A noite de futebol no Beira-Rio provocou diferentes sensações. O choro de Andrés D’Alessandro na saída de campo escancara a impressão que imperou em muitos colorados. Apesar do esforço e da boa atuação do time, em meio a uma semana dificílima, o Internacional sucumbiu nas oitavas de final da Copa do Brasil. Já do outro lado, o alívio. O Palmeiras sabe que esteve distante de exibir o seu melhor futebol, como vem sendo difícil de fazer neste ano. Porém, perseverou até arrancar o gol na derrota por 2 a 1, que valia a classificação após o triunfo por 1 a 0 na ida, em São Paulo. Como o próprio Cuca admitiu após o duelo, sabem que há um caminho extenso de trabalho pela frente.

Precisando da vitória não apenas para se classificar, como também para levantar a poeira após a saída de Antônio Carlos Zago, o Internacional teve atitude, diante de quase 34,7 mil presentes no Beira-Rio. Desde os primeiros minutos, os colorados foram com vontade para cima do Palmeiras. E aproveitaram a lentidão pelo lado esquerdo da defesa paulista, embora pudessem fazer mais estragos. Após algumas intervenções de Fernando Prass, especialmente em um lance perdido por Nico López, os gaúchos abriram a contagem aos oito minutos. Grande jogada de Edenílson, desarmando e passando para D’Alessandro fuzilar. Naquele momento, os anfitriões tinham ao menos direito aos pênaltis.

O Inter não conseguiu manter a pressão, com o Palmeiras se adiantando em campo e começando a equilibrar a partida. De qualquer maneira, o trabalho defensivo dos colorados garantia a segurança sobre a vantagem no placar. Os alviverdes erravam em excesso e mal conseguiram ameaçar a meta de Danilo Fernandes. No máximo, puderam reclamar da arbitragem. Tiveram um gol de Roger Guedes anulado, em lance no qual o palmeirense estava com o pé centímetros à frente da linha. Depois, pediram pênalti em chute de Willian que bateu no braço de Léo Ortiz. Pior ficou quando Dudu sentiu lesão e precisou ser substituído, dando lugar a Keno.

Os dois times voltaram para o segundo tempo com alterações. O Inter, apostando em Eduardo Sasha no lugar de Marcelo Cirino. O Palmeiras, com Thiago Santos vindo ao meio e Felipe Melo recuado para suplantar Edu Dracena na zaga. Melhor para os colorados, novamente com mais ímpeto nos minutos iniciais. A tentativa de encaixar um ataque rápido deu certo aos 10 minutos, em lance que contou novamente com a participação de Edenílson e D’Alessandro na construção. William cruzou da direita e Nico López arrematou, vencendo Fernando Prass. Coletivamente mais sólido e mais eficiente, o time da casa fazia valer a vantagem.

A partir de então, o sufoco do Palmeiras foi aumentando e a equipe partiu para o desespero. Faltava um repertório maior de jogadas para abrir a defesa do Inter, e a entrada de Miguel Borja pouco ajudou. Mina, inclusive, passou a fazer as vezes de centroavante para tentar aproveitar a insistência no jogo aéreo. Aos 27 minutos, os alviverdes deram azar, em jogada de Keno que Willian acertou a trave, antes de parar em grande defesa de Danilo Fernandes. A fortaleza do time foi mesmo a bola parada. Assim, o gol da classificação saiu aos 34, em cobrança de falta rumo à área que Thiago Santos desviou no meio do pagode. Depois disso, prevaleceu a aflição. Os colorados não tiveram calma para buscar o necessário terceiro gol e ainda ficaram na bronca com o árbitro, em pedido de falta sobre Edenílson nos instantes finais.

Ao Inter, resta a resignação. O time terminou a noite de cabeça erguida, mas desperdiçou sua maior chance de buscar um título de primeira grandeza na temporada. Ainda assim, os jogadores indicam um norte para o início do trabalho de Guto Ferreira, que assumirá o comando nos próximos dias. O Palmeiras, por sua vez, passa e evita a repercussão negativa de uma eliminação, mas tem consciência de que nem tudo está resolvido. Os treinos de bola parada, mais uma vez, fizeram a diferença. Só que, pelo elenco que têm, os alviverdes podem mais. Precisam mostrar isso em campo com a reorganização do coletivo, e a possível perda de Dudu é mais um golpe nisso. A vaga nas quartas de final, ao menos, está nas mãos.