Karim Benzema completa sua 11ª temporada com a camisa do Real Madrid, mas, ainda que sempre tenha sido um dos principais jogadores do elenco, tantas vezes não foi valorizado o suficiente. As duas últimas campanhas dos merengues, apesar dos resultados menos consistentes em campo, servem para reconhecer o peso do centroavante. E ele garantiu seu destaque de maneira brilhante nesta quinta, durante a vitória por 3 a 0 sobre o Valencia. Os visitantes dificultavam a vida dos madridistas no Estádio Alfredo Di Stéfano, mas Benzema resolveu no segundo tempo com dois gols, incluindo um fabuloso. Seu escudeiro Eden Hazard e Marco Asensio, vivendo uma noite redentora, foram outros que se saíram bem.

Mesmo sem títulos, Benzema atravessou uma grande temporada em 2018/19, uma de suas melhores individualmente falando. E talvez ele consiga se superar em 2019/20. Depois de um primeiro turno dominante no Campeonato Espanhol, o centroavante caiu de produção neste segundo turno, mas a paralisação do futebol pode tê-lo ajudado a recuperar a melhor forma. A atuação destacada contra o Valencia levou o francês aos 16 na atual edição de La Liga – somente cinco a menos que na última campanha, com mais nove rodadas pela frente.

Zinedine Zidane manteve praticamente a mesma escalação que derrotou o Eibar na reestreia do Campeonato Espanhol, apenas promovendo Ferland Mendy e Federico Valverde no 11 inicial – para as saídas de Marcelo e Rodrygo. O Real Madrid começou arriscando bastante, mas Jasper Cillessen garantia a segurança na meta do Valencia. E os valencianos quase abriram o placar aos 14 minutos, em contragolpe. Rodrigo foi lançado em velocidade e bateu rasteiro, na saída de Thibaut Courtois. O goleiro desviou levemente a bola, que ainda explodiu na trave.

Apesar da iniciativa, o Real Madrid era inócuo. Era travado pela marcação cerrada do Valencia na faixa central e também não apresentava grande repertório pelas pontas. Os Ches se sentiam confortáveis em seu pragmatismo e de novo assustaram aos 21, quando Rodrigo teve um gol anulado. Carlos Soler fez o passe, a bola passou por Dani Parejo e o atacante concluiu dentro da área. Porém, o VAR determinou em sua revisão o impedimento de Parejo. A partida seguiu na mesma toada, entre um anfitrião ineficiente e um visitante à espreita. Cillessen voltaria a ser acionado e fez ótima defesa com o pé, em batida de Dani Carvajal. Os valencianos responderiam pouco antes do intervalo, em bomba de Geoffrey Kondogbia que Courtois espalmou.

O Real Madrid mantinha a posse de bola, mas precisava de mais velocidade nas infiltrações. Dificilmente os merengues finalizavam em boas condições contra a meta de Cillessen. A situação do jogo só mudou aos 15 minutos do segundo tempo, quando saiu o primeiro gol. Num contra-ataque bem armado, os espaços apareceram e Eden Hazard avançou com a linha de zaga ainda se recompondo. O belga tabelou com Luka Modric e rolou para Benzema, que passava sozinho no meio da área. Ficou fácil para o artilheiro.

O Real Madrid cresceu com o gol, puxado principalmente por Hazard, e a defesa do Valencia não preservou a mesma solidez. Cillessen seguia se desdobrando, com uma boa defesa em chute de Modric. Já o segundo tento viria em meio às várias substituições de Zidane. Marco Asensio entrou no lugar de Federico Valverde e de imediato ampliou a diferença, aos 29. Ferland Mendy fez uma linda jogada pela linha de fundo e cruzou para o atacante completar de primeira, logo em seu primeiro toque na bola. Um prêmio e tanto ao espanhol, que não atuava desde a temporada passada, recuperando-se de uma ruptura nos ligamentos do joelho.

O Valencia estava morto depois desse lance. E o golpe de misericórdia saiu aos 41, com a pintura de Benzema. O contra-ataque começou com um carrinho perfeito de Casemiro e o Real Madrid acelerou pela esquerda. Toni Kroos inverteu a Asensio, que deu a Benzema com um tapa. O francês dominou já tirando do marcador com um balãozinho, antes de mandar a pancada de peito de pé, no alto, indefensável. Com o perdão do sacrilégio, um tento que lembra o de Pelé no Brasil x Suécia de 1958. E o Valencia ainda terminaria a partida com um jogador a menos, depois que Lee Kang-in recebeu o vermelho direto, ao acertar Sergio Ramos por trás.

O Real Madrid mantém a distância na perseguição ao Barcelona, com 62 pontos, dois a menos que os blaugranas. Já o Valencia se complica em sua corrida por uma vaga na Champions. Com 43 pontos, já vê o Atlético de Madrid abrir seis de vantagem no G-4. Na oitava posição, a Liga Europa parece um objetivo mais factível dentro da instável temporada dos Ches.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore