A torcida enlouquecida pedia o nome de Seijas. Demorou a ser atendida. Mas, quando o venezuelano foi chamado do aquecimento e correu até o banco de reservas, o Beira-Rio comemorou como um gol. Era uma opção ofensiva a mais para um time que dependia da vitória. Quando ele se posicionou à beira do campo e o quarto árbitro subiu a placa, no entanto, ficou a ponta de decepção. Justo o Valdívia sairia? Justo o cara que abriu o placar diante da Ponte Preta e que, mesmo não jogando tão bem, poderia ser outro diferencial? A euforia se combinou também como o desapontamento pela falta de ousadia. Ao apito final, vieram as vaias. E, minutos depois, a notícia de que Celso Roth não é mais o técnico do Internacional.

Difícil encontrar alguém que, em sã consciência, tenha achado a contratação do treinador uma boa. Talvez nem mesmo os membros da diretoria colorada. Ainda assim, resolveram apostar na “mística” do comandante que fecha a casinha e segura o resultado para evitar o desastre, quando a queda livre se iniciara com Argel e Falcão. O defensivismo de Roth, entretanto, custou mais caro do que trouxe benefícios ao Inter. A opção de escalar um time para o ataque não teve espaço, quando a prioridade eram os três volantes. E, independente do desempenho acima das expectativas na Copa do Brasil (apesar do conservadorismo), cabe lembrar que o time ainda não tinha chegado à zona de rebaixamento quando Roth assumiu. As quatro derrotas consecutivas em setembro, incluindo no confronto direto com o Vitória dentro do Beira-Rio, marcam a derrocada – por mais que tenha acontecido uma breve reação em outubro.

A esperança resiste dos colorados, apesar do fraco empate por 1 a 1 contra a Ponte Preta. O Inter carece de inventividade e as poucas alternativas criativas mal se encontram em campo. Nesta quinta, ainda houve a tentativa de lançar Nico López, voltando de lesão após quase dois meses parado, mas que obviamente pouco rendeu quando a ocasião pedia mais presença física no ataque. Os colorados são assombrados pelo fantasma da Série B quase todas as noites, há cinco rodadas sem vencer. Não fosse Danilo Fernandes ao longo da campanha, talvez já tivessem sido levados pela assombração.

Erro após erro, a diretoria tem grande parcela de culpa ao afundar o Internacional nesta situação. E agora precisa encontrar o candidato a mártir que queira arriscar sua reputação nos últimos três jogos, tentando salvar o time da queda. Que seja alguém minimamente ousado. Que não repita a insistência de Celso Roth, agarrado aos seus princípios quando se necessitava de muito mais. O elenco não é tão ruim para estar nesta situação. Faltou técnico, e não só com Roth.

Restam três partidas. Neste momento, tudo indica uma briga particular contra o Vitória, que soma os mesmos 39 pontos, e só está à frente pelo número de gols marcados. Tabela por tabela, a do Inter se sugere um pouco mais complicada. São dois jogos fora, contra Corinthians e Fluminense, além do Cruzeiro em casa. Já os baianos pegam Figueirense e Palmeiras no Barradão, assim como o Coritiba no Couto Pereira. Aos colorados, mais do que o fervor que tem se repetido no Beira-Rio, será necessário ter fé. Confiar em um herói desconhecido, mas que pelo menos possa oferecer as esperanças que eram escassas com Roth.