O Campeonato Europeu Sub-21 serviu para apresentar uma geração bastante promissora da seleção romena. E o impacto do torneio já gerou os primeiros frutos. Ianis Hagi teve um desempenho excepcional ao longo da competição. O meia demonstrou muita qualidade técnica e poder de fogo para impulsionar a campanha de seu país. Semanas depois do sucesso no certame, que garantiu a presença dos romenos nas Olimpíadas de 2020, o jovem descolou um novo contrato. A partir da próxima temporada, defenderá o Genk, com a chance de disputar a Liga dos Campeões.

Ianis Hagi se mostrava aberto a uma nova experiência na carreira. O meia de 20 anos é cria do Viitorul – o clube fundado por seu pai, Gheorghe Hagi, para desenvolver talentos no futebol romeno. O garoto herdou o talento e se tornou um dos principais jogadores do time nas últimas temporadas, a ponto de figurar na seleção do Campeonato Romeno em 2017/18 e em 2018/19. Além disso, virou também nome recorrente nas convocações da seleção principal. O Europeu Sub-21 surgiu, então, como a oportunidade de evidenciar suas virtudes. Mesmo atuando ao lado de atletas até três anos mais velhos (o limite real da fase final do torneio é sub-23), o armador conseguiu se sobressair e ajudou a conduzir a Romênia até as semifinais.

Não será a primeira experiência de Ianis Hagi no exterior. Em 2016/17, o prodígio teve uma rápida passagem pela Fiorentina. Disputou apenas duas partidas pela Serie A, sem desfrutar de muito espaço com a Viola. Segundo Gheorghe, o clube até respeitava o seu garoto, mas não dava as oportunidades merecidas. Não à toa, ao final da temporada, o Viitorul optou por comprar de volta o passe do adolescente, reembolsando os €2 milhões investidos pelos italianos – e cedendo ainda 30% dos direitos a uma futura venda. Treinado novamente pelo pai na antiga casa, o meia seguiu sua curva ascendente e assumiu o protagonismo da equipe, usando até a braçadeira de capitão. Neste momento, parece preparado ao desafio longe da zona de conforto.

Diante do interesse de Ianis em sair, com a benção de Gheorghe, diversos clubes foram especulados como seu destino. O Barcelona parecia forte na disputa, mas a falta de espaço na Catalunha também seria um problema. Sevilla e Roma indicaram o interesse, enquanto cogitou-se até mesmo uma venda ao Galatasaray – o jovem nasceu em Istambul, na época em que seu pai era ídolo do clube. Todavia, o Genk surge mesmo uma escolha acertada. Os alviazuis são os atuais campeões belgas e possuem um histórico respeitável de desenvolver jovens jogadores. Só nesta década, contribuíram na formação de nomes como Kevin de Bruyne, Thibaut Courtois, Kalidou Koulibaly, Wilfred Ndidi, Leon Bailey, Sergej Milinkovic-Savic, entre outros. O nível do Campeonato Belga é mais acessível para o meia se firmar, enquanto também poderá acumular experiências na Champions. A equipe já tem seu lugar assegurado na fase de grupos.

O mais interessante será notar a regularidade de Ianis Hagi longe do Viitorul. Talento não falta ao jovem. Seu estilo de jogo se assemelha um pouco ao de seu pai, entre a qualidade nos dribles, a visão de jogo, os passes precisos e a capacidade com os dois pés. Mais do que isso, possui boa velocidade, que o permite atuar não apenas como meia centralizado, mas também nas duas pontas – embora renda mais atrás do centroavante. A maturidade pode ajudá-lo neste novo momento, em que precisará se provar longe do ninho. Causar impacto no Genk será essencial para buscar passos maiores ao futuro de sua carreira.

O Genk investiu €8 milhões pela transação. Não é um negócio caro, pelas cifras atuais do mercado, mas já representa a maior compra feita pelo clube em sua história. O título belga rendeu novos investimentos e os alviazuis parecem dispostos a cumprir ao menos um papel digno na próxima Champions. Hagi chegará com os holofotes sobre si. E terá uma grande oportunidade para comprovar que o sobrenome não será apenas um rótulo ao longo de sua carreira. O garoto tem qualidade para exibir luz própria.

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