O Gre-Nal possui a fama de clássico mais acirrado do Brasil, não apenas pela ferrenha rivalidade que vigora no Rio Grande do Sul, mas pelos duelos truncados que geralmente acontecem entre as equipes principais. O empate sem gols é praxe, um pouco mais movimentado apenas pelos sarrafos e cartões. O Gre-Nal da final da Copa São Paulo, no entanto, ofereceu muito mais. Os garotos colorados e tricolores fizeram um jogo aberto, especialmente animado no início de cada tempo, e que poderia ter um placar bem menos econômico que o empate por 1 a 1. Os goleiros brilharam e os gremistas até seguraram bem a situação, após uma discutível expulsão. Já nos pênaltis, a vitória por 3 a 1 garantiu o quinto título do Inter na Copinha, o primeiro em 22 anos.

A certeza de que a Copinha teria uma final bastante disputada veio logo nos primeiros minutos de bola rolando. O Grêmio começou inflamado e dando trabalho ao Internacional, com muita movimentação de seus atacantes. Tiago Barbosa precisou realizar um desarme preciso para impedir o tricolor Elias de invadir a área, enquanto o goleiro Emerson espalmaria um chute venenoso de Rildo. Foram 15 minutos dos gremistas, até a resposta colorada.

A partir de então, o Inter passou a se impor mais no campo de ataque e a aproveitar principalmente seu lado esquerdo. Praxedes e Caio tentaram responder, mas sem direção em seus arremates. No entanto, o clássico cairia de ritmo na metade final do primeiro tempo e o duelo permaneceria mais travado no meio-campo. Faltava um pouco de calma às duas equipes na definição das jogadas, com lances que poderiam ter rendido mais.

O segundo tempo, entretanto, se incendiou. O Inter começou a etapa complementar com um bombardeio dentro da área, mas o goleiro Adriel salvou a primeira e a defesa gremista travaria outros três chutes colorados. O Grêmio daria o troco em instantes, também parado por uma defesa sensacional de Emerson em cabeçada de Elias. E o gol tricolor saiu aos oito minutos. Fabrício fez uma jogadaça pela esquerda, com direito a caneta e tudo. O camisa 9 cruzou e teve a sorte de ver a bola bater no calcanhar de Tiago Barbosa, antes de entrar no contrapé do goleiro Emerson e morrer nas redes coloradas. O problema viria logo depois.

Durante a comemoração do gol gremista, o zagueiro Alison Calegari escalou o alambrado para celebrar com a torcida. Aplicando a regra de maneira estrita, o árbitro mostrou o segundo amarelo ao garoto e o expulsou. Adicionou tensão à partida, preferindo ignorar a emoção do momento para fazer valer a letra fria da lei. Com um a mais, o Inter demorou pouquíssimo a aproveitar e empatar. Aos 12 minutos, Matheus Monteiro cruzou da esquerda, a bola passou por todo mundo e bateu no corpo de Guilherme Pato antes de entrar.

A virada do Inter parecia incontornável. Praxedes carimbou a trave em uma cobrança de falta fechada pouco depois. Os colorados dominavam a bola no campo de ataque e tinham o tempo a seu favor. Por isso mesmo, foi importante ao Grêmio se reencontrar no ataque e incomodar aos 20 minutos, mostrando que nada estava resolvido. Elias quase anotou o segundo tricolor em contra-ataque, mas Emerson fez mais uma defesa sensacional no mano a mano. Já com o passar dos minutos, o sol ardeu e o cansaço pesou sobre as equipes.

O Gre-Nal voltou a diminuir sua rotação, embora os dois times parecessem no limite de ceder o resultado em um ataque bem encaixado. Os rivais não se entregavam e as divididas se tornavam mais duras, como manda a cartilha do clássico gaúcho. O Inter ainda insistiu um pouco mais, mas Adriel reafirmaria a final dos goleiros. Em chute forte de Leonardo, o tricolor espalmou. De qualquer forma, nos acréscimos, o Grêmio também lamentou um gol feito que desperdiçou. Elias fez um carnaval pela direita e cruzou na medida para Diego Rosa. Destaque do time, o camisa 8 tinha todas as condições de confirmar a vitória, mas mandou ao lado da trave.

O destino do Gre-Nal da Copinha era terminar nos pênaltis. Nada mais justo que o tira-teima entre os goleiros, protagonistas ao longo dos 90 minutos, acontecesse na marca da cal. Adriel até se redimiu do erro no gol colorado, ao defender a primeira cobrança do Inter, de Matheus Monteiro. Contudo, Emerson contou com um bocado de sorte e viu três batedores do Grêmio carimbarem a trave, com apenas um acerto dos rivais na disputa. Os erros permitiram a festa colorada, com a vitória por 3 a 1.

A decisão parelha enfatiza a força de ambos os times. Tanto Inter quanto Grêmio fizeram por merecer a campanha até a final, decidida apenas nos detalhes. E a expectativa é que os dois clubes possam aproveitar suas revelações em breve. Nomes como Praxedes e Cesinha do lado colorado, assim como Elias e Diego Rosa pelo tricolor, têm bola para render mais. Ao final, pesa a tradição do Inter na Copinha. O clube era uma potência nos primórdios do torneio, a ponto de revelar Falcão e Príncipe Jajá. Foram três títulos e quatro finais de 1972 a 1980. Em 1998, tal força se renovou com mais uma taça. A festa deste sábado resgata a história.