por Raphael Zarko (@raphazarko)

Cássio contou que fez defesas incríveis, daquelas cinematográficas. Até os adversários comentaram que a bola do Diego Souza, na Libertadores de 2012, era pinto perto do que ele fez no jogo contra o Milionários, na noite de quarta-feira.

Tite estava encantado. O seu time atuou com intensidade e fluência, segundo suas palavras, das poucas que pronunciou ainda na saída do estádio do Pacaembu.

Para o zagueiro Paulo André, que já antecipava o lançamento do seu livro sobre o que só ele viu naquela noite perfeita no estádio municipal de São Paulo, “foram os melhores 90 minutos que fiz com a camisa do Corinthians. Aliás, com qualquer camisa”.

Do banco de reservas, os corintianos faziam a festa. Jorge Henrique, que não conseguia ficar parado, filmava a partida para registro pessoal e histórico. Possivelmente, seriam as únicas imagens daquele jogo. O problema é que ele perdeu, para variar, o único gol do jogo.

Isso mesmo. O Corinthians foi perfeito, mas venceu apenas por 1 a 0.

“É o que chamo de goleabilidade”, disse aquele que vocês sabem quem.

O gol foi de Alexandre Pato, dizem. Ele era o que mais lamentava as portas fechadas no Pacaembu. Dizia que se Felipão tivesse assistido a partida, ele seria chamado novamente para a seleção. Renato Augusto nutria a mesma esperança. Eles contaram, sem contestações, que fizeram diabruras em campo, que se entenderam muito bem.

– Senti falta das câmeras. Das entrevistas. Sempre consigo ver meu reflexo no visorzinho delas no intervalo e no fim da partida – disse Pato, já de banho tomado, indo para casa. As entrevistas aconteceram do portão para fora do Pacaembu.

Mas nem tudo foi bonito de não se ver no jogo. Da pista lateral interna do estádio, Emerson Sheik assistia a partida de carrão importado. Era mais uma prova de rebeldia contra a injustiça e as mentiras contra este craque genuinamente brasileiro. Na carona, ele, Andrés Sanchez. E não é que Andrés arranjou problema sem torcida, sem imprensa, sem nada?

A confusão ficou mal explicada. Mas quem viu – foram poucos… – diz que um jogador colombiano se aproximou do carrão de Sheik e disse:

– Bonito carro. Mas na Colômbia a gente costuma carregar mulheres em carrões. Mas te entendo, tem gente que leva droga também – disse, ele, olhando para o Sheik.

Revoltado, Andrés tomou as dores, se levantou e perguntou se sabia com quem aquele colombiano de merda estava falando. No que o nosso vizinho rebateu: “Sei sim. E você, sabe que sou do Millonarios?”

Andrés entendeu como deboche e saiu do estádio na mesma hora pedindo punição ao time colombiano.

– Esses caras vêm aqui e se aproveitam da nossa condição para tirar essa com a nossa cara, que somos do povo. Não sou milionário, mas já ganhei muito dinheiro também – dizia Andrés na saída do Pacaembu, que se confundiu e chegou a reclamar de censura quando foi procurar um radialista para desabafar no intervalo e não encontrou nada.

Na noite perfeita no Pacaembu, o jogo terminou com a sensação de dever cumprido. O Corinthians, que só informou o resultado e os lances aos milhões de torcedores através do Twitter do clube, foi mais que perfeito. Do lado de fora, porém, o que os olhos não viram, as lentes dos repórteres-cinematográficos conseguiram registrar levemente de prédios a quilômetros de distância. Azar teve o Millonarios. Eles entraram mudos e saíram calados, segundo punição imposta pelo Corinthians. Só houve uma versão da noite invisível do Timão.