O Irã entrou na Copa da Ásia como favorito ao título. O trabalho de Carlos Queiroz se consolidou e os persas já se afirmavam com a melhor equipe do continente nos últimos anos. O Team Melli sobrou nas Eliminatórias e, na Copa, apesar da eliminação na primeira fase, ameaçou bastante os gigantes de sua chave. Falta, porém, sublinhar esta qualidade no principal torneio da região. Após a eliminação no insano jogo contra o Iraque na Copa da Ásia de 2015, os iranianos vieram bem mais tarimbados para os Emirados Árabes Unidos desta vez. E isso se nota a cada fase. Muito seguro de suas virtudes, o Irã mantém sua firmeza defensiva, ainda sem sofrer gols na competição. Além disso, o seu ataque produz bastante e, nesta quinta, atropelou China. Sem perdoar os erros defensivos, os persas construíram a vitória por 3 a 0 e avançaram às semifinais. Farão um grande jogo na próxima etapa, contra o Japão.

Ao longo dos últimos anos, Carlos Queiroz garantiu o sucesso de seu time a partir de um sistema defensivo muito bem montado. Todavia, concomitantemente, o Irã viu o desabrochar de uma geração talentosa de jogadores do meio para frente. E se as vitórias costumam ser magras, nesta Copa da Ásia a linha de frente vai demonstrando a sua capacidade. O retorno de Sardar Azmoun foi muito bem-vindo ao time, após desistir de sua precoce aposentadoria da equipe nacional, e o atacante faz um ótimo torneio. Mehdi Taremi é outro que brilha no apoio, enquanto Ashkan Dejagah e Alireza Jahanbakhsh (este, recuperado de lesão recente) são ótimas armas pelos lados. Do banco, ainda surgem nomes como Saman Ghoddos e Karim Ansarifard.

Nesta quinta, a China até deu o primeiro susto em Abu Dhabi. Hao Junmin poderia ter aberto o placar aos seis minutos, mas Ramin Rezaeian conseguiu fazer o corte salvador na pequena área. A partir disso, os persas dominaram as ocasiões. Aproveitavam a velocidade de seu ataque e iam criando oportunidades. O primeiro lance de perigo veio com Azmoun, mas Zheng Zhi salvou em cima da linha. Já aos 18, o Team Melli abriu o placar. A partir de um chutão da defesa iraniana, Feng Xiaoting falhou miseravelmente e permitiu que Azmoun roubasse a bola. Com o caminho aberto, o atacante rolou para Taremi completar às redes vazias.

O Irã poderia ter aplicado uma goleada a partir de então. Taremi perdeu uma chance com o gol aberto logo depois, além de ter reclamado de um pênalti. O segundo gol, de qualquer maneira, não tardaria. Aos 31, mais uma bola longa da defesa, que Taremi deu uma casquinha. A zaga da China não conseguiu proteger e Azmoun ganhou na velocidade, driblando o goleiro antes de arrematar. Presente a partir destas quartas de final, o VAR foi utilizado para avaliar uma possível falta do camisa 20 no lance, mas a jogada foi normal. Enquanto isso, a China ainda tentou se manter no jogo, mas esbarrava na muralha persa.

Apesar da necessidade dos chineses, quem voltou ao segundo tempo mandando era o Irã. Durante os primeiros 15 minutos, os persas insistiram no terceiro gol, mas o goleiro Yan Junling defendeu a oportunidade mais clara, de Ehsan Hajisafi. Depois disso, coube aos iranianos administrarem a vantagem a partir de sua defesa, neutralizando a China. Raros foram os esboços de reação dos adversários, com o goleiro Alireza Beiranvand mantendo seu uniforme incólume. E, nos acréscimos, Ansarifard fechou o caixão. Pela terceira vez, a defesa adversária se embananou na hora de cortar uma bola longa. Taremi roubou a posse e enfiou para o substituto, com o caminho livre para resolver. Atuação contundente que dá mais força à campanha iraniana. Diferentemente de outras seleções tarimbadas, o time de Carlos Queiroz justifica as expectativas com suas exibições.

O Japão no caminho do Team Melli

Mais cedo, o Japão também confirmou a sua classificação às semifinais. E os Samurais Azuis encararam dificuldades maiores para superar o Vietnã, grata surpresa da competição. O time de Hajime Moriyasu conquistou a magra vitória por 1 a 0, graças à marcação de um pênalti possibilitado pelo VAR. Embora tenham feito uma campanha melhor que a dos iranianos na última Copa do Mundo, os japoneses se mostram em um grau de evolução inferior ao dos adversários nas semifinais, até pela renovação recentes. O favoritismo será dos iranianos – que, no entanto, precisarão lidar com a sentida suspensão de Taremi, pelo acúmulo de cartões amarelos.

Contra o Vietnã, o Japão começou a partida dominando a posse de bola, mas encontrava dificuldades para romper a marcação adversária. Os melhores momentos dos Samurais Azuis aconteciam a partir das bolas levantadas na área. Maya Yoshida chegou a balançar as redes, mas o árbitro flagrou o toque no braço e, através do VAR, anulou a jogada. Além disso, o goleiro Dang Van Lâm realizou uma defesaça em cabeçada de Takehiro Tomiyasu. Antes do intervalo, ainda operaria outro milagre no mano a mano com Takumi Minamino. Não quer dizer, porém, que os vietnamitas foram meros espectadores na primeira etapa. Longe disso. Os azarões levaram perigo quando adiantaram a pressão sem a bola e também incomodaram bastante nos contra-ataques, puxados por Nguyen Công Phuon. Tiveram também chances para sair em vantagem.

No segundo tempo, o Japão conseguiu transformar seu controle do jogo em vantagem. Contou com a participação ativa de Ritsu Doan, habilidoso meia que desequilibrou. A revelação de 20 anos sofreu um pênalti, que só acabaria confirmado após a revisão no vídeo. Aos 12 minutos, o próprio Doan converteu e garantiu o triunfo japonês. A diferença no placar deu mais tranquilidade aos Samurais Azuis, que passaram a se impor no ataque e só não conseguiram aumentar o placar por causa das boas defesas de Dang Van Lâm. Na única oportunidade de empate aos vietnamitas, Nguyen Phong Hong Duy errou o alvo por centímetros.

O confronto pelas semifinais está marcado para a próxima segunda-feira, em Al Ain. Será o quarto duelo entre os países pela Copa da Ásia, o primeiro desde 2004. O retrospecto é favorável aos japoneses, que ganharam um dos jogos e empataram os outros dois. O lendário Kazu Miura anotou o gol no triunfo pela fase de grupos de 1992. No cartel geral, os iranianos se dão melhor, com nove vitórias e seis empates em 21 partidas. O único jogo nesta década aconteceu em 2015. O amistoso em Teerã terminou com o placar de 1 a 1.