Até parecia que o jogaço em Anfield seguiria um roteiro diferente do esperado. No primeiro reencontro desde a final da Champions League, um Tottenham cambaleante sonhou em surpreender o imbatível Liverpool. Os Spurs anotaram um gol instantâneo e contavam com um herói inusitado, Gazzaniga, que fechava o gol. No entanto, o final da história reafirmaria o óbvio: a força da equipe de Jürgen Klopp. Os Reds protagonizaram uma atuação de pura fúria, como raras neste período recente. Jogaram os adversários contra as cordas e os esmurraram até conseguir o nocaute. A virada por 2 a 1 valoriza o início memorável do clube nesta Premier League.

O Tottenham não precisou nem de um minuto para elevar a temperatura em Anfield. E, como em outros tantos momentos nos últimos meses, Moussa Sissoko carregou o time ao gol-relâmpago. O meio-campista fez um pouco de tudo: roubou a bola, encarou a marcação com uma série de dribles e abriu o jogo com Son Heung-min. O chute do sul-coreano desviou em Dejan Lovren e bateu na trave. Atônito, Alisson não conseguiu se recuperar a tempo, enquanto Harry Kane aproveitou o rebote de peixinho.

O gol moldaria a partida desde então. O Tottenham se defendia e esperava o momento de contragolpear em velocidade, o que fez muito bem durante o início do duelo. Já o Liverpool tinha a obrigação de reagir e se impunha no campo de ataque, movimentando a bola. Os laterais participavam bastante das construções, mas estava difícil abrir a defesa adversária. Quando Mohamed Salah teve uma brecha, Paulo Gazzaniga pegou em dois tempos. E os Spurs até acreditaram no segundo gol, aos 23. Em uma só estocada, Dele Alli ficou a centímetros de completar o cruzamento dentro da área, antes que Christian Eriksen batesse com perigo.

O Liverpool partiu com tudo para cima depois disso. E, num bombardeio vermelho dos 26 aos 29 minutos, Gazzaniga se agigantou como nunca antes na carreira. O arqueiro fez uma defesaça em bomba de Salah, que tinha endereço. A sobra ficou com Firmino e o argentino voltou a pegar. Minutos depois, Van Dijk ainda acertaria uma cabeçada que Gazzaniga se esticou todo para desviar com a ponta dos dedos. E haveria mais uma intervenção vital do goleiro, para salvar o tiro de Trent Alexander-Arnold. O dono da meta dos Spurs só respiraria quando, em mais uma finalização, Sadio Mané pegou mal e cabeceou para fora.

Sem tantos arremates, o Liverpool permaneceu em cima na reta final do primeiro tempo. Limitava o Tottenham a se defender, o que os Spurs faziam aos trancos e barrancos. A superioridade dos Reds estava clara, em uma atuação impetuosa do time de Jürgen Klopp, apesar da falta de gols. Na volta do intervalo, os Spurs viram que a situação não mudaria, em cabeçada de Firmino que Gazzaniga rebateu em cima da linha. Porém, os londrinos também ficaram a um triz de aumentar a vantagem. Na reposição, Gazzaniga conectou com Son, que partiu em velocidade e até driblou Alisson, mas carimbou o travessão.

A partida seguia aberta, especialmente pela possibilidade que o Tottenham tinha de punir os anfitriões em um contra-ataque. Por isso mesmo, foi importante ao Liverpool não demorar ao empate. Ele saiu aos seis minutos. Depois de um cruzamento de Fabinho, a bola desviou em Danny Rose e Henderson acertou um chute cruzado de perna esquerda, para finalmente superar Gazzaniga. A igualdade, de qualquer maneira, não era suficiente aos Reds. O time seguiu sedento pelo segundo gol. Gazzaniga voltou a trabalhar em tiro rasteiro de Firmino.

Nesta fase do jogo, o Liverpool tinha a possibilidade de administrar melhor o tempo. O Tottenham era inócuo, limitado a ligações diretas que não acertava. Apenas se fechava ao redor de sua área. Os Reds brigavam pelos espaços, até que o segundo gol nascesse aos 28, a partir de um pênalti. Serge Aurier disputava a bola com Mané e, na hora de afastar, acertou um chute na perna do senegalês. Na cobrança, Salah mandou o tiro rasante. Gazzaniga esperou e só viu a bola entrar.

Restavam mais 15 minutos e o Liverpool finalmente pôde se acalmar. A equipe recuou e também perdeu Salah, lesionado. Já o Tottenham saiu em busca do empate e Pochettino até trocou Aurier por Lucas Moura. O desordenado abafa dos Spurs, contudo, não rendeu o almejado gol. A equipe não conseguiu finalizar em cheio e Alisson realizou defesas seguras. Son até assustou, mas o goleiro sequer deu rebote. Nos acréscimos, Gazzaniga apareceu na área, sem resultados. O esforço do Liverpool valeu o enorme resultado, bastante aplaudido pelos torcedores empolgados em Anfield.

Imparável, o Liverpool chega aos 28 pontos em 30 possíveis na Premier League – mesma marca do Manchester City em 2017/18. O time de Jürgen Klopp sustenta atualmente uma vantagem de seis pontos na primeira colocação, sobre os Citizens. É um momento histórico dos Reds, que confiam cada vez mais que o fim do jejum será possível, apesar da longa caminhada que ainda resta até o final da campanha. Já ao Tottenham, o quase não basta. Os Spurs ocupam o modesto 11° lugar ao final da rodada, com 12 pontos. A distância ao G-4 chega aos oito pontos. São três rodadas sem vencer na Premier League. O que seria uma surpresa terminou por lembrar que a crise ainda impera no norte de Londres.

Classificações Sofascore Resultados