O futebol sul-americano sub-20 é das brasileiras, que agora freiam o ímpeto pela paralisação

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Doze pontos em quatro jogos. Catorze gols anotados e nenhum sequer sofrido. A campanha da seleção brasileira sub-20 no Campeonato Sul-Americano de Futebol Feminino da categoria não poderia ter sido mais poderosa na fase de grupos, encerrada no último fim de semana. Agora, porém, o Brasil terá que frear seu ímpeto no torneio por forças maiores. Em face à pandemia do coronavírus, a Conmebol decidiu, acertadamente, paralisar suas competições, em uma decisão que surpreendeu por se tratar… da Conmebol. Portanto, o Sul-Americano Feminino Sub-20, que, este ano, está sendo disputado na Argentina, entra em um hiato até que seja seguro retomá-lo.

Octacampeãs e únicas vencedoras no continente, as brasileiras dividiram o Grupo B com o Uruguai, Paraguai, Chile e Peru. Todos os confrontos foram disputados no Estádio Juan Gilberto Funes, que fica localizado na cidade de La Punta, na província de San Luis. Já no Grupo A, a sede é San Juan. O Estádio del Bicentenario foi o palco, com Venezuela, Equador, Colômbia, Bolívia e a própria Argentina formando a chave.

Em sua estreia, o  Brasil encarou o Peru, time que não chega a uma semifinal desde 2004, quando o campeonato de base começou a rolar. O primeiro resultado foi um 3 a 0 diante das peruanas. Na sequência, frente ao Paraguai, as brasileiras repetiram a dose com o mesmo placar. Na terceira rodada, uma goleada por impiedosos 6 a 0 sobre o Uruguai só não superou os 7 a 0 da Venezuela sobre o Equador. Por fim, o Brasil fez 2 a 0 no Chile com portões fechados, encerrando, também, a etapa inicial do Sul-Americano como o previsto: sem sustos e se classificando para o quadrangular na próxima fase, que terá ainda o Uruguai, a Venezuela e a Colômbia.

As datas e locais dos próximos duelos ainda não foram divulgados pela Conmebol. Porém, eles devem ocorrer antes de agosto, quando começa a Copa do Mundo de Futebol Feminino Sub-20, uma vez que o campeão e o vice sul-americanos se qualificam para o Mundial, com sede na Costa Rica e no Panamá. Só faltam as duas seleções da América do Sul e as duas vagas da Confederação Africana de Futebol, a CAF, serem definidas.

Olho nelas

Atacante do Cruzeiro, Micaelly é um dos destaques da impecável campanha que o Brasil vem fazendo no Sul-Americano feminino sub-20. Com quatro gols, ela não somente balança as redes, mas também participa das jogadas que resultam em mudanças favoráveis no placar, seja na origem ou no último passe. Neste torneio continental, a jogadora mostra sua potência nas bolas de longa distância. Contra o Paraguai, ela marcou um belo tento de falta aos 12 minutos, inaugurando o marcador. Diante do Uruguai, a atacante recebeu pelo lado esquerdo, quase na linha lateral, carregou até quase a quina da grande área e, com confiança, arriscou de longe, fazendo um golaço por cobertura, indefensável até para o melhor goleiro do mundo.

Assim como Micaelly, Jaqueline, atacante do São Paulo, coleciona quatro gols até então no Sul-Americano. Com suas contribuições, ela chegou ao seu décimo tento com a camisa amarela no sub-20. Esta é a primeira participação da atleta no campeonato nesta categoria. Em 2016, ela jogou o Sul-Americano e a Copa do Mundo sub-17, sendo campeã do primeiro deles. A meia-atacante Duda, companheira de clube de Micaelly; as atacante Mylena, do Avaí Kindermann, e Nycole, do Benfica; a volante Angelina, do Palmeiras; e a meia Yaya, do São Paulo, são outras jogadoras que estão deixando suas marcas em campo.

Técnico da seleção feminina sub-20 desde agosto do ano passado, Jonas Urias preparou suas atletas para o Sul-Americano na Liga Sul-Americana, torneio faturado pelas brasileiras em fevereiro. Agora, com o desafio valendo oficialmente, ele arruma a casa para tentar fazer bonito no Mundial. Por ora, o cenário é de confirmação da supremacia brasileira no continente.

A missão de Urias será levar o Brasil a uma final pela primeira vez na história. O mais longe que as brasileiras chegaram no certame da Fifa foi um terceiro lugar conquistado em 2006, na Rússia. Agregando sua experiência com futebol feminino de base, adquirida lá atrás, no Centro Olímpico, principal referência de clube formador na modalidade, o treinador também precisa entregar diamantes lapidados à seleção brasileira principal. Para isso, ele contará com a ajuda de sua auxiliar técnica, a ex-jogadora Jéssica de Lima. Mas não por enquanto. O momento é de deixar o futebol um pouco de lado para ser responsável com a saúde e a vida de milhares de pessoas.

Brasileirão também para

Seguindo a Conmebol, a CBF também optou pela suspensão de seus campeonatos por precaução ao covid-19. Com isso, o Brasileirão Feminino teve apenas cinco partidas da sexta rodada disputadas, incluindo o clássico Choque-Rainha, que com a vitória do Palmeiras, de virada, por 2 a 1 sobre o São Paulo. A líder Ferroviária e o segundo colocado, o Santos, não chegaram a ir a campo neste fim de semana. Mesmo assim, as duas equipes se mantêm nas primeiras posições da tabela. Ambas atuariam nesta segunda-feira, contra o Corinthians e o Audax, respectivamente. A data de retorno do Brasileiro será anunciada pela CBF mais para frente, em um momento mais oportuno.