O empate não terminou totalmente de agrado às duas torcidas. O Flamengo ficou em vantagem durante a maior parte do tempo, mas cedeu a igualdade no final. O São Paulo, por sua vez, tinha a equipe principal e a torcida a seu favor, demorando a converter suas chances rumo à virada. Ainda assim, o duelo no Morumbi garantiu 90 minutos intensos. Um jogo de muitos lances pegados e cartões, mas que também exibiu a vontade da garotada que ganhou uma oportunidade. Tanto tricolores quanto rubro-negros apresentaram um pouco do que suas categorias de base oferecem, em tarde de outros protagonistas rumo ao empate por 1 a 1.

O São Paulo claramente confia nas categorias de base neste momento de reconstrução. É importante, sobretudo diante do sucesso recente na Copa São Paulo. Antony e Liziero já são velhos conhecidos da torcida. Walce ganhou a primeira chance na defesa. Enquanto isso, o ataque teve Toró, candidato a xodó dos torcedores tricolores. Isso sem contar Helinho, garoto que veio do banco e já tinha deixado sua marca no Brasileirão passado. Eram complementados pela experiência de outros titulares, como Tiago Volpi e Alexandre Pato.

O Flamengo, pensando na Copa Libertadores, deu espaço aos reservas e veio repleto de garotos do Ninho. Além de pratas da casa de fornadas mais antigas, como César e Ronaldo, a maioria ainda busca se afirmar na Gávea. Isso incluía Thuler e Matheus Dantas na zaga, Hugo Moura no meio-campo e Lincoln no ataque, além dos substitutos Lucas Silva e Rafael Santos. Diego era a grande referência técnica. E havia também os estrangeiros que não gozam da titularidade, com menção especial a Orlando Berrío, pouquíssimo utilizado nos últimos meses por conta das lesões. Ainda que fosse um time alternativo, estava disposto a mostrar serviço.

Os primeiros instantes deram a impressão que o São Paulo partiria para cima em busca do resultado, logo criando chances. No entanto, o Flamengo fez sua estratégia funcionar bem no começo, atacando de maneira objetiva e veloz. Precisou de sete minutos para abrir o placar, em grande jogada de Berrío. O colombiano fez o pivô e descolou uma belíssima enfiada a Hugo Moura. O garoto bateu por cima de Tiago Volpi e o próprio colombiano deu o carrinho para completar, quase em cima da linha. A quem possui o carinho de parte da torcida, era um belo cartão de visitas, também para recobrar suas chances com Abel. O ponta pode ser um jogador bastante útil na rotação rubro-negra.

A postura do Flamengo diminuiu o ímpeto do São Paulo. Os rubro-negros aceleravam bastante, com direito a um gol anulado. E quando os tricolores responderam, quase Antony anotou um gol por cobertura, mandando no travessão de César. O problema é que, a partir dos 25 minutos, o jogo perdeu ritmo. Também houve preocupação pelos choques com Alexandre Pato e Berrío, que precisaram ser substituídos após pancadas na cabeça – e, no lance de Pato, Thuler era passível à expulsão. Além deles, Anderson Martins também se machucou. Nos reinícios, as chegadas mais perigosas foram são-paulinas, mas Tchê Tchê e Toró não conseguiram marcar. Apesar das longas paradas para atendimento médico, foi um bom jogo enquanto a bola rolou.

O segundo tempo guardou uma blitz do São Paulo. Enquanto o Flamengo tentava reter um pouco mais a posse e esfriar o jogo, o Tricolor partiu para cima e não tinha receio na hora de finalizar. César era testado principalmente em chutes de longe, mas demonstrava firmeza. Enquanto isso, Thuler também fazia um bom trabalho no miolo de zaga. O o passar do tempo também aumentou o número de atendimentos médicos, até pela tentativa do Fla em esfriar o confronto e gastar o tempo. Os 15 minutos finais, de qualquer forma, guardaram o melhor momento dos são-paulinos no duelo.

Hernanes poderia ter feito o primeiro, chutando em cima de César. E quando o goleiro realizou uma ótima defesa, em cabeçada do próprio Profeta, Tchê Tchê apareceu para decretar o empate. Aproveitou a sobra de um lance gerado justamente por outro garoto da base, Helinho, que saíra do banco e iniciou o perigo com seu cruzamento. O relógio marcava 37 minutos e o desafio do Flamengo era evitar a virada. Pois os rubro-negros conseguiram, apesar da insistência do São Paulo. Tchê Tchê ainda representou o último perigo, em chute de longe que passou raspando a meta rubro-negra.

O São Paulo chega aos sete pontos no Brasileirão, após vencer as duas primeiras rodadas. Vai saindo melhor que a encomenda, apesar da oportunidade desperdiçada neste domingo, diante das circunstâncias. Já o Flamengo tem quatro, o que não corresponde às expectativas sobre os times, mas ficam em conta diante dos desafios destes três primeiros compromissos. E saldo bem melhor é à garotada. Toró e Antony, principalmente, se colocam entre as principais alternativas ofensivas dos tricolores, enquanto Helinho reivindica seu espaço. Já Thuler, Hugo Moura e Lincoln merecem mais minutos no Fla. Se por vezes os treinadores parecem esquecer a base, é preciso elogiar quando a valorização rende uma partida pegada como a deste domingo.