O investimento pesou: Paulinho decidiu no último minuto e colocou o Guangzhou na semifinal

O América desperdiçou muitas chances e viu o brasileiro aproveitar a sua vitrine, participando de maneira essencial na virada

Quando Paulinho aceitou a proposta do Guangzhou Evergrande, tomou uma decisão radical para a sua carreira. Por mais que não tenha se firmado no Tottenham, o meio-campista seguia com mercado em grandes centros do futebol. No mínimo, voltaria como um rei ao Brasil. Mas, aos 27 anos, ele optou por fazer a sua fortuna no futebol chinês. E, mesmo afastado dos olhares cotidianos dos torcedores ocidentais, aproveitou a grande (e praticamente única) vitrine que tem no clube para ressaltar seu talento. Paulinho assumiu a responsabilidade e carregou o Guangzhou às semifinais do Mundial de Clube. Participou do primeiro gol e fez o segundo nos acréscimos, para bater o América do México por 2 a 1 e encarar o Barcelona na competição.

Como conjunto, o América estava um passo à frente no duelo com o Guangzhou. Mas viu as individualidades dos chineses pesarem. Os mexicanos foram dominantes durante a maior parte do jogo, embora não tenham conseguido converter isso em vantagem no placar. Pelo contrário, a equipe de Ignacio Ambriz perdeu gols aos montes entre o primeiro tempo e o início do segundo. Por mais que Darwin Quintero e Dario Benedetto chamassem o jogo, a pontaria das Águilas não ajudava. O time cometia muitos erros de frente para o gol e, quando acertavam, paravam no goleiro Li Shuai – ou no travessão, como Paolo Goltz em cobrança de falta. Somente aos 10 da segunda etapa é que o melhor time em campo conseguiu abrir o placar, em cabeçada fulminante de Oribe Peralta, livre na área.

Entretanto, se o América tinha mais força, o Guangzhou oferecia mais opções para virar o jogo. A desvantagem fez com que Felipão mandasse o seu time à frente. E, quando a sua defesa deixou de ser testada, o ataque mostrou os seus valores. Robinho e Elkeson não se saíram bem, mas Paulinho e Ricardo Goulart bastaram para buscar a virada. O tento de empate saiu aos 35, com Zhen Long, após arrancada de Paulinho da intermediária. Já aos 47, o meio-campista se tornou salvador. Aproveitou a saída desastrada do goleiro Miguel Muñoz para desviar de cabeça e classificar o seu time à semifinal.

O fato de vir sem tanta badalação desta vez não ajudou o América. O time até pareceu mais leve do que a maioria dos mexicanos no Mundial, sempre sob o peso de grande expectativa. Mas o excesso de chances desperdiçadas minou o seu caminho. Já o Guangzhou ficou aquém de seu potencial, pelo menos ofensivamente. Para quem investe tanto, os homens de frente deixaram a desejar. Só que a preocupação fica com a defesa. Se as brechas deste domingo se repetirem contra o Barcelona, já podem esperar uma goleada histórica.

De qualquer maneira, neste momento, o objetivo do Guangzhou já está cumprido. Vencer a estreia e ter a chance de enfrentar o melhor time do mundo em 2015 – independente do resultado do Mundial. Será a oportunidade de buscar um pouco mais de visibilidade, o que já aconteceu contra o Bayern de Munique em 2013. Mas, quem sabe, fazendo um papel melhor do que os 3 a 0 contra os bávaros daquela vez. Os chineses podem dar algum susto, dependendo de seus craques brasileiros. E se algum deles quiser um trampolim à Europa, esta será a brecha. Paulinho já se aproveitou da primeira porta que abriu.