do Sul conquistou bons resultados, como a vitória contra a Suiça (2 a 1) e a derrota diante da Croácia por apenas 2 a 1 – em fevereiro, o adversário havia goleado por 4 a 0. Pena que os sul-coreanos caíram no Grupo H, junto de Bélgica, Rússia e Argélia. Os asiáticos podem passar de fase, mas a julgar que os belgas ficam com a primeira vaga, o confronto diante da Rússia, na estreia, é capital.

Os dois se enfrentaram em novembro, com vitória russa de virada (2 a 1). Jogar às 19h em Cuiabá também não será fácil para o adversário. A chance da Coreia do Sul é menor que a do Japão, mas não será grande zebra ver os dois nas oitavas de final. Só é improvável sonhar com algo além disso para os asiáticos.

Copa do Mundo Sub-17 e Sub-20

– Ásia e Oceania serão protagonistas nos próximos mundiais de base. Em 2015, o torneio sub-20 será na Nova Zelândia, e no dia do sorteio das chaves do Mundial 2014, a Fifa escolheu a Coreia do Sul como sede de 2017. O país superou França, México e Polônia. No sub-17, a Índia vai sediar a edição de 2017, deixando para trás Irlanda, África do Sul, Uzbequistão e Azerbaijão. Tudo porque Blatter sonha em aumentar o nível do futebol local, ávido por consumidores no país de 1,2 bilhão de pessoas, quem sabe uma Copa do Mundo no futuro (só uma opinião do colunista).

A League

– Na Austrália, o Brisbane Roar aumentou para cinco pontos a distância na liderança, já que o Western Sydney tropeçou. Newcastle Jets e Sydney vêm logo atrás, com 15. É bom lembrar que os dois primeiros já se garantem nas semifinais, enquanto do terceiro ao sexto colocados se enfrentam em duas eliminatórias, por duas vagas.

Iran Pro League

­– No Irã, Tractor Sazi e Naft Tehran continuam na frente, ambos com 32 pontos. O Persepolis vem em terceiro, com 29, fechando a zona de classificação para a LC da Ásia. O Sepahan perdeu contato com os líderes, ficando em sexto, com 26.

J League

– Em final de temporada eletrizante, o Sanfreece Hiroshima contava com tropeço do Yokohama Marinos na última rodada, o que aconteceu. Segundo título da J League na história, com ambos se garantindo na LC da Ásia 2014, ao lado do Kawasaki Frontale, terceiro.

Saudi Pro League

– Na Arábia Saudita, o Al Nassr continua no topo da tabela, com 30 pontos, quatro a mais que o Al Hilal. Os dois já se desgarraram dos adversários. O Al Ittihad, de Jóbson, tem apenas 15 pontos, na oitava posição.