Há detalhes em um jogo de futebol que você percebe apenas nas arquibancadas. Não adianta: a televisão pode ter mil câmeras, trazer diferentes ângulos do momento, caprichar no close e botar sua dose de emoção com uma narração carregada. Ainda assim, a atmosfera sentida dentro do estádio é ímpar. Não é apenas a sua sensação ou de uma equipe de transmissão. É o clima que arrebata 22 dentro de campo e explode instantaneamente em milhares ao redor. Ver um jogaço como o Ajax 2×3 Tottenham na TV, obviamente, não deixa de ser sensacional. Mas o que se absorveu na Johan Cruyff Arena ainda é diferente. Foi como ver um monumento a olho nu. Como apreciar os detalhes de uma obra-prima.

E o minuto anterior ao gol de Lucas Moura, mesmo filtrado por uma câmera de celular, transmite todo esse impacto. O Ajax estava interessado em gastar o tempo. O escanteio que não rendeu em nada ao Tottenham permitiu a André Onana enrolar. Chutão para frente, bola disputada no meio e, do nada, o impossível acontece. O bico de Sissoko, a ajeitada de Llorente, o passe de Dele Alli, o gol de Lucas Moura. O epicentro de um terremoto, sentido a milhares e milhares de quilômetros.

A maioria do Ajax, que até então cantava confiante e vaiava o ataque, se silencia. A minoria do Tottenham, que se angustiava, rompe os ares com o estampido de seu gol. Lucas dispara em corrida desenfreada à bandeirinha de escanteio, puxando uma fila que até Hugo Lloris acompanhou. E o tiro fatal derruba, um a um, seis jogadores derrotados quase que ao mesmo tempo. Uma cena para a história da Champions e, ainda mais, para a memória de quem vivenciou dentro da Johan Cruyff Arena.