As federações de Japão e Bélgica possuem uma boa relação. Basta notar o hábito que se estabeleceu ao longo das últimas três Copas do Mundo: no final do ano anterior à competição, as duas seleções disputam um amistoso preparatório. Os Samurais Azuis se deram melhor em 2009 e em 2013, enquanto os Diabos Vermelhos triunfaram em 2017. Quando se encontraram pela última vez, os oponentes certamente não imaginaram o que os aguardaria nesta segunda. E tal proximidade tem sua marca mais profunda há 16 anos. Na primeira rodada da Copa de 2002, os japoneses estrearam diante de sua torcida justamente enfrentando os belgas. Excelente jogo em Saitama, sobretudo no segundo tempo. O empate por 2 a 2 beneficiaria as duas equipes rumo às oitavas de final daquele Mundial.

A Bélgica vivia um momento de entressafra. Até possuía alguns bons jogadores, encabeçados por Marc Wilmots e Daniel van Buyten, mas era uma geração inferior à que manteve as ambições do país nos Mundiais dos anos 1990 e ainda mais se comparada ao timaço dos anos 1980. O Japão, pelo contrário, vivia a sua ascensão. Depois de estrear na Copa de 1998, esperava uma campanha afirmativa diante de sua torcida. Também contava com seus talentos, principalmente do meio para frente, onde brilhava Hidetoshi Nakata.

O primeiro tempo em Saitama foi morno. O Japão mantinha a posse de bola, mas não conseguia romper a defesa adversária. Enquanto isso, a Bélgica levava vantagem em sua imposição física e explorava os contra-ataques, ameaçando meta de Seigo Narazaki. Contudo, foi apenas depois do intervalo que a emoção tomou conta do duelo. A começar por um golaço, aos 12 minutos da etapa complementar. Bola na área e Wilmots virou uma meia-bicicleta fabulosa, sem qualquer chances de defesa. Logo tão cedo, um dos tentos mais bonitos do Mundial.

O Japão, porém, logo reagiria. E viraria o placar em dez minutos. O empate saiu aos 14. Shinji Ono deu um belíssimo lançamento, Takayuki Suzuki se aproveitou da indecisão da defesa adversária e não perdoou. A torcida se empolgou e a atmosfera em Saitama se transformou, com a massa empurrando os nipônicos. E depois de outra boa chance, a virada se consumou aos 22. Belíssimo lance de Junichi Inamoto, que cortou a marcação na velocidade e, de frente para o gol, encheu o pé para estufar as redes.

A empolgação japonesa, entretanto, não durou muito. O novo empate saiu aos 30 minutos. Parecia uma bola sob controle aos anfitriões, mas o sistema defensivo errou o seu posicionamento, ao tentar fazer uma linha de impedimento. Melhor para o lateral Peter van der Heyden, que se aproveitou do desleixo para ficar em ótimas condições. De frente para Narazaki, deu um sutil toque por cobertura antes de correr para o abraço. Nos instantes finais, os torcedores nipônicos até comemoraram o terceiro gol, mas o tento de Inamoto foi anulado por uma falta anterior. Ainda assim, era um resultado razoável às duas equipes, além de representar o primeiro ponto conquistado pelos Samurais Azuis na história das Copas.

Na sequência da fase de grupos, o Japão confirmaria seu ótimo time. Derrotou Rússia e Tunísia, assegurando a primeira colocação do Grupo H. Já a Bélgica só empatou com os tunisianos, ficando com a segunda colocação depois de um jogo intenso contra a Rússia, em que a vitória por 3 a 2 valeu a classificação. Nas oitavas de final, porém, tristeza a ambos os países, diante de Turquia e Brasil. Desta vez, 16 anos depois, um deles poderá dar um passo à frente.


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