O Goiânia voltou à elite estadual após 11 anos e ampliou a lista de feitos do goleiro Márcio

Dono de 14 títulos estaduais, o Galo Carijó não disputa a primeira divisão do Campeonato Goiano desde 2007

O ano de 1997 é um marco na história do Goiânia Esporte Clube. Naquela temporada, o time sofreu o rebaixamento inédito no Campeonato Goiano. E, mais do que isso, deixou de ser o maior campeão estadual, em honraria que sustentava desde a década de 1940. Se os últimos 20 anos foram difíceis ao Galo Carijó, especialmente pelos anos longe da elite, o 2018 acabará de maneira redentora, justo quando a agremiação completa 80 anos de sua fundação. Depois de 11 anos longe da primeira divisão, os alvinegros selam o acesso. A conquista foi comemorada neste final de semana, com destaque especial a um símbolo do futebol local: o goleiro Márcio, aos 37 anos, está entre os protagonistas do feito.

Ligado às elites do futebol em Goiás, o Goiânia logo se tornou uma potência no Campeonato Goiano. Disputou os primeiros títulos com o Atlético Goianiense e logo deslanchou como o maior vencedor do certame. Foram 14 taças entre 1945 e 1974, que ainda o mantêm como terceiro maior campeão do estado – com destaque ao pentacampeonato na década de 1950. Os alvinegros também passaram a figurar no Brasileirão a partir da segunda metade dos anos 1970, época em que começaram a amargar o jejum de títulos, ainda com alguns vices para a conta. De qualquer maneira, o cenário do futebol no estado já havia mudado bastante, com a ascensão de Vila Nova e Goiás. As dificuldades financeiras e as instabilidades passaram a minar o caminho do Galo Carijó.

Se a primeira queda aconteceu em 1997, o novo acesso foi imediato. Figurante na Série C do Brasileiro, o Goiânia ainda se manteve firme na elite estadual até 2002, quando começou sua gangorra. Foram cinco temporadas consecutivas caindo ou subindo no Goiano. Em 2007, aconteceu o rebaixamento que parecia definitivo. Desde então, o Galo Carijó não voltou mais e acumulava campanhas modestas na segundona. Variou entre o sexto e o nono lugar de 2008 a 2014. Já nas últimas três edições da divisão de acesso, ficou entre quarto e quinto, posições ainda insuficientes.

A promoção de quatro equipes nesta temporada, graças ao aumento de 10 para 12 participantes na primeira divisão em 2019, beneficiou o Goiânia. Ainda assim, não se tiram os méritos do time dentro de campo. CRAC e Novo Horizonte já haviam confirmado a promoção. No sábado, os alvinegros perderam o compromisso para o Jaraguá. Tiveram que esperar mais algumas horas e puderam festejar no domingo, graças à vitória do Goianésia – que, liderado pelo indefectível artilheiro Nonato, também voltou à elite. O longo hiato e o peso histórico amplificam o feito do Galo Carijó.

O treinador do Goiânia na campanha de acesso é Edson Júnior. É a quinta vez desde 2011 que ele lidera uma equipe no acesso à primeira divisão do Goianão, subindo nas três últimas edições da segundona. “São cinco acessos, três consecutivos. Cinco, mas nenhum deles foi tão difícil quanto esse do Goiânia por causa das condições de trabalho no dia a dia. Mas o mais importante foi a honestidade da diretoria que nos passou que realmente não teríamos as condições ideais, mas que precisava de alguém que pudesse superar tudo isso e trazer o Goiânia de volta. Feliz por conquistar mais um acesso e quem sabe continuar fazendo história aqui no futebol”, declarou o treinador, à Rádio Sagres. Fez questão de destacar o nome mais experiente de seu grupo: Márcio.

O lugar do goleiro na história do futebol goiano é evidente. O sergipano passou por clubes como Bahia e Fortaleza, até chegar ao Atlético Goianiense em 2007. Por lá, Márcio se tornou uma das referências do elenco e um dos grandes ídolos da torcida, protagonista na ascensão da terceira à primeira divisão do Brasileiro, além de ajudar na conquista de quatro títulos estaduais e na participação nos torneios continentais. Evitou muitos gols e ainda marcou alguns. Recordista em jogos pelo clube, trocou o Dragão pelo Goiás em 2016, em transferência polêmica que não teve muito sucesso, apesar de sua presença no banco durante a conquista do estadual em 2017. Depois de uma rápida passagem pelo Ipatinga, ajudaria a reerguer o Goiânia. Defende a meta alvinegra desde maio, ampliando sua lista de façanhas no Goianão com o acesso.

Márcio pode ser uma boa peça para o reinício no Campeonato Goiano, mas o caminho a se percorrer ainda é longo. As dificuldades financeiras são claras e a promoção dependeu de um trabalho intenso dentro do clube, por conta das estruturas precárias. A falta de condições no próprio campo de treinamentos dos alvinegros é considerada o maior empecilho, com o elenco precisando se preparar em outros locais. Resta saber qual o impacto que a primeira divisão irá provocar. O desafio agora é não permitir que a conquista se torne mera exceção em mais anos difíceis ao Galo Carijó.