Os torcedores do Pachuca nunca se esquecerão das sensações que experimentaram nesta semana. Primeiro, conquistaram o quinto título na Concachampions, batendo o Tigres, e confirmaram o retorno ao Mundial de Clubes após sete anos. Porém, não é pela taça que os Tuzos largariam mão dos interesses no Clausura do Campeonato Mexicano. E, em busca de uma vaga nos playoffs, transformaram o impossível em real na noite deste sábado. Na penúltima rodada, o clube de Hidalgo arrancou um empate vital para se manter na briga por uma das oito vagas. Graças ao salvador mais improvável: o goleiro Óscar “Conejo” Pérez, de 44 anos e 1,72 m. Aos 48 do segundo tempo, ele buscou o empate por 2 a 2 marcando de cabeça contra o Cruz Azul.

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Jogando diante de sua torcida, o Pachuca saiu em vantagem no início do segundo tempo. Gol de Franco Jara, o herói da Concachampions. Entretanto, os anfitriões permitiram a virada do time da capital. Richard Ruiz empatou para o Cruz Azul logo na sequência, encobrindo o Conejo com uma cabeçada, e Martin Cauteruccio virou cobrando pênalti. Os Tuzos necessitavam da reação. Ela veio tarde, é verdade. Mas graças à perseverança de Óscar Pérez. Mesmo sem tanta altura, o veterano reafirmou que a impulsão é uma de suas grandes virtudes. Saltou entre os grandalhões e venceu o goleiro José Corona, seu antigo companheiro na seleção mexicana. Curiosamente, há 11 anos, Conejo marcara seu primeiro gol de cabeça: pelo Cruz Azul e contra Corona, então no Estudiantes Tecos. Valeu o empate por 1 a 1, pela oitava rodada do Apertura de 2006.

Conejo já tinha sido vital na conquista do último Clausura, derrotando o Monterrey com grandes defesas na decisão. Embora tenha ficado no banco na Concachampions, afirmou que adiará o final da carreira para que possa estar presente no Mundial de Clubes. E a semana de sonho acaba com seu gol. Aliás, o tento resgata a tradição dos goleiros-artilheiros do Pachuca. Maior ídolo da história do clube e falecido em 2012, Miguel Calero chegou a marcar contra o Jaguares de Chiapas, em 2002. Já em 2006, o tento do capitão diante do Chivas Guadalajara valeu a vaga na final do Clausura, conquistado pelos Tuzos. O Cruz Azul, por sua vez, também esteve do outro lado da história em 2013, quando tomou um tento do arqueiro Moisés Muñoz na inesquecível decisão do Clausura.

Neste momento, o Pachuca aparece fora da zona de classificação, a um ponto de alcançar o oitavo lugar. Precisa secar os concorrentes e fazer sua parte na rodada final, quando visita o América no Estádio Azteca. Mas, considerando que seis times ainda brigam pelas três vagas restantes, dá para esperar de tudo. Especialmente quando um goleiro de 44 anos e 1,72 m anda balançando as redes.


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