A péssima atuação do Atlético Mineiro na Argentina ou mesmo a fase cambaleante do time não abalaram a confiança da torcida. O Estádio Independência estava cheio e pulsante nesta quinta-feira, acreditando em uma reviravolta contra o Unión Santa Fé na primeira fase da Copa Sul-Americana. E, dentro de campo, o time de Rafael Dudamel até ofereceu motivos para os torcedores sonharem. Abriu dois gols com meia hora de jogo e fez um primeiro tempo maiúsculo, em que manteve os argentinos acuados. Porém, a virada não se concretizou. Os visitantes melhoraram no segundo tempo, assim como a energia dos atleticanos diminuiu. Com boas defesas do goleiro Moyano, o placar ficou mesmo nos 2 a 0 e se tornou insuficiente à reação do Galo. Pelos muitos erros nos 3 a 0 de Santa Fé, os mineiros terminaram eliminados da competição continental.

O Atlético mudou em relação ao primeiro jogo. Dudamel apostou em um esquema com três zagueiros, importante para aproveitar o potencial ofensivo de Guilherme Arana e Guga nas alas. Otero e Nathan cuidavam do apoio, enquanto Hyoran encostava em Di Santo no ataque. E outro reforço importante era o das próprias arquibancadas, num clima trepidante dentro do Independência. Só que não seria simples encarar as fechadas linhas no 4-5-1 do Unión Santa Fe.

Quando a bola rolou, o primeiro lance ofensivo viria em um chute desviado do Unión, mas a pressa era do Atlético e o time logo usaria isso a seu favor. Pressionando no ataque, o Galo adotou uma atitude agressiva e logo mandaria nas ações. Nathan esteve perto de marcar aos nove minutos, numa cabeçada que passou perto da meta argentina. Já o gol veio aos 15, a partir de uma cobrança de falta venenosa de Otero. O venezuelano estava em uma posição distante, mas arriscou o chute direto e botou efeito na bola. Apesar da potência da batida, o goleiro Sebastián Moyano também vacilou. Demorou a reagir e não tomou o impulso necessário para alcançar o arremate do atleticano.

O gol revigorou a esperança do Atlético. E até parecia que a sorte estava do lado mineiro desta vez. Logo no ataque seguinte, Jonathan Bottinelli acertou a trave e o goleiro Michael certamente ficou aliviado, ao ver a bola voltar em suas mãos. Mantendo a posse de bola, o Galo não conseguia romper as linhas do Unión e mal acionava Di Santo. Em compensação, os meias participavam bastante e Hyoran flutuava bem. A partir de Otero, também nasceu o segundo gol. Após um tiro do venezuelano, Moyano jogou para escanteio. E, quando a bola foi levantada na área, Réver sofreu pênalti. Hyoran assumiu a cobrança e bateu bem, para ampliar a diferença.

Neste momento, até parecia que o terceiro gol viria antes do intervalo. O Atlético jogava para isso e vivia os seus melhores minutos desde a chegada de Dudamel. A torcida ditava o ritmo alucinante e o time estava com sangue nos olhos. No entanto, Nathan não aproveitou uma grande chance de igualar o placar agregado. Aos 42, o meia recebeu de Hyoran e finalizou dentro da área, mas Moyano conseguiu desviar o chute e evitar o pior aos argentinos. Ante o que se via, o Galo sairia sob aplausos rumo aos vestiários.

O jogo, todavia, mudou no segundo tempo. O Unión Santa Fe teve outra atitude e se posicionou mais à frente em campo, o que quebrou o plano do Galo. O time de Dudamel não se sentia tão à vontade com a posse de bola e também não imprimia a mesma intensidade. Sinal da mudança do cenário, Michael começou a ser exigido. Aos cinco minutos, o goleiro realizou uma ótima defesa em bomba de Javier Cabrera. Logo depois, Guga também salvaria uma bola em cima da hora.

O Atlético tentava responder e esboçaria o terceiro gol por volta dos dez minutos. Primeiro, Jair bateu para fora uma bola alçada na área. Depois, Guilherme Arana recebeu em boas condições na área e também viu Moyano crescer à sua frente. Mas não seria um momento tão ofensivo do Galo. Mesmo a entrada de Marquinhos para renovar o ataque, no lugar de Otero, não ajudou muito. Com um ritmo mais baixo, os atleticanos se mantinham vivos no confronto muito graças à sua defesa, que evitava o gol do Unión. Aos 26, Igor Rabello realizou um desarme espetacular, quando Michael já estava batido após rebote, e evitou o pior.

Com a nulidade de Di Santo, o Atlético não conseguia prender a bola na frente ou mesmo buscar os cruzamentos. O Unión cortava as transições. Um caminho eram os chutes de longe, mas de novo Moyano salvou os argentinos, aos 33. Hyoran soltou um balaço do meio da rua e o goleiro foi salvador, ao desviar com a ponta dos dedos a bola que tinha endereço certo. Seria a última chance realmente clara do Galo.

Ricardo Oliveira entrou no lugar de Guga durante a reta final e a torcida evocou o “eu acredito”, tentando resgatar o espírito daquele Galo Doido que fez história entre 2013 e 2014. Contudo, o gás dos atleticanos tinha acabado. A equipe não conseguiu empurrar o Unión ou mesmo receber a bola dentro da área, em condições de fazer algo. Uma cobrança de falta aos 38 ainda fez a torcida sonhar e Hyoran, cheio de confiança, assumiu o chute. Não pegou tão bem na bola e errou o alvo. Aquele espírito do passado, que possibilitava o sobrenatural no Horto, não apareceu. O jeito foi aturar a festa do Unión, sabendo que o desastre em Santa Fé custou muito caro aos mineiros.

O pênalti perdido por Allan no fim da partida na Argentina, agora, parece muito mais caro. Caso aquela bola tivesse entrado, os 2 a 0 em Belo Horizonte seriam suficientes nesta quinta. Entretanto, o Atlético não pode ficar pensando no que poderia ter sido e não se concretizou. A eliminação dói e custa um objetivo claro ao time na temporada.

O acerto na mudança tática e a postura do time durante o primeiro tempo, por ora, diminuem a carga de críticas sobre Dudamel. Mas faltou aos atleticanos lidarem melhor com as novas dificuldades que surgiram no segundo tempo, assim como dosarem sua intensidade. O treinador segue sob escrutínio. Ao menos, parece ter encontrado um caminho para revigorar seu trabalho no Galo, mesmo na corda bamba que a eliminação precoce causa.