Dia 17 de junho de 2001, 38ª rodada do Campeonato Espanhol. Frank de Boer levanta a bola na intermediária. Mira Rivaldo, na entrada da grande área. O camisa 10 se desmarca e salta. Mata no peito com uma maestria única, já levantando para o golpe fatal. O ângulo de suas costas é praticamente perfeito, paralelo ao gramado. É quando o craque solta o gatilho. Pedala de canhota, sob os olhares atônitos da marcação. Chute no cantinho, muito longe do alcance de Santiago Cañizares. O relógio já tinha passado dos 43 minutos do segundo tempo, e a comemoração explosiva de Rivaldo, tirando a camisa e correndo para a galera, não era sem motivo. Significava bem mais do que um dos gols mais bonitos de todos os tempos.

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Afinal, a noite espetacular de Rivaldo não se resumiu apenas ao gol. O camisa 10 anotou uma das tripletas mais sensacionais já vistas. Começou com uma belíssima cobrança de falta, abrindo o placar aos três minutos de jogo. E teve continuidade nos acréscimos do primeiro tempo, em um chute fortíssimo de fora da área que deixou o Barcelona em vantagem sobre o Valencia, no Camp Nou, na rodada decisiva do Campeonato Espanhol. O jogo em si era praticamente uma final, que valia vaga na Champions.

Entretanto, os dois gols de Rivaldo não eram suficientes. Balançando as redes também por duas vezes, Rubén Baraja buscou o empate por 2 a 2 ao Valencia logo na volta ao intervalo. Um placar que ajudava o ótimo time de Héctor Cúper, duas vezes vice-campeão da Champions naqueles anos, a conquistar a quarta vaga da Espanha na competição continental. Antes da 38ª rodada, os Ches apareciam três pontos à frente dos blaugranas. Precisavam de apenas um empate para se garantir na Liga dos Campeões ao lado de Real Madrid, Deportivo de La Coruña e Mallorca, já classificados naquela campanha.

Cabe lembrar, o Barcelona vivia momentos conturbados, em uma temporada bastante fraca. Llorenç Serra Ferrer era o técnico durante boa parte da temporada, caindo em abril para a chegada de Carles Rexach – ex-assistente de Cruyff e então dirigente, quebrando um galho na função. Por mais que contasse com bons jogadores, como De Boer, Guardiola, Cocu e Kluivert, o Barcelona só vencera cinco de 18 jogos no segundo turno. Até aquela decisão contra o Valencia. Até Rivaldo viver sua noite mais brilhante no clube, com a tripleta e a bicicleta aos 43 do segundo tempo. Com aquele gol, o Barcelona igualou os 63 pontos do Valencia na tabela. E assumiu a quarta colocação graças ao primeiro critério de desempate, o confronto direto.

O Barcelona não foi além das semifinais na Champions 2001/02, caindo para o Real Madrid em La Novena. O que valeu a história, no entanto, é a classificação. O que sempre será lembrado é o gol de Rivaldo, acontecido há exatos 14 anos. Um dos gols de bicicleta mais importantes de todos os tempos.