Deve-se questionar a iniciativa de levar em frente o Guarani x Ponte Preta desta segunda-feira, no Brinco de Ouro da Princesa. O Dérbi Campineiro foi a última partida realizada antes da paralisação do Campeonato Paulista por tempo indefinido em virtude do coronavírus, e em um contexto mais tenso, também por um enfrentamento entre as torcidas no último sábado. Já dentro de campo, o que se viu foi um clássico que entrou para a história, encerrando o jejum bugrino que perdurava desde 2012. Depois que a Macaca abriu dois gols de vantagem no placar, o Bugre buscou uma monumental vitória de virada por 3 a 2, garantida aos 43 do segundo tempo. Após o apito final, o duelo ainda seria marcado por uma briga generalizada entre os jogadores.

Se as arquibancadas do Brinco de Ouro permaneciam vazias, os arredores do estádio estiveram longe de seguir as recomendações das autoridades sanitárias sobre o coronavírus. Um telão foi montado pela própria torcida no local e centenas de bugrinos se reuniram para acompanhar o clássico. Como se não bastasse o desrespeito em relação à prevenção da pandemia, o ato ainda causou problemas. Diante do placar parcial durante o primeiro tempo, os presentes tentaram invadir o estádio e houve um confronto com a polícia, que incluiu o uso de balas de borracha e gás lacrimogêneo.

Dentro das quatro linhas, afinal, a Ponte Preta prometia ampliar a sua hegemonia no Dérbi Campineiro. Embora a partida deixasse a desejar tecnicamente, com muitas faltas cometidas, a Macaca construiu o resultado favorável no fim do primeiro tempo. Depois de já terem acertado uma bola na trave, os ponte-pretanos anotaram o primeiro gol aos 41 minutos. João Paulo levantou a bola na área e Alisson concluiu de cabeça. Já aos 46, Roger ampliou cobrando pênalti. Foi o primeiro tento do centroavante na história do clássico, em sua oitava aparição.

A reação do Guarani ficou toda para o segundo tempo, com a melhora dos bugrinos diante das alterações. O primeiro gol saiu aos dez minutos. Lucas Crispim (voltando de posição irregular) acertou uma bicicleta na bola e Júnior Todinho desviou diante de Ivan. O tento animou o Bugre, que passou a pressionar mais no campo de ataque. Ainda assim, os dois times tiveram suas chances de movimentar o placar e o goleiro Jefferson Paulino também precisou trabalhar, ameaçado pelos contragolpes ponte-pretanos.

Aos 35, o Guarani arranjou o empate. Depois de uma linda jogada coletiva, Thallyson passou para Juninho dentro da área e o atacante arrematou de primeira. E a empolgação levou o Bugre à vitória. Aos 43, Thallyson cortou para o meio e acertou um ótimo chute cruzado, que saiu do alcance de Ivan. Neste momento, nem com quatro minutos de acréscimos, a Ponte Preta não teve forças para reagir. E perdeu a cabeça após o apito final.

Pouco antes, com o jogo parado por uma falta cometida por Roger, o goleiro Jefferson Paulino aplicou um chapéu no atacante. O veterano não gostou da atitude e quis tirar satisfação do adversário antes da saída aos vestiários. A confusão gerou uma briga generalizada e trocas de agressões entre os jogadores. Ficou um péssimo exemplo, ainda mais considerando os confrontos entre as torcidas nos dias anteriores. Roger, que queria seguir brigando mesmo depois que o clima já havia sido apaziguado, recebeu o cartão vermelho.

Foi a primeira vitória do Guarani no Dérbi Campineiro desde 2012. Ao longo deste tempo, os clássicos foram menos constantes pela diferença de divisão entre os rivais. De qualquer maneira, a Ponte Preta sustentava uma invencibilidade de seis jogos. O triunfo também abre uma vantagem de cinco pontos ao Bugre na zona de classificação do Grupo D. Já a Macaca ocupa a lanterna geral e se complica um pouco mais na luta contra o rebaixamento.