O Gre-Nal costuma ser tratado como uma decisão em si. E o Gre-Nal da Libertadores potencializava tal sensação, por tudo o que envolvia a seu redor. O Internacional chegava ao Beira-Rio como favorito à vitória, pelo bom início de campanha no Brasileirão e pelo momento mais consistente. O Grêmio, cambaleante, necessitava do triunfo para afastar a sua crise e os próprios riscos de uma eliminação precoce no torneio continental, diante de sua sequência ruim. Mesmo em território inimigo, os tricolores reafirmaram a freguesia colorada nos clássicos recentes. Depois de um primeiro tempo fraco, o jogo melhorou depois do intervalo e Pepê fez toda a diferença aos gremistas. Uma ótima jogada do garoto valeu a vitória por 1 a 0, que vira o tabuleiro em Porto Alegre – com o moral do Grêmio e os questionamentos no Inter.

Mesmo sem o time completo, o Grêmio contou com retornos importantes em relação à derrota para a Universidad Católica na última semana. Walter Kannemann e Pepê eram os principais acréscimos em relação à dolorida partida em Santiago. Já o Internacional, depois de poupar jogadores na rodada do Brasileiro, entrou com força máxima entre os nomes à disposição. Edenílson era o principal desfalque. Já na linha de frente, Thiago Galhardo e Abel Hernández se combinavam, com a escolha por Marcos Guilherme no apoio ao lado de Boschilia.

Fonte: Soccerway

O primeiro tempo seria ruim tecnicamente. Mesmo considerando sua fase superior, o Internacional não parecia disposto a arriscar. O Grêmio encaixou melhor o seu jogo, dentro das limitações dos minutos iniciais, bastante pegados. O Tricolor dificultava a saída de bola dos colorados e marcava forte no campo de ataque, além de controlar melhor a bola ao retomar a posse. A alternativa aos anfitriões, diante da pressão, era sair nos chutões – o que não dava resultado. Mas não que houvesse grande emoção ou chances de gol.

O Inter mal conseguia jogar para frente, com muitos erros. O Grêmio, por sua vez, explorava mais o lado direito do ataque e, na falta de perigo, um chute para fora de Alisson aos 27 minutos seria digno de nota. Ao lado de Orejuela, o ponta caía para cima de Matheus Jussa, aposta improvisada de Coudet na lateral esquerda que estava sobrecarregada. Os colorados, do outro lado, só assustaram aos 36. Galhardo invadiu a área e caiu após disputa com Rodrigues, mas o árbitro Patricio Loustau mandou o lance seguir. Pouco antes do intervalo, Orejuela ainda arriscaria uma pancada, sem precisão.

O segundo tempo começou mais aberto, com o Inter tomando a iniciativa, mas igualmente com grande quantidade de erros e certa dose de nervosismo. Demorou um pouco até que o Gre-Nal realmente esquentasse. E a primeira defesa seria de Vanderlei, aos 12 minutos. Em avanço gerado por uma roubada de bola, Galhardo cabeceou e o goleiro gremista realizou uma intervenção decisiva. Entretanto, o Grêmio logo responderia e começaria a encontrar mais espaços no ataque. O apoio dos laterais era uma válvula de escape importante, assim como a participação dos pontas. Seria esse o caminho.

O Grêmio deu alguns avisos até o gol. Orejuela teria espaço aos 17, mas foi mal na tentativa de cruzamento. Pouco depois, Pepê sairia de frente para Marcelo Lomba e tentou encobri-lo, mas não pegou bem na bola e mandou ao lado da meta. As chances se acumulavam, também com um cruzamento de Cortez que ninguém aproveitou e um chute cruzado de Alisson. O gol saiu aos 28, com todos os méritos individuais de Pepê. Se o garoto é o principal herdeiro de Cebolinha, fez uma jogada digna do antigo destaque. Partiu em diagonal e, depois de limpar a marcação, desferiu o chute cruzado de fora da área. Mandou no canto de Lomba.

Restavam pouco mais de 15 minutos e só então o Inter tentou correr atrás do prejuízo. Vanderlei voltou a trabalhar numa meia-bicicleta de Abel Hernández, enquanto Boschilia mandou para fora. Coudet tentaria colocar o time no ataque, com D’Alessandro e Leandro Fernández. Galhardo ainda cabeceou com perigo, mas logo o jogo descambaria mais para a pegada do que para a bola rolando. Com isso, e também com as muitas alterações de Renato, o Tricolor esfriou a reação. Os colorados não fariam muito mais que alguns cruzamentos até o apito final.

O Grêmio respira aliviado depois de semanas difíceis e abre o caminho à classificação na Libertadores. Como em outros momentos do ano, a vitória no clássico abranda a situação. Não foi uma atuação para que Renato desse uma entrevista tão agressiva na coletiva, mas de fato os tricolores foram melhores no todo e fizeram por merecer o resultado. Ganhar o Gre-Nal, de qualquer forma, não é motivo para reduzir as muitas críticas pertinentes sobre o trabalho e a falta de competitividade dos gremistas ao longo da temporada. Mas é um respiro para, quem sabe, uma guinada.

Já o Internacional acumula dez partidas sem vencer os maiores rivais, com quatro derrotas em cinco confrontos no ano. Eduardo Coudet segue em seu incômodo jejum e, apesar de tratar a vitória como objetivo, não viu o seu time corresponder, com a insegurança cobrando sua conta. Faltou mais ousadia nos colorados, que podem até ter forçado boas defesas de Vanderlei, mas tiveram dificuldades para escapar das armadilhas do Grêmio e sofreram quando os oponentes colocaram pressão. E, mesmo com a liderança, o cenário no Grupo E não é tão tranquilo.

Inter e Grêmio somam os mesmos sete pontos, com vantagem aos colorados no saldo. Logo abaixo, América de Cali e Universidad Católica estão com quatro, após o empate por 1 a 1 na Colômbia. Enquanto o Grêmio joga as duas em casa, o Inter encara dois compromissos fora. E são adversários que já mostraram como podem complicar. Neste momento, a Católica inspira mais cuidados aos colorados.