Pelo terceiro ano consecutivo, os paraguaios estão presentes nas semifinais da Libertadores. Obviamente, há diferenças entre as campanhas de Olimpia, Nacional e, agora, do Guaraní. Em geral, porém, dá para traçar semelhanças. Que acabaram valiosíssimas aos aborígenes para eliminar o Racing em Avellaneda, assim como haviam feito contra o Corinthians. Três times longe de serem brilhantes tecnicamente ou de terem grandes talentos individuais. Mas que, com um plano de jogo muito bem definido e solidez tática, chegaram tão longe. Durante os 90 minutos, o Guaraní sabia como agir diante do El Cilindro lotado. E por mais que tenha tomado pressão, ficou até mais próximo do gol da vitória. Ao fim, o 0 a 0 já valeu classificação.

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Durante a partida em Assunção, o Guaraní já tinha mostrado suas credenciais ao Racing. Com ajuda de Sandro Meira Ricci em uma expulsão equivocada, teve um a mais durante a maior parte do tempo e mandou no jogo. Demonstrou suas virtudes com a bola, especialmente ao atacar em diagonal pelas pontas e explorar a presença de área de Federico Santander para a chegada dos companheiros. No fim, o gol de Benítez em um chute cruzado deu a merecida vitória e a vantagem que os aurinegros precisavam na visita a Avellaneda.

O jogo no Cilindro era de cartas marcadas. Como podia se esperar, o Racing teve a posse de bola e a iniciativa. Porém, estava longe de ser simples abrir espaços em uma defesa tão disciplinada. Por mais que Gustavo Bou aparecesse bastante, e até perdesse algumas chances, o Guaraní era irredutível. E aguardava apenas um momento para o bote. Ele veio, logo no final do primeiro tempo. Em um erro na saída de bola, o experiente goleiro Saja precisou cometer pênalti e ser expulso para não sofrer o gol. La Academia deu sorte ao ver o reserva Ibáñez espalmar o chute de Benítez. Mas o milagre estava longe de ser suficiente.

Afinal, faltavam os 45 minutos do segundo tempo para o Racing buscar o resultado com um a menos. Não eram três gols, como seria preciso se a penalidade fosse convertida. Mas fazer um só já era um trabalho imenso, ainda mais com Diego Milito e Bou muito bem neutralizados na área. Por mais que sufocasse, os racinguistas tinham problemas para criar chances claras. O tempo correu. E, de minuto em minuto, a classificação do Guaraní ficava nas mãos. Poderia ter sido ratificada até mesmo com uma vitória no fim, assim como aconteceu em São Paulo contra o Corinthians, mas Santander perdeu gol feito em contra-ataque. Acabou não fazendo falta, com o 0 a 0 prevalecendo até o apito final. Um time que, apesar de enfrentar atacantes renomados, ainda não sofreu gols nos mata-matas.

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O “presente de Deus” agora cai sobre o colo do River Plate, em um jogo que, pelo estilo dos times, se promete até mais parelho do que contra Corinthians e Racing. E os Millonarios certamente já perceberam que não podem menosprezar os paraguaios. Fernando Jubero formou uma equipe de enorme solidez defensiva e consciência tática, que possui as suas boas opções para decidir – em Contrera, Benítez e Santander. A tarefa dos aurinegros muda um pouco, precisando jogar primeiro na Argentina para depois fazer o resultado em Assunção. Não é isso, contudo, que diminui as chances da equipe.

Pelo terceiro ano consecutivo, o Paraguai pode ter um finalista na Libertadores. E somente a Argentina possui tantos semifinalistas desde então. Com muito menos recursos que brasileiros, argentinos, e até mesmo mexicanos, colombianos e chilenos, os clubes do país merecem reconhecimento. O Guaraní é mais uma prova disso, diante da maneira como o encaixe do time, a maneira como lidou com as desconfianças e o aproveitamento de suas qualidades o levou tão longe. Ultimamente, vale mais do que os craques do torneio e, sem dúvidas, pode ainda mais. Os aplausos ouvidos em uníssono no Cilindro nesta quinta, logo após o apito final, certamente não eram dedicados apenas ao espírito de luta do Racing. Também iam à campanha belíssima do Guaraní.