O rendimento do Internacional como visitante nos últimos meses não é dos melhores. Por isso mesmo, os colorados pareciam aceitar o empate contra o Nacional dentro do Gran Parque Central, no primeiro duelo pelas oitavas de final da Libertadores. Em uma partida de pouca qualidade técnica, os uruguaios ameaçaram vez ou outra, mas sem muita contundência contra um adversário de mais recursos. E se a igualdade já agradava o time de Odair Hellmann, confortável em suas ações, a mínima brecha dos anfitriões valeu um resultado ainda melhor. No apagar das luzes, Guerrero reafirmou seu instinto goleador e puniu os tricolores com o tento da vitória por 1 a 0, que deixa os gaúchos em situação bem cômoda para a volta no Beira-Rio.

O Inter começou a partida com uma postura interessante. Os colorados avançavam ao campo de ataque e mantinham a posse de bola, mas exibiam dificuldades para levar perigo à meta do Nacional. Patrick imprimia muita força pelo lado esquerdo e ameaçou os uruguaios aos oito minutos. O chute cruzado, porém, saiu sem direção. O time tentava acelerar e, mesmo que Guerrero não aparecesse tanto, o trabalho do quarteto de meias era ótimo. A melhor chance veio aos 20, a partir de uma cobrança de falta na linha de fundo. A bola ficou viva na área e, depois que Nico López bateu para o gol, a zaga tricolor salvou na pequena área.

O lance pareceu acordar o Nacional. Até então, os uruguaios tentaram escapar algumas vezes nos contra-ataques, mas a defesa colorada conseguia evitar os riscos. A partir da metade final do primeiro tempo, os anfitriões começaram a encontrar os espaços com suas investidas em velocidade. Gonzalo Bergessio pegou uma sobra na entrada da área e acertou a parte externa da trave. Logo depois, a zaga não fez o corte total e Matías Zunino exigiu a defesa de Marcelo Lomba rente à trave. Bergessio ainda buscaria encobrir o goleiro, errando o alvo. Foi o pior momento do Inter na noite.

Aos poucos, mesmo retraído, o Internacional conteve a pressão. O trabalho defensivo dos colorados voltou a prevalecer e o time responderia pouco antes do intervalo, criando mais algumas boas jogadas a partir da velocidade nas transições. Faltou apenas acertar a conclusão. Mathías Corujo realizou um desarme providencial em cima de Guerrero. Já nos minutos finais, Uendel cruzou para trás e o peruano bateu de primeira, sem pegar em cheio na bola. Se não era uma partida fácil aos gaúchos, ao menos as possibilidades permaneciam abertas.

O segundo tempo recomeçou com os dois times alternando suas ações no ataque, com um pouco mais de protagonismo aos anfitriões. O Inter saía mais ao jogo, mas novamente sem encontrar tantos espaços na defesa do Nacional. Quando partia à frente, o Bolso buscava o abafa. Entretanto, os uruguaios esbarravam na boa partida de Rodrigo Moledo, seguro para dividir e bloquear os oponentes. Aos 14 minutos, Odair Hellmann tentou melhorar a definição, com a troca de Nico López por Rafael Sóbis.

O goleiro Sergio Rochet realizou sua primeira grande defesa aos 23 minutos. E a boa jogada teve o carimbo de D’Alessandro, o relojoeiro que determinava o ritmo do Inter. O camisa 10 voltou para buscar o jogo e acionou o lateral Bruno, avançando em velocidade pela direita. O defensor passou pelo marcador e arriscou da entrada da área, fazendo com que o arqueiro buscasse no cantinho. De qualquer maneira, o arremate foi um breve respiro em uma noite travada e de pouca inventividade de ambos os times.

Durante os minutos finais, o Internacional parecia satisfeito com o empate. Trabalhava os passes sem muita pressa, mesmo que o Nacional não permitisse que o time se aproximasse da sua área. Os colorados não estavam dispostos a se arriscar, por mais que a postura retraída pudesse ter seu preço. O Bolso acelerava quando recuperava a bola, embora pecasse demais no passe final. A própria torcida uruguaia dava sinais de irritação. O empate era confortável aos gaúchos. E o já inesperado gol aconteceu quase aos 45, dando ainda mais segurança aos visitantes.

Num momento em que o Nacional tentava seu último suspiro em busca da vitória, deixou suas costas expostas ao contragolpe. E, com o caminho aberto, o Inter aceitou a chance. Patrick puxou a jogada, que teve clareza com a participação do substituto Wellington Silva. O atacante cortou da esquerda para direita e fez o passe, que a defesa não conseguiu cortar. Erro fatal: Guerrero apareceu sozinho dentro da área e teve total liberdade para desferir o chute rasteiro, sem chances ao goleiro. O desespero ainda levou o Bolso à frente, mas nada que valesse o empate. Na principal chegada, Cuesta fez o corte preciso. O triunfo dos colorados era irrefutável.

Se o empate sem gols já interessava ao Inter, considerando o potencial do time em casa, a vitória tende a resultar em uma classificação ainda mais tranquila. Será natural se os colorados imprimirem uma intensidade maior no Beira-Rio, contra um adversário que não tem a mesma capacidade coletiva. Além do mais, individualmente, há craques para fazer a diferença. Um lance pode ser suficiente, como Guerrero bem mostrou. As quartas de final pintam no horizonte.