Depois da acachapante eliminação frente ao Barcelona, um novo estágio começa para a temporada do Milan. A partir de agora, a equipe tem apenas mais 10 jogos pela frente, todos eles pela Serie A, para definir seu futuro. Se tudo ia muito bem até às 20h45 da terça-feira, no horário local, agora o panorama pode ser bem diferente.

O Milan havia atingido o seu melhor momento em toda a temporada. Superado uma fase difícil que se arrastou por dois meses e, com o perdão do uso da palavra, “remontado”: está em terceiro lugar na Serie A e prestes a ultrapassar um Napoli que, além de estar em queda, ainda visita o estádio San Siro em quatro rodadas. Tinha até aberto uma ótima vantagem nas oitavas da Liga dos Campeões contra o Barcelona. Agora, os fantasmas retornam. A derrota por 4 a 0 contra a equipe catalã volta a deixar em aberto o futuro do técnico Massimiliano Allegri e expôs o principal problema rossonero: a defesa.

Allegri voltou a gozar de certa tranquilidade depois de ter dado nova cara ao time, que sofria com as saídas de Thiago Silva e Ibrahimovic. Assim, afastou as especulações de que seria demitido. Porém, acabou cometendo alguns erros que acabaram ajudando o Milan a ser destroçado por Messi e companhia. O primeiro deles aconteceu na sexta, quando deixou Balotelli no banco, em partida contra o Genoa. Super Mario, inelegível para a competição europeia, já não poderia enfrentar o Barça e deveria ter jogado desde o início, no lugar de Pazzini. Allegri preferiu não poupar o centroavante, que acabou se machucando após dura falta cometida por Portanova e perdeu uma peça importante para o confronto do Camp Nou.

Agora é inútil especular, mas teria Pazzini perdido o gol que Niang, de 18 anos, perdeu quando o Barcelona vencia por 1 a 0? O mais importante é que o ex-atacante de Inter e Sampdoria é o vice-artilheiro do time na temporada, com 14 gols (6 deles nos últimos 10 jogos), enquanto Niang ainda nem balançou as redes. Mais experiente, o “Pazzo” poderia ter compreendido melhor o duelo e não desapareceria do jogo, como o francês – que acabou sentindo o gol perdido dois minutos antes de o Barça ampliar sua vantagem.

Outra escolha questionável de Allegri foi a escalação de Constant na lateral esquerda. O guineano vem jogando na posição e tem surpreendido, já que mesmo improvisado (é meia de origem), tem jogado bem. Porém, contra o Barcelona, talvez fosse mais conveniente atuar com um jogador de origem, uma vez que a pressão que os blaugrana colocariam seria enorme. E o setor de Constant, o pior em campo, foi o mais acionado. Ele falhou em dois gols e ainda deu muitos sustos na torcida do Milan. Allegri correu riscos ao escalá-lo e riscos ainda maiores ao mantê-lo em campo, deixando De Sciglio (um dos melhores laterais da Serie A), esquentando o banco do Camp Nou.

Agora, Allegri terá de administrar o revés. Psicologicamente, o Milan estava em alta. A vitória contra o Barcelona havia elevado o moral e alçado as expectativas dos rossoneri sobre a temporada. A enorme frustração que se sucedeu à euforia não poderá contaminar os jogadores. Por acaso, o Milan receberá o Palermo, lanterna da Serie A, no primeiro compromisso pós-Barcelona.

Pallonetto

– Vamos recapitular a linha cronológica de técnicos do Palermo nesta temporada? Até a 3ª rodada, o técnico era Giuseppe Sannino, demitido para a chegada de Gian Piero Gasperini, que ficou até a 23ª. Depois, chegou Alberto Malesani, que treinou o time por apenas três jogos, dando lugar a um retorno de Gasperini. O retorno durou apenas dois jogos e, agora, a equipe siciliana terá novamente o comando de Sannino. Não é difícil entender porque o Palermo é lanterna da Serie A.

– Duas triplettas improváveis aconteceram nesta rodada: a primeira, de Ibarbo, do Cagliari, no 3 a 1 sobre a Sampdoria, e a outra de Amauri, no 4 a 1 do Parma sobre o Torino, em bela virada. Os parmenses não venciam desde o início de janeiro.

– Seleção Trivela da 28ª rodada: Puggioni (Chievo); Garics (Bologna), Astori (Cagliari), Zapata (Milan), Dramé (Chievo); Ibarbo (Cagliari), Borja Valero (Fiorentina), Della Rocca (Siena), Ljajic (Fiorentina); Denis (Atalanta), Amauri (Parma). Técnico: Stefano Pioli (Bologna).